Anúncio da Anthropic sobre IPO
A Anthropic, uma empresa de inteligência artificial que desenvolve o chatbot amplamente utilizado denominado Claude, anunciou nesta segunda-feira que enviou, de maneira confidencial, a documentação necessária à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) com o objetivo de preparar uma possível oferta pública inicial (IPO) programada ainda para este ano.
Oportunidade de investimento
A abertura do capital possibilitará que investidores adquiram e negociem ações da empresa em bolsas de valores. A Anthropic destacou que informações como o preço da oferta e a quantidade de ações a serem disponibilizadas ainda não foram definidas.
Momento estratégico para o IPO
O IPO planejado ocorre em um contexto em que o interesse dos investidores por empresas de inteligência artificial está sendo avaliado, especialmente devido às altas avaliações já alcançadas por diversas empresas do setor. A estreia esperada da Anthropic no mercado, juntamente com a aguardada listagem da SpaceX, provavelmente fornecerá insights sobre como os investidores públicos avaliam as principais empresas de IA.
Aumento rápido da valorização
Fundada há cinco anos pelo CEO Dario Amodei, juntamente com vários ex-colegas, a Anthropic rapidamente alcançou o status de uma das empresas privadas de tecnologia mais valiosas do planeta.
Recentemente, a empresa assegurou financiamento de investidores privados, atingindo uma avaliação superior a US$ 965 bilhões (£ 717 bilhões), superando a avaliação anterior da OpenAI, que era de US$ 852 bilhões.
Amodei criou a Anthropic após sua saída da OpenAI, onde esteve por vários anos. Sua saída foi marcada por desavenças com o CEO da OpenAI, Sam Altman.
Desde então, as duas empresas se tornaram concorrentes significativas, desenvolvendo tecnologias de IA semelhantes e competindo por usuários, clientes corporativos e participação no mercado.
OpenAI também avalia IPO
Informações indicam que a OpenAI está considerando a possibilidade de realizar um IPO ainda este ano. Em entrevista à CNBC na segunda-feira, o CEO Sam Altman mencionou que, apesar de uma oferta pública inicial fazer parte da estratégia de longo prazo da empresa, não há pressa para sua execução.
“Faremos isso quando fizer sentido”, afirmou Altman.
Se tanto a Anthropic quanto a OpenAI prosseguirem com seus IPOs, os mercados de capitais dos Estados Unidos poderão observar uma das maiores concentrações de investimento voltadas para um reduzido grupo de empresas de tecnologia.
Espera-se que a SpaceX estabeleça novos recordes com sua avaliação projetada, enquanto a Anthropic e a OpenAI devem alcançar capitalizações de mercado igualmente substanciais.
Os mercados públicos definirão o padrão
Troy Hooper, que lidera o mercado de capitais de ações na Mergermarket, afirmou que a corrida para abrir o capital é de importância estratégica tanto para a Anthropic quanto para a OpenAI.
“Nem a Anthropic nem a OpenAI querem ser as últimas grandes empresas de IA a fazer sua estreia na bolsa”, comentou Hooper.
“Aquele que tomar a dianteira terá a oportunidade de estabelecer como os mercados públicos valorizam a IA generativa, definindo o parâmetro que os investidores empregarão para avaliar todas as outras.”
O analista de pesquisa da Pitchbook, Harrison Rolfes, sugeriu que a oferta da Anthropic tem grande potencial para se tornar um dos IPOs de tecnologia mais observados da história, à medida que os investidores examinam criteriosamente o crescimento da receita, a lucratividade, as margens operacionais e a saúde geral do mercado de inteligência artificial.
Rolfes também destacou a importância de uma possível abertura de capital da Anthropic quase simultânea à da SpaceX.
“O ano de 2026 poderá se revelar o ciclo de IPOs mais significativo desde a era da bolha da internet ou a mais cara lição sobre a discrepância entre narrativa e fundamentos que os mercados públicos já ensinaram”, enfatizou Rolfes.
Disputa com o Departamento de Defesa dos EUA
A Anthropic também esteve envolvida em um conflito com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) ao longo de grande parte do ano.
O desentendimento começou após o Departamento de Defesa tentar incluir em um contrato de US$ 200 milhões cláusulas que permitiriam às agências governamentais usar sistemas de IA, como o Claude, para “qualquer uso lícito”. O CEO Dario Amodei expressou publicamente suas preocupações em relação às implicações destes termos.
Embora Claude tenha se tornado o primeiro chatbot de IA moderno implantado em redes governamentais classificadas dos EUA, a Anthropic receou que a redação do contrato pudesse abrir espaço para o uso em vigilância doméstica em larga escala ou em armas militares totalmente autônomas.
A controvérsia se intensificou após o presidente Donald Trump criticar a empresa e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, proibir o uso do Claude pelas agências federais. A Anthropic então decidiu entrar com uma ação judicial contra o governo e, embora as relações com a Casa Branca tenham mostrado sinais de melhora recentemente, o processo permanece em andamento.
Perspectivas de rentabilidade
Apesar dos conflitos com o governo federal, a Anthropic continuou a conquistar clientes e a manter a confiança dos investidores.
A empresa informou aos seus investidores que espera alcançar a lucratividade durante o primeiro semestre deste ano, apoiada pelo crescimento robusto nas vendas do Claude e de serviços de IA correlatos.
Em contrapartida, nem a SpaceX nem a OpenAI estão gerando lucros neste momento.
Fonte: br.-.com