Amazon, Microsoft e Google enfrentam desafios em relação ao consumo de água e energia.

Amazon, Microsoft e Google enfrentam desafios em relação ao consumo de água e energia.

by Fernanda Lima
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Pressão dos Acionistas sobre Gigantes da Tecnologia

Amazon, Microsoft e Google descontinuaram recentemente a construção de data centers multibilionários, enfrentando resistência das comunidades locais em relação a esses projetos. Além disso, estão sob crescente pressão dos acionistas, que exigem esclarecimentos sobre os impactos ambientais das operações dessas empresas.

Um grupo de mais de uma dúzia de investidores intensificou a pressão sobre essas companhias, especialmente com as assembleias anuais de acionistas se aproximando. Os acionistas buscam um maior entendimento sobre o consumo de água e as iniciativas de conservação adotadas pelos gigantes da tecnologia, conforme entrevistas realizadas pela Reuters.

A Trillium Asset Management, uma gestora baseada em Boston com mais de US$ 4 bilhões em ativos sob gestão, apresentou uma proposta à Alphabet em dezembro. O objetivo é obter mais clareza sobre a forma como a empresa planeja atender suas metas climáticas, especialmente diante do aumento da demanda de energia das centrais de processamento de dados. Isso foi destacado por Andrea Ranger, que é diretora de interesses dos acionistas da Trillium.

Compromissos Climáticos de Longo Prazo

Em 2020, a Alphabet assumiu o compromisso de reduzir pela metade suas emissões de gases de efeito estufa e de garantir que suas fontes de energia sejam isentas de carbono até 2030. No entanto, a Trillium relatou que, na verdade, as emissões aumentaram em 51%, o que deixou os acionistas sem informações claras sobre como a empresa pretende atingir os objetivos estabelecidos.

Uma proposta similar apresentada pela Trillium no ano anterior obteve apoio de quase 25% dos acionistas independentes, apontando para uma preocupação crescente sobre as práticas ambientais da empresa. Além disso, Giovanna Eichner, representante dos acionistas da Green Century Capital Management, mencionou que está em diálogo com a Nvidia sobre a apresentação de uma resolução, visando garantir que os ganhos de curto prazo oriundos da inteligência artificial não comprometam os riscos climáticos e financeiros em longo prazo.

Preocupações com o Uso da Água

Os acionistas estão solicitando informações mais detalhadas sobre o uso de água pelas empresas envolvidas. Dados de uma pesquisa realizada pela Mordor Intelligence indicam que os data centers nos Estados Unidos consumiram quase 1 trilhão de litros de água em 2025, uma quantidade que seria suficiente para atender à demanda anual de água da cidade de Nova York.

Ainda que empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft tenham começado a implementar sistemas de resfriamento de circuito fechado em seus data centers, o que demanda uma quantidade significativamente menor de água, as informações sobre o consumo deste recurso ainda apresentam variações entre as companhias.

O relatório ambiental da Meta referente a 2025 divulga dados sobre o uso de água nos locais de sua propriedade, mas não abrange aqueles que são locados ou que se encontram em construção. O consumo total de água aumentou em 51%, subindo de 3.726 megalitros em 2020 para 5.637 megalitros em 2024, volume suficiente para abastecer mais de 13.000 residências durante um ano.

O relatório ambiental do Google também fornece dados sobre as instalações que a empresa possui e aluga, mas não inclui informações sobre as operadas por terceiros. Tanto a Amazon quanto a Microsoft informaram seus consumos totais de água, porém não segmentaram esses dados por local em seus relatórios de sustentabilidade de 2025.

Josh Weissman, diretor de fornecimento de capacidade de infraestrutura da Amazon, revelou que a empresa está aumentando a transparência em relação ao consumo de água, divulgando dados específicos sobre os locais onde opera. Um porta-voz da Amazon ressaltou o compromisso da empresa em ser uma “boa vizinha” e estiver investindo em iniciativas de eficiência, assim como na expansão das fontes de energia renovável e na redução do uso de água.

Para os investidores, dados em nível local são cruciais, pois permitem uma avaliação mais precisa dos riscos operacionais e do desempenho das empresas na gestão desses riscos. Eles também demonstraram interesse em conhecer mais sobre os esforços voltados para a reposição dos suprimentos hídricos.

Demandas por Transparência nas Informações

Jason Qi, analista líder de tecnologia da Calvert Research and Management, comentou que as empresas ainda não estão divulgando informações suficientes sobre seu consumo de água e o impacto disso nas comunidades locais.

Um porta-voz da Microsoft afirmou que a sustentabilidade ambiental é um dos valores centrais da empresa. Ele destacou que a companhia está enfrentando ativamente os desafios relacionados à sustentabilidade e acelerando a implementação de soluções que tenham um impacto a longo prazo.

Em contrapartida, um porta-voz do Google optou por não comentar a situação, enquanto a Meta não respondeu ao pedido de esclarecimentos. Dan Diorio, vice-presidente da Data Center Coalition, um grupo de lobby que inclui as quatro grandes empresas de tecnologia, mencionou que aprimorar o engajamento com a comunidade tornou-se uma das principais prioridades no último ano.

Diorio finalizou afirmando que é essencial ser transparente em relação ao uso de energia e água, de modo que os residentes possam compreender que os projetos não irão sobrecarregar os recursos disponíveis, mas sim protegê-los.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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