Cyrela (CYRE3): Análise da Prévia do 1T26
As ações da construtora Cyrela (CYRE3), que estão incluídas no índice Ibovespa, apresentaram uma reação positiva após a divulgação de sua prévia operacional referente ao primeiro trimestre de 2026, realizada na noite anterior, 14 de outubro. A interpretação dos analistas, no entanto, é mista.
Por volta das 11h30, no horário de Brasília, os papéis estavam em alta de aproximadamente 0,5%, sendo negociados a R$ 28,13. Durante a abertura do pregão, as ações chegaram a avançar cerca de 3%, alcançando R$ 28,55, após terem iniciado o dia cotadas a R$ 27,76.
Desaceleração em Lançamentos
No período de janeiro a março, a Cyrela lançou 12 empreendimentos, totalizando R$ 2,4 bilhões em valor geral de vendas (VGV), dos quais R$ 1,75 bilhão são atribuídos à sua participação (ex-permuta). Este valor representa uma queda de aproximadamente 50% em comparação ao mesmo período de 2025 e uma redução de 46% em relação ao trimestre anterior. Este movimento já era antecipado pela Empiricus Research.
A análise da Empiricus indica que, apesar do volume significativo de projetos lançados, há uma elevada participação da companhia nas faixas 2 e 3 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), representando 40% do VGV lançado. Segundo o analista Caio de Araujo, a redução já era esperada devido à base comparativa mais alta e à situação desafiadora no segmento de média e alta renda. O analista também destacou um alerta para o volume de estoque disponível na cidade de São Paulo. Contudo, foi mencionado que a Cyrela mantém indicadores operacionais saudáveis, caracterizados por vendas resilientes e boa velocidade de absorção no segmento econômico.
As vendas líquidas contratadas pela empresa totalizaram R$ 2,94 bilhões no 1T26, apresentando uma leve diminuição de 3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e uma queda de 12% em comparação ao quarto trimestre de 2025. Considerando apenas a participação da construtora, as vendas líquidas foram de R$ 2,16 bilhões, com um crescimento de 2% em base anual.
A composição das vendas mostra que 54% do total veio de unidades em construção, 37% de lançamentos e 9% de estoque pronto. A velocidade de comercialização, representada pelo índice de Vendas Sobre Ofertas (VSO), ficou em 16% no trimestre, sustentada principalmente por projetos do MCMV. O VSO anualizado foi de 45,8%, inferior aos 52,6% registrados no 1T25, mas quase estável em relação ao 4T25, que foi de 45,2%. O VSO de lançamentos, por outro lado, alcançou 45% no 1T26, mostrando boa absorção dos novos empreendimentos.
A Empiricus destacou que as ações CYRE3 ainda figuram entre suas recomendações, sendo negociadas a aproximadamente uma vez o valor patrimonial (P/B) projetado para 2026.
O que diz o BTG Pactual
Na avaliação do BTG Pactual, os resultados do trimestre foram fracos, com lançamentos e velocidade de vendas abaixo das expectativas. As vendas líquidas de R$ 2,94 bilhões ficaram aproximadamente 8% aquém das estimativas, enquanto o VGV dos lançamentos, avaliado em R$ 2,4 bilhões, ficou 7% abaixo do projetado.
O banco expressou sua opinião de que os resultados operacionais foram fracos, evidenciando uma desaceleração no ritmo de vendas e lançamentos, especialmente no segmento de alta renda. Apesar disso, o BTG ressaltou que houve boa absorção dos produtos. Comenta também que, mesmo em um cenário mais difícil para projetos de rendimento médio e alto, a Cyrela conseguiu um bom desempenho nas vendas, com cerca de 45% das unidades sendo comercializadas ainda no trimestre.
A recomendação do BTG para as ações CYRE3 permanece como compra, destacando a desempenho superior da empresa em comparação aos concorrentes, além do aumento da exposição ao MCMV por meio da marca Vivaz. O valuation é considerado atrativo, com múltiplo de aproximadamente 6 vezes o P/L estimado para 2026. O preço-alvo estabelecido para os papéis é de R$ 40, o que representa um potencial de valorização de cerca de 42% em relação à cotação atual.
O que diz o Itaú BBA
O Itaú BBA também concluiu que os números apresentados pela Cyrela estavam aquém do esperado. As vendas líquidas ficaram 15% abaixo das projeções e os lançamentos apresentaram uma frustração de 34%. Contudo, assim como o BTG, o Itaú BBA destacou que cerca de 45% dos lançamentos foram vendidos no mês, evidenciando o bom desempenho das operações voltadas para a baixa renda através da marca Vivaz.
A instituição ressaltou que a Cyrela conseguiu manter uma velocidade de vendas adequada, de 16%, além de reduzir os estoques totais em 3% em comparação ao trimestre anterior. Por outro lado, o banco ressaltou que o segmento de alta renda continua sendo um ponto de atenção, com a VSO neste nicho em torno de 12%, e estoques elevados, equivalentes a quase 20 meses de vendas.
O Itaú BBA acredita que o mercado de média e alta renda em São Paulo está se tornando mais desafiador, o que pode impactar negativamente as projeções de receita e lucro, conforme escrito em um relatório. Apesar disso, o banco mantém uma postura positiva em relação às ações CYRE3, sustentada pela crescente relevância do setor de baixa renda na preservação do desempenho consolidado da empresa, juntamente com uma avaliação razoável de 1,2 vez o múltiplo P/VP. A recomendação é de outperform (equivalente à compra), com um preço-alvo de R$ 37, o que indica um potencial de valorização de cerca de 31%.
Confira as Recomendações:
| Casa de Análise | Recomendação | Preço-Alvo |
|---|---|---|
| BTG Pactual | Compra | R$ 40 |
| Empiricus Research | Compra | — |
| Itaú BBA | Outperform (equivalente à compra) | R$ 37 |
Fonte: www.moneytimes.com.br

