Resultados Financeiros da Vale no Quarto Trimestre de 2025
Apesar de ter registrado um prejuízo contábil no quarto trimestre de 2025, a Vale (VALE3) apresentou, segundo a análise de especialistas, um conjunto de números operacionais e de geração de caixa que foi considerado positivo. Tal avaliação é especialmente atribuída ao desempenho da divisão de metais básicos e à redução da alavancagem da empresa.
Desempenho do Ebitda e Receita Líquida
O Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, em inglês) ajustado proforma foi de US$ 4,8 bilhões no 4T25, o que representa uma alta de 24% em comparação ao mesmo período do ano anterior e um aumento de 10% em relação ao terceiro trimestre de 2025, superando levemente as expectativas do mercado. Já a receita líquida alcançou US$ 11,1 bilhões, com crescimento de 9% em relação ao ano anterior.
Prejuízo Atribuído aos Acionistas
O prejuízo atribuível aos acionistas totalizou US$ 3,8 bilhões, sendo impactado principalmente por um impairment de níquel no Canadá e pela baixa de ativos fiscais. Apesar disso, a visão majoritária entre as instituições financeiras é que o trimestre reafirma a consistência operacional da mineradora.
Análise da XP Investimentos
De acordo com a XP Investimentos, liderada por Lucas Laghi, os resultados obtidos confirmam um ciclo operacional mais robusto. “Os números do 4T25 reafirmam um momento operacional bastante sólido da Vale. Houve continuidade dos ganhos de eficiência no minério de ferro, custos alinhados com as projeções e uma contribuição muito mais relevante da divisão de metais básicos, com uma melhoria significativa tanto em cobre quanto em níquel”, apontou Laghi.
Desempenho do Minério de Ferro
No setor de minério de ferro, o Ebitda da divisão alcançou US$ 4,0 bilhões, com estabilidade em comparação anual, enquanto os custos C1 foram de US$ 21,3 por tonelada, dentro da faixa projetada para o ano.
Avaliação do BTG Pactual
A equipe do BTG Pactual, sob a liderança de Leonardo Correa, avaliou de forma ainda mais enfática os resultados. Segundo eles, o trimestre foi um dos mais aguardados do período. “Mesmo com expectativas elevadas, a Vale conseguiu oferecer um conjunto sólido de resultados. O Ebitda superou nossas estimativas, principalmente por conta da reprecificação da Vale Base Metals. A companhia reduziu sua alavancagem, gerou um fluxo de caixa robusto e corroborou a narrativa de que o cobre aumenta sua relevância estrutural dentro da história da empresa”, afirma a equipe do banco.
Desempenho do Braço de Metais Básicos
O BTG Pactual destacou o desempenho da divisão de metais básicos, cujo Ebitdaizou atingiu US$ 1,4 bilhão no trimestre, refletindo um avanço significativo em relação ao ano anterior e superando as expectativas da instituição.
Resultados do Cobre e Níquel
Dados Financeiros e Fluxo de Caixa
No que se refere à divisão de cobre, o Ebitda alcançou US$ 1,06 bilhão, com preços realizados 20% maiores na comparação anual. Com relação ao níquel, apesar da redução do preço médio em relação a 2024, observou-se um aumento nos volumes e uma melhora nos custos.
Em termos financeiros, a redução da dívida foi positivamente avaliada. A dívida líquida expandida recuou para US$ 15,6 bilhões, apresentando uma queda de cerca de US$ 1 bilhão em comparação trimestral. O fluxo de caixa livre foi de US$ 1,7 bilhão no trimestre, auxiliado por uma posição de capital de giro mais favorável.
De acordo com o BTG, a combinação da geração de caixa com a diminuição da alavancagem consolida a posição estratégica da companhia.
Perspectivas de Crescimento e Recomendação
“Com alavancagem em torno de 1 vez Ebitda e fluxo de caixa consistente, a Vale está bem posicionada para avançar em sua agenda de crescimento na área de cobre. Mesmo após o aumento expressivo das ações, ainda enxergamos múltiplos atraentes e uma exposição relevante à reprecificação do cobre”, afirmaram os analistas.
Recomendações de Investimento
Em relação às recomendações, o BTG Pactual mantém a recomendação de compra para o ADR da Vale, com preço-alvo de US$ 15. Por sua vez, a XP reafirmou sua recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 71 por ação. Para ambas as instituições, o desempenho operacional justifica o momento positivo; no entanto, o valuation já considera uma parte significativa do cenário mais otimista para minério e metais básicos.
Fonte: www.moneytimes.com.br