Reação da Anfavea à Decisão do Governo sobre Veículos Elétricos
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) emitiu uma resposta à recente decisão do governo brasileiro de restabelecer cotas com alíquota zero para veículos elétricos desmontados e semidesmontados, conhecidos como CKD e SKD. Essa medida é vista como benéfica para a BYD e contraria os interesses da indústria automotiva nacional.
Preocupação com a Decisão do Gecex
Em uma nota divulgada nesta terça-feira, dia 23, a Anfavea expressou seu lamento e preocupação em relação à decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex). A associação observa que o governo novamente está oferecendo incentivos à importação em um momento onde a produção local de veículos eletrificados já está se expandindo.
Alterações nas Alíquotas de Importação
A decisão do Gecex manteve a alíquota de 35% para veículos eletrificados montados e semidesmontados a partir de julho. No entanto, foram criadas cotas adicionais de importação com imposto zero para CKD e SKD, totalizando US$ 463 milhões, por um período de seis meses. Vale ressaltar que os veículos montados não terão direito a cotas.
Pressão da BYD
Segundo informações, essa medida atende parcialmente à pressão exercida pela BYD, que tem pleiteado a retomada dos benefícios de importação e o adiamento da recomposição tarifária. A fabricante chinesa instalou uma fábrica em Camaçari, na Bahia, mas ainda depende da importação de veículos em diferentes níveis de montagem até que consiga nacionalizar sua produção.
Impacto nos Interesses da Indústria Nacional
Para a Anfavea, essa medida contraria os interesses dos trabalhadores, das montadoras nacionais e das empresas brasileiras de autopeças. A posição da entidade foi reafirmada por meio de diversas manifestações públicas que contaram com o apoio de sindicatos, centrais sindicais, federações empresariais e associações da indústria.
Críticas à Falta de Consulta
A Anfavea também criticou a forma como a decisão foi tomada. A associação argumenta que a mudança ocorreu sem consulta prévia ao setor produtivo e modificou uma política que já havia sido definida pelo governo, a qual buscava equilibrar a expansão da eletromobilidade com a atração de investimentos industriais de longo prazo no Brasil. A nota destaca que as cotas para importação de kits de veículos elétricos estavam programadas para terminar em fevereiro de 2026, conforme um acordo anterior com o setor produtivo.
Consequências da Mudança nas Regras
A Anfavea afirma que, ao prolongar benefícios que antes eram considerados temporários, o governo prejudica a confiança das empresas que ajustaram seus planos de investimento baseando-se nas regras previamente acordadas. A entidade salienta que essa mudança afeta negativamente as empresas e trabalhadores localizados em nove estados do Brasil.
Desenvolvimento da Eletromobilidade e Produção Local
Na visão da Anfavea, a discussão não deve ser apenas sobre a aceleração da entrada de veículos eletrificados no mercado brasileiro. A associação enfatiza que a transição para a eletrificação já está em curso e que o foco atual deve ser a definição se essa expansão será acompanhada por produção local, desenvolvimento tecnológico, fornecedores, engenharia e adição de valor no país. A Anfavea comunica que a eletrificação avançou rapidamente nos últimos anos, com um crescimento de 214% nos emplacamentos de veículos eletrificados importados entre 2023 e 2025, e que foram anunciados R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033 para novas formas de propulsão, eletrificação e inovação industrial.
Crescimento da Produção Nacional
A Anfavea informa que a produção nacional também avançou. Em 2025, os veículos eletrificados fabricados no Brasil corresponderam a 25,9% das vendas no segmento. No acumulado até maio de 2026, o mercado atendido por veículos produzidos localmente cresceu 57% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Críticas aos Benefícios de Importação
A Anfavea argumenta que os benefícios à importação podem ser benéficos nas fases iniciais da implementação industrial. Contudo, a ampliação desses incentivos em um contexto onde investimentos já foram anunciados e a produção local está crescendo reduz os estímulos que seriam necessários para a evolução produtiva da nova fase da indústria automotiva.
Confiança e Segurança para o Setor
A Anfavea destaca que a decisão do governo contraria as diretrizes que já orientaram os investimentos anunciados e gera insegurança entre as empresas que estruturaram seus projetos considerando um cronograma previamente estabelecido. A associação assegura que irá continuar a defender a descarbonização, a eletrificação da frota, a concorrência e a ampliação da oferta de veículos para o consumidor brasileiro.
Modelo de Desenvolvimento para a Nova Mobilidade
A entidade conclui, afirmando que o debate gerado pela decisão do Gecex não se limita à transição energética, mas, sim, sobre qual modelo de desenvolvimento o país pretende incentivar para a nova mobilidade. A questão central é qual espaço será reservado à produção nacional nesse novo cenário.
Fonte: timesbrasil.com.br


