Ano da saída da B3? Descubra quais empresas se despediram da bolsa brasileira em 2025.

O fechamento de capital na B3 em 2025

O ano de 2025 foi marcado por uma das mais significativas ondas de fechamento de capital na história recente do mercado brasileiro. Isso se manifestou por meio de ofertas públicas de aquisição (OPAs) que envolveram valores bilionários, além de reorganizações societárias e aquisições por grupos estrangeiros.

O impacto das deslistagens

Pelo menos dez companhias deixaram a B3 ao longo do ano. Esse movimento gerou um alerta sobre a diminuição do número de empresas listadas e o impacto que isso pode ter na liquidez da bolsa.

A combinação de juros elevados, múltiplos deprimidos e o custo de manter uma empresa aberta foram fatores que facilitaram a decisão de controladores em retomar suas participações e remover suas subsidiárias do pregão. Em vários casos, o baixo valor de mercado das empresas permitiu a entrada de grupos estrangeiros em busca de ativos estratégicos no Brasil.

Entre as empresas envolvendo essa dinâmica, destacam-se a Santos Brasil, ClearSale, Serena Energia e Wilson Sons. A última a anunciar sua saída foi a Neoenergia. No final de novembro, a espanhola Iberdrola informou que apresentou uma OPA com a proposta de adquirir a totalidade da companhia brasileira, oferecendo R$ 32,50 por ação.

Outras aquisições e deslistagens

Além da Neoenergia, a divisão brasileira do Carrefour foi alvo de OPA da sede francesa, que decidiu retirar a subsidiária do mercado. A empresa Eletromídia também deixou a B3 após ser adquirida pela Globo.

Por outro lado, ações significativas do agronegócio, como JBS e BRF, deixaram a bolsa devido a motivos relacionados a movimentos societários e reorganizações.

Empresas que saíram da B3 em 2025

Santos Brasil (STBP3)

A saída da Santos Brasil se destacou como uma das mais significativas do ano. A operadora de terminais portuários foi retirada da bolsa após sua controladora, a CMA CGM, concluir uma OPA, aumentando sua participação para mais de 93% do capital. O pedido de cancelamento de registro foi protocolado em setembro e, em 3 de outubro, as ações STBP3 deixaram de ser negociadas oficialmente na B3, encerrando assim quase duas décadas como companhia aberta.

Para a controladora, o fechamento de capital simplifica a estrutura societária e reduz custos. Para os acionistas minoritários, restou a alternativa de aceitar a oferta ou aguardar o resgate compulsório, outro exemplo de como a baixa liquidez e múltiplos deprimidos facilitaram a saída.

Wilson Sons (PORT3)

Com 187 anos de história, a Wilson Sons também se despediu da B3, após a MSC Mediterranean Shipping Company realizar uma OPA, que elevou sua participação para 97,65%. O leilão ocorreu em 23 de outubro e resultou na compra de 130,9 milhões de ações a R$ 18,53 cada. A empresa havia aberto capital em 2007 com planos de expansão portuária, mas a forte concentração do controle e os altos custos para manter a presença na bolsa levaram ao fechamento.

ClearSale (CLSA3)

A ClearSale, empresa especializada em antifraude digital, deixou a bolsa em abril após ser incorporada pela Serasa Experian. Todas as ações foram adquiridas pela controladora, resultando no cancelamento do registro na CVM e na saída da B3. A avaliação de cada ação foi definida em R$ 10,56, com possibilidade de recebimento em dinheiro ou conversão em BDRs da Serasa. Este cenário evidencia as dificuldades que empresas de tecnologia com baixa liquidez enfrentam para permanecer na bolsa brasileira, mesmo em um momento de crescimento consistente.

Eletromídia (ELMD3)

A Eletromídia saiu da B3 após ser adquirida pela Globo, que decidiu integrar os ativos de mídia exterior da empresa em sua estrutura. O cancelamento de registro foi um desfecho de uma trajetória que começou em 2021, quando a empresa abriu capital no auge do mercado de IPOs. Diante da liquidez limitada e das dificuldades em justificar custos regulatórios, a companhia se tornou mais interessante dentro de um grupo de mídia com atuação nacional.

BRF (BRFS3)

A BRF deixou o pregão como parte de sua integração com a Marfrig, que já controlava a companhia. A operação incluiu reorganizações societárias e a unificação das operações do grupo, eliminando a necessidade de manter a BRF como uma companhia de capital aberto. Essa mudança não apenas reduziu custos, mas também simplificou os processos internos, permitindo ao conglomerado maior flexibilidade estratégica. Para os investidores, a saída representou o fim da trajetória de uma das maiores empresas alimentícias listadas no país.

JBS (JBSS3)

A JBS retirou suas ações da B3 após consolidar sua migração para o mercado dos Estados Unidos, onde busca avaliações mais elevadas e um mercado de capitais mais robusto. A decisão, que foi gradualmente sendo planejada por anos, foi completada em 2025, resultando em uma redução ainda maior da representação do setor de proteína animal na bolsa brasileira. Atualmente, a empresa negocia seus papéis em Nova York e seus BDRs no Brasil sob o ticker JBSS32, que representa um desafio adicional para o mercado brasileiro em reter grandes corporações.

Carrefour Brasil (CRFB3)

O Carrefour Brasil foi alvo de OPA promovida por sua controladora francesa, que optou por unificar a governança e retirar a subsidiária do mercado brasileiro. Essa decisão foi tomada em meio a uma reestruturação global do grupo e levou ao cancelamento do registro da companhia na CVM. Com isso, encerra-se a trajetória de uma das maiores redes varejistas do país na bolsa, em um momento marcado por forte concorrência e pressões de margens.

Serena Energia (SRNA3)

A Serena Energia também deixou a B3 após ser adquirida por um grupo internacional de infraestrutura, que identificou uma oportunidade de aumentar sua participação no setor de geração e transmissão de energia no Brasil. A OPA resultou no cancelamento de registro e na saída dos papéis do pregão, destacando a crescente inclinação de investidores estrangeiros por ativos do setor energético, atraídos por avaliações favoráveis e pelo potencial de longo prazo.

Neoenergia (NEOE3)

A Neoenergia foi a última companhia a anunciar sua saída da bolsa neste ano. No final de novembro, a Iberdrola, que já controlava a empresa, apresentou uma OPA com a oferta de R$ 32,50 por ação, visando adquirir 100% dos papéis em circulação. O processo ainda está em andamento, sendo sua deslistagem considerada praticamente certa. Este movimento reflete a pressão enfrentada por empresas de infraestrutura, cujos baixos valuations e a necessidade de investimentos contínuos tornam a permanência na bolsa uma estratégia menos atrativa.

Possíveis novas saídas da B3

Além das saídas já confirmadas, o mercado especula sobre a possibilidade de que outras ações deixem a B3 em breve. Em outubro, o BTG Pactual anunciou planos de incorporar integralmente o Banco Pan, que atualmente se especializa em crédito de veículos e consignado. A proposta visa transformar o Banco Pan em uma subsidiária indireta do grupo, uma vez que o BTG já possui cerca de 77% do controle da instituição.

Outra companhia que está em foco é a Gol. A holding que controla a empresa aérea, chamada Abra, anunciou em outubro que pretende realizar uma oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos e retirar a Gol da B3. A decisão está condicionada a cenários favoráveis durante um processo de reestruturação pós-Chapter 11 e inclui planos de reorganização societária a serem apresentados aos acionistas.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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