Ambiente Ideal para Empreender nos EUA, Afirma CEO da Rockefeller Capital – CNBC Exclusivo

Os Estados Unidos estão experimentando um ambiente sem precedentes para a criação de empresas, caracterizado pelo avanço da inteligência artificial, inovações contínuas, desregulamentação e fácil acesso a capital. Essa afirmação foi feita por Greg Fleming, presidente e CEO da Rockefeller Capital Management, em uma entrevista exclusiva concedida à CNBC.

Conforme analisou Fleming, a economia americana apresenta um panorama de crescimento, bem como resultados corporativos robustos, um mercado de trabalho que se mantém resiliente e um ecossistema propício para transformar ideias em negócios viáveis financeiramente. “Realmente nunca houve um ambiente melhor para as pessoas começarem negócios”, destacou.

O executivo também mencionou que os Estados Unidos estão a caminho de registrar mais de 6 milhões de novos pedidos de abertura de empresas neste ano, um aumento significativo em comparação com números anteriores, que variavam entre 3 e 4 milhões. No ano passado, esse número já havia superado os 5 milhões, refletindo um crescimento acumulado de 17% até o momento.

“Uma pessoa jovem hoje, com 25 anos, pode utilizar essas ferramentas e começar a construir algo”, disse ele.

Inteligência Artificial como Motor de Crescimento

Fleming enfatizou que a inteligência artificial é um dos principais motores desta nova era. Ele afirmou que tanto empresas públicas quanto privadas estão em uma corrida para incorporar rapidamente ferramentas de IA, com o objetivo de aumentar a produtividade. “Todas as empresas estão tentando integrar essas ferramentas o mais rápido possível para melhorar sua eficiência”, afirmou.

O CEO da Rockefeller Capital também comentou sobre a necessidade de expandir a capacidade computacional, o que deverá sustentar os investimentos em infraestrutura de IA. Embora reconheça a incerteza em relação à magnitude da revolução tecnológica em andamento, observou que os impactos já se fazem notar no ambiente corporativo.

Dívida e Inflação como Riscos Persistentes

Apesar do clima favorável para a realização de negócios, Fleming alertou que a economia americana enfrenta desafios significativos, dentre os quais se destaca a situação fiscal. Ele observou que a dívida pública continua a crescer, com déficits correspondendo a 6% ou 7% do PIB anualmente, sem que haja indícios de um impulso político para resolver essa questão.

“A situação fiscal, na minha opinião, é um dos principais problemas”, ressaltou.

Fleming observou que a pressão fiscal já se reflete na curva de juros, especialmente nos prazos mais longos. Para ele, a alta nas taxas de juros de dez anos ou mais não pode ser atribuída apenas aos conflitos ou ao preço do petróleo, uma vez que esses impactos tendem a ser temporários.

Embora afirmasse que as taxas atuais não estão impedindo a formação de novas empresas, alertou que o acúmulo da dívida pode pressionar as taxas de juros, a moeda e os gastos públicos no futuro. “O maior risco é a dívida continuar crescendo”, disse.

Fleming sugeriu que a solução ideal para garantir a saúde econômica a longo prazo dos Estados Unidos seria tratar diretamente o problema fiscal, ao invés de tentar resolvê-lo apenas por meio do crescimento.

Federal Reserve: Cautela na Ação Monetária

O CEO da Rockefeller Capital também comentou sobre os desafios que o próximo líder do Federal Reserve (Fed) enfrentará. Quando questionado sobre a possibilidade de o presidente da instituição, Kevin Warsh, reduzir as taxas de juros devido aos ganhos de produtividade gerados pela IA, Fleming previu uma abordagem cautelosa. Ele refletiu que Warsh herdaria um Fed dividido e teria de lidar com pressões de curto prazo relacionadas ao petróleo e à inflação.

Fleming não acredita que haja espaço para um aumento nas taxas, mas também considerou que qualquer corte nas taxas deverá ocorrer de forma gradual. “Acredito que ele será cauteloso no início, dada a situação”, disse.

No médio prazo, Fleming apontou que os ganhos de produtividade oriundos da inteligência artificial podem justificar cortes nas taxas de juros, desde que a situação no Oriente Médio se estabilize e haja, idealmente, um progresso no âmbito fiscal.

“Ele pode encontrar respaldo para isso com os aumentos de produtividade que a IA proporciona”, afirmou.

O executivo destacou que o mercado de títulos já limita parte das opções disponíveis para o Fed, observando que Warsh precisará gerenciar simultaneamente um comitê dividido e uma curva de juros pressionada.

Impacto da IA no Mercado de Trabalho

Fleming abordou ainda o impacto da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho, que se apresenta como uma das grandes questões sociais para os próximos anos. Ele argumentou que a discussão sobre desigualdade, geração de riqueza e a insatisfação com o capitalismo deverá se concentrar cada vez mais na inteligência artificial, especialmente se esta tecnologia acabar eliminando mais empregos do que aqueles que cria.

“Uma das grandes questões atualmente na sociedade é a inteligência artificial e seu impacto sobre os empregos”, ressaltou.

Contudo, o executivo reconheceu que o futuro desse cenário permanece incerto. Ele lembrou que, historicamente, inovações tecnológicas de grande escala têm gerado mais empregos do que destruído. “Sempre que houve uma inovação tecnológica dessa magnitude, ela gerou mais empregos do que eliminou”, concluiu.

Fonte: timesbrasil.com.br

Related posts

Custo da dívida brasileira é similar ao de nações em conflito, afirma economista.

Trump afirma que não instruiu Bessent a atuar no mercado de títulos.

Durigan: Vamos reforçar o arcabouço fiscal para apoiar a política monetária.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais