Propostas de Trump para o Custo da Habitação nos Estados Unidos
Novas Iniciativas
O presidente Donald Trump apresentou, na semana passada, duas novas propostas que visam abordar o custo da habitação nos Estados Unidos. Essa questão se tornou central na desilusão econômica enfrentada pela população americana.
No dia 7 de junho, Trump fez uma declaração em suas redes sociais, anunciando que tomaria medidas para proibir investidores institucionais de adquirirem mais casas unifamiliares. Essa estratégia se assemelha à proposta que já vinha sendo discutida pelos democratas.
Na noite seguinte, Trump divulgou uma afirmação sobre a compra de US$ 200 bilhões em títulos hipotecários pelo governo, com o objetivo de reduzir taxas de juros e pagamentos mensais. Ele afirmou que mais informações sobre essa proposta seriam reveladas ainda neste mês.
Contudo, especialistas alertam que, de acordo com a maioria das análises, as propostas de Trump não enfrentam a raiz do problema que ele tenta resolver: a escassez de habitação. A Goldman Sachs Research aponta que os Estados Unidos necessitam de aproximadamente 4 milhões de casas a mais para tornar os preços da habitação novamente acessíveis.
Proibição de Investimentos Institucionais
“Essa medida não vai mudar a acessibilidade ao mercado imobiliário”, afirmou Jake Krimmel, economista sênior do Realtor.com, referindo-se à proposta de proibição da compra de casas unifamiliares por investidores do setor. Ele acrescentou que, embora os grandes investidores institucionais tenham sido frequentemente apontados como vilões, eles são apenas uma distração em relação à escassez e aos problemas de acessibilidade que têm afetado os EUA por mais de dez anos.
Quando Trump menciona "investidores institucionais", ele alude a empresas de investimento, como aquelas administradas por aliados bilionários, incluindo a Blackstone, que detém um grande número de imóveis nos Estados Unidos. Desde o colapso do mercado habitacional em 2008, o setor financeiro tem investido em bairros atrativos, adquirindo propriedades que ficaram acessíveis e cobrando aluguéis.
Estudos sobre o comportamento desse mercado revelam que, entre 2012 e 2019, cerca de 240 mil casas unifamiliares estavam sob a propriedade de investidores institucionais, conforme uma pesquisa da Brookings Institution. Esse fenômeno tem levado os democratas a criticar frequentemente Wall Street, argumentando que tal prática eleva os preços dos imóveis e dificulta a possibilidade de compra para novos proprietários.
Ainda assim, é importante ressaltar que os grandes investidores ocupam uma fração relativamente pequena do mercado. Dados indicam que as instituições que possuem mais de 1.000 imóveis representaram entre 1% e 3% das casas adquiridas em 2025, segundo Krimmel. Essa parcela, que está diminuindo com o aumento das taxas de juros, contrasta com a realidade da maior parte das compras de imóveis, que é feita por pequenos proprietários com uma ou duas casas adicionais.
Em certos mercados, especialmente nas cidades que compõem o Cinturão do Sol, a presença de investidores institucionais pode ser maior. Um estudo do Escritório de Responsabilidade Governamental (GAO) de 2024 revelou que em Atlanta, 25% dos imóveis para aluguel pertenciam a grandes investidores; em Charlotte, Carolina do Norte, esse número era de 18%, e em Phoenix, 14%.
No entanto, mesmo que fosse possível eliminar totalmente a propriedade institucional, Krimmel enfatiza que essa ação não causaria grandes mudanças, considerando que o estoque de imóveis nessas regiões já está aumentando, o que ajuda a controlar os preços.
Proposta de Financiamento para Habitação
A segunda proposta de Trump para o setor imobiliário adota uma abordagem técnica e financeira. Em uma postagem no Truth Social, na quinta-feira (8), Trump informou que estava orientando seus representantes a adquirir US$ 200 bilhões em títulos hipotecários. A expectativa é de que essa medida resulte na redução das taxas de hipoteca e dos pagamentos mensais, tornando o custo de um imóvel mais acessível.
Esse plano envolveria o governo federal, por meio de entidades como a Fannie Mae e a Freddie Mac, na compra de grandes volumes de títulos lastreados em hipotecas, uma prática que o Federal Reserve costuma adotar em momentos de crise para evitar a alta das taxas de juros. Muitas análises indicam que o aumento das compras de títulos hipotecários pode, de fato, ajudar a reduzir as taxas de juros dos financiamentos imobiliários, proporcionando um certo alívio aos compradores de imóveis. Porém, novamente, essa estratégia não contribui para aumentar a oferta de habitações.
Além disso, essa proposta provavelmente não incentivaria muitos proprietários a vender suas casas atuais em busca de outras, uma situação conhecida como "efeito de aprisionamento".
Daryl Fairweather, economista-chefe da corretora imobiliária Redfin, expressou sua visão sobre o plano, caracterizando-o como uma solução temporária para um problema estrutural mais complexo, que não reduziria as taxas de maneira suficiente para eliminar os efeitos do congelamento das taxas hipotecárias.
Historicamente, taxas de hipoteca em torno de 6% não são incomuns nos EUA, e a contínua escassez de oferta tem elevado o preço médio das casas para cerca de US$ 410.000, refletindo um aumento de quase 30% desde 2020.
Desafios Governamentais
Portanto, surge a questão: seria possível que Trump ou o Congresso realizassem ações eficazes para melhorar a acessibilidade financeira no mercado imobiliário?
Este é um desafio profundamente enraizado. Muitas vezes reconhecido, o problema se torna mais complicado à medida que o tempo passa, e diversas tentativas de resolução já foram realizadas sem sucesso.
Um dos caminhos poderia envolver o governo federal criando incentivos para que os governos estaduais e locais aumentem a oferta de moradias. Nas práticas, isso pode se traduzir em estabelecer padrões e diretrizes que simplifiquem o processo de licenciamento ou em ampliar as capacidades de construção, permitindo que se erga um número maior de residências de alta densidade.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


