Aliados europeus criticam a suspensão das sanções dos EUA ao petróleo russo.

A Ucrânia e Aliados Criticam Isenção de Sanções pelos EUA

A Ucrânia e seus aliados europeus manifestaram críticas na sexta-feira, 13 de outubro, em relação à isenção temporária concedida pelos Estados Unidos. Essa isenção permite que países adquiram petróleo e derivados russos sancionados que estão retidos no mar. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy alertou que essa decisão poderia financiar a máquina de guerra da Rússia.

Os Estados Unidos emitiram essa isenção como uma tentativa de estabilizar os mercados de energia afetados pelo conflito com o Irã. No entanto, a medida pode complicar os esforços ocidentais para impedir que a Rússia obtenha receitas que financiem sua atuação na guerra na Ucrânia, especialmente em um momento em que as relações entre os países transatlânticos já estão sob tensão significativa.

Os preços do petróleo apresentaram uma queda ao longo da sexta-feira, logo após o anúncio da isenção por parte dos EUA. De acordo com o enviado presidencial russo Kirill Dmitriev, essa medida afetaria cerca de 100 milhões de barris de petróleo bruto russo, volume equivalente a quase um dia de produção global.

Durante uma coletiva de imprensa em Paris, ao lado do presidente francês Emmanuel Macron, Zelenskiy afirmou que a Rússia utilizaria os recursos obtidos com a venda de petróleo para adquirir armamentos, incluindo drones. Ele declarou: “Acredito que o levantamento das sanções fortalecerá a posição da Rússia. A receita proveniente das vendas de energia está sendo usada contra nós.”

O presidente ucraniano ainda acrescentou que “essa flexibilização das sanções por parte dos Estados Unidos poderia proporcionar à Rússia cerca de US$ 10 bilhões para a guerra, o que não contribui para a paz.”

Em resposta, Macron destacou que a isenção concedida pelos EUA era limitada e temporária, com duração de 30 dias. Ele sublinhou que não havia justificativa para a suspensão das sanções impostas à Rússia e observou que, caso Moscou estivesse confiante de que a guerra no Irã lhe proporcionaria um alívio, estava completamente enganada.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, opinou que qualquer medida destinada a aliviar as sanções contra a Rússia era um erro. Merz sugeriu que a Europa ficou surpresa com a decisão e a ministro da Economia, Katherina Reiche, declarou que a ação possivelmente foi influenciada por pressões internas nos EUA.

Merz afirmou: “Seis membros do G7 expressaram uma opinião clara de que essa não era a mensagem adequada. Recebemos a informação nesta manhã de que o governo americano aparentemente decidiu em sentido contrário.”

O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, também se posicionou contra a suavização das sanções energéticas direcionadas à Rússia.

Reação da Rússia à Medida dos EUA

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou aos jornalistas que a decisão dos EUA tinha como objetivo estabilizar os mercados globais de energia, coincidindo, segundo ele, com os interesses russos.

Segundo a empresa de análise de dados Vortexa, cerca de 7,3 milhões de barris de petróleo de origem russa estão atualmente armazenados em condições flutuantes, enquanto 148,6 milhões de barris estão em navios em trânsito. Além disso, até 420.000 toneladas métricas de diesel e gasóleo permanecem em armazenamento flutuante e estão disponíveis para venda no mercado, conforme dados de rastreamento de navios da LSEG e fontes comerciais.

A medida tomada por Washington ocorre duas semanas após o início dos ataques dos EUA e Israel ao Irã, que paralisaram o transporte marítimo no estratégico Estreito de Ormuz. A Agência Internacional de Energia, que reúne 32 países, informou que a guerra no Oriente Médio resultou na maior interrupção no abastecimento de petróleo da história recente.

O serviço de rastreamento de navios Kpler mencionou que é improvável que a isenção concedida pelos EUA leve a uma nova demanda significativa. “A maior parte das cargas já foi vendida a compradores asiáticos, especialmente na Índia. Assim, a medida principal é permitir que os barris russos que estão em trânsito finalizem sua jornada e sejam descarregados”, esclareceu a empresa.

Detalhes da Isenção até 11 de Abril

A licença emitida por Washington na quinta-feira, 12 de outubro, permite a entrega e venda de petróleo bruto e derivados russos que estavam carregados em navios até o dia 12 de março, incluindo essa data. A validade da isenção se estende até a meia-noite, conforme o horário de Washington, do dia 11 de abril.

A decisão reflete as preocupações da Casa Branca em relação ao aumento nos preços globais do petróleo, que pode afetar negativamente empresas e consumidores nos EUA, especialmente considerando as eleições de meio de mandato que se aproximam em novembro. Nesse contexto, os colegas republicanos de Trump buscam manter o controle do Congresso.

A suspensão das sanções se relaciona a uma conversa entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, ocorrida no dia 9 de março. Posteriormente, Dmitriev visitou os EUA para discutir a atual crise energética com uma delegação americana que incluía o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro de Trump.

O porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou aos jornalistas: “É indiscutivelmente uma decisão dos EUA, mas nossa posição é clara. Todos os parceiros devem manter a pressão sobre a Rússia e seus recursos financeiros para a guerra.”

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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