Amaggi Adquire Participação na FS e Amplia Ações no Setor de Etanol de Milho
O conglomerado do agronegócio Amaggi anunciou a aquisição de uma participação de 40% do capital da FS, destacada como uma das líderes na fabricação de etanol de milho no Brasil. Essa transação representa a entrada da Amaggi em um setor que apresenta um crescimento acelerado e vem ganhando espaço em relação ao biocombustível tradicional de cana-de-açúcar, conforme informado pelas empresas à Reuters na quarta-feira, 13 de setembro.
Detalhes da Operação
O valor da operação não foi revelado. Contudo, essa parceria deverá fortalecer os planos de expansão da FS, que se destacou como pioneira na produção de biocombustível exclusivamente a partir de milho no país, iniciado em 2017. Atualmente, a FS conta com três unidades fabris localizadas no estado do Mato Grosso, totalizando uma capacidade produtiva anual de cerca de 2,5 bilhões de litros de etanol.
Crescimento do Setor de Etanol de Milho
Recentemente, o mercado de etanol de milho no Brasil tem demonstrado uma forte expansão. A FS já está em processo de construção de sua quarta unidade industrial em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, com previsão de inauguração para o final de 2026. Esta nova unidade terá uma capacidade produtiva estimada em aproximadamente 600 milhões de litros por ano, elevando a produção total da companhia para 3,2 bilhões de litros de etanol anualmente.
Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), na safra 2025/26, o etanol de milho corresponderá a 27% da produção total da região Centro-Sul do Brasil. Várias empresas, incluindo a concorrente Inpasa, têm planos de crescimento nesse setor.
Iniciativas Sustentáveis
Além da construção da nova usina, a FS está programando a inauguração em setembro da primeira unidade de captura e armazenamento de carbono, localizada na usina de Lucas do Rio Verde. Esta unidade terá uma capacidade para armazenar até 423 mil toneladas de carbono anualmente. Com essa iniciativa, a FS pretende se tornar a primeira produtora de combustível com emissão de carbono negativa do mundo, conforme declarado pela empresa.
Sinergias da Parceria
Ao ser questionado sobre se o acordo com a Amaggi se relaciona com a necessidade de recursos adicionais para a expansão, o CEO e fundador da FS, Rafael Abud, esclareceu que esse não é o caso. “A FS é uma companhia sólida, geradora de caixa, que apresentou o melhor resultado da sua história no último ano fiscal e que já estava bem posicionada para conduzir seu plano de expansão, independentemente de novos recursos”, afirmou o executivo.
Judiney Carvalho, CEO da Amaggi, comentou que a aquisição da participação de 40% do capital social da FS envolverá uma “combinação de emissão primária”. Isso se refere à emissão de novas ações e à captação de novos recursos para a FS, além da compra de participações de acionistas já existentes.
Abud também acrescentou que o acordo envolve um aporte financeiro expressivo, relacionado a uma emissão primária de ações da FS, totalizando US$ 100 milhões. Ambas as empresas mencionaram que a operação deve gerar “sinergias relevantes” em áreas como originação de milho, otimização, logística e exportações.
Objetivos da Amaggi
Para a Amaggi, essa operação é parte de sua estratégia de industrialização e verticalização das operações. O CEO, Judiney Carvalho, expressou a expectativa de que o investimento no etanol de milho traga resultados muito positivos para a empresa.
A Amaggi, que já atua na produção, comércio, transporte e processamento de grãos, se junta ao quadro acionário da FS juntamente com a Summit Agricultural Group, uma empresa norte-americana. Essa parceria é vista como uma reunião de duas empresas que compartilham “fortes sinergias” na maneira como operam, comentou Bruce Rastetter, acionista e fundador do grupo dos EUA.
Direção da FS e Aprovação Regulatória
As empresas afirmaram que a direção atual da FS permanecerá inalterada, com a participação da Amaggi no negócio se concretizando por meio do conselho de administração. A operação já foi protocolada junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e sua realização está sujeita à aprovação das autoridades responsáveis pela concorrência no Brasil.
Fonte: www.moneytimes.com.br