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Ambev aprova dividendos e JCP adicionais, mas mercado vê distribuição aquém das expectativas
A Ambev (BOV:ABEV3) anunciou na terça-feira, 9 de dezembro, a aprovação de uma distribuição adicional expressiva de proventos, totalizando R$ 7,3 bilhões em dividendos (R$ 0,4612 por ação) e R$ 4,2 bilhões em juros sobre capital próprio (R$ 0,2690 por ação). Essa medida ressalta a política de retorno ao acionista da companhia, que já havia desembolsado R$ 6 bilhões em dividendos trimestrais ao longo do ano, além de ter realizado R$ 2,5 bilhões em recompra de ações na bolsa de valores.
De acordo com o Bradesco BBI, o retorno total aos acionistas deverá alcançar R$ 20 bilhões em 2025, o que representa um payout de 130% do lucro líquido estimado ou 144% do lucro ajustado, com um yield próximo de 9%. Apesar desse volume considerável, analistas apontam que a distribuição extraordinária ficou 5,4% abaixo das estimativas mais otimistas.
Decisão reforça prudência, mas falta de política clara de dividendos reduz previsibilidade
Na análise do BBI, a Ambev demonstra uma postura conservadora em razão do ambiente macroeconômico desafiador, tanto no Brasil quanto no exterior. O banco de investimentos destaca que a companhia encerrou o terceiro trimestre de 2025 com um caixa líquido robusto de R$ 16,9 bilhões, mas decidiu evitar uma maior alavancagem devido a fatores como:
- (i) captação de dívida pouco eficiente;
- (ii) benefício fiscal limitado devido ao uso de créditos;
- (iii) impacto modesto de antecipar dividendos antes da incidência tributária;
- (iv) custo de capital elevado no Brasil, especialmente para um grupo com presença global como a ABI.
A falta de uma política de dividendos mais transparente gera incertezas para investidores que almejam previsibilidade quanto aos fluxos de caixa, especialmente em um cenário caracterizado por demanda mais fraca por cerveja, pressão competitiva crescente e custos operacionais elevados.
Goldman Sachs também vê frustração e mantém visão cautelosa para ABEV3
O Goldman Sachs reconheceu a relevância do volume de proventos, mas enfatizou que o mercado esperava uma distribuição ainda mais arrojada. A expectativa do banco era de R$ 9,2 bilhões, enquanto o mercado especulava algo entre R$ 10 bilhões e R$ 35 bilhões. O Goldman determina que a Ambev ainda possui a capacidade de realizar até R$ 31,9 bilhões em pagamentos adicionais no futuro.
Para essa instituição, este representa o segundo ano consecutivo em que a ação se valoriza com a expectativa de um grande evento corporativo — que pode ser uma reestruturação, dividendos extraordinários, recompra de ações ou fusões e aquisições (M&A) — e, ao mesmo tempo, é o segundo ano consecutivo em que o mercado acaba decepcionado.
Como o mercado reage: ABEV3 opera em queda durante o pregão
Às 14h29 da quarta-feira, 10 de dezembro, as ações da Ambev (ABEV3) eram negociadas a R$ 13,47, representando uma queda de 1,25%. Durante o intradia, os papéis oscilaram entre a mínima de R$ 13,14 e a máxima de R$ 13,55, iniciando o pregão a R$ 13,26.
A reação observada indica que, embora o retorno ao acionista seja significativo, o mercado esperava mais, o que reforça a percepção de frustração identificada pelos principais bancos.
Sobre a Ambev
A Ambev (BOV:ABEV3) é a maior cervejaria localizada na América Latina, atuando nos segmentos de cervejas, refrigerantes e bebidas não alcoólicas, além de distribuição. A companhia faz parte do grupo global Anheuser-Busch InBev (NYSE:BUD) e compete com empresas como Heineken, Grupo Petrópolis e diversas cervejarias regionais. Entre suas principais marcas encontram-se Skol, Brahma, Antarctica, Budweiser e Stella Artois.
Fonte: br.-.com