Conversa entre líderes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, realizaram uma conversa telefônica na manhã desta sexta-feira (19) para discutir a finalização de um acordo que visa a venda da maior parte dos ativos do TikTok nos Estados Unidos para investidores americanos.
Contexto do Acordo
Esse acordo, caso seja fechado, representará o desfecho de um esforço que se estende por anos, iniciado durante o primeiro mandato de Trump. Este tema se tornou um fator importante nas negociações que ocorrem entre os Estados Unidos e a China nos últimos meses.
Na segunda-feira (15), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e Li Chenggang, vice-ministro do Comércio da China, confirmaram a realização de um acordo preliminar para a venda do TikTok, alcançado durante negociações que ocorreram em Madri entre diplomatas dos dois países. A proposta permitirá que o TikTok continue suas operações dentro do território americano.
Legislação e Proibições
O ex-presidente Joe Biden havia assinado um projeto de lei bipartidário, aprovado pelo Congresso e em vigor desde 19 de janeiro, que proíbe o TikTok de operar nos Estados Unidos, a menos que a empresa cedesse o controle de pelo menos 80% de seus ativos a operadores americanos. Durante sua gestão, Trump suspendeu essa proibição em várias ocasiões enquanto buscava concretizar uma venda do aplicativo por meio de um acordo com a China.
Embora os termos do acordo não tenham sido divulgados, fontes próximas à negociação afirmam que a proposta contemplaria investimentos de várias empresas de capital de risco, fundos de private equity e empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Entre os investidores que teriam a participação majoritária na empresa estão nomes como Oracle, Andreessen Horowitz e Silver Lake, com investidores chineses retendo os 20% restantes.
Estrutura do Acordo
A operação do novo consórcio estaria sob a supervisão de um conselho com maioria americana, que incluiria um membro indicado pela administração Trump. O Wall Street Journal foi o primeiro veículo a relatar detalhes sobre a estrutura do acordo.
Um alto funcionário da Casa Branca declarou à CNN que "quaisquer detalhes sobre a estrutura do acordo do TikTok são pura especulação, a menos que sejam anunciados oficialmente por esta administração". Tanto o TikTok quanto sua empresa controladora, a ByteDance, não comentaram sobre a situação do acordo.
Impacto das Negociações
Essas conversações estão sendo vistas como precursoras de uma reunião entre Trump e Xi, que ambos os lados têm buscado há meses, conforme afirmaram autoridades americanas na segunda-feira, logo após o anúncio do plano preliminar. Sem o estabelecimento de um acordo em relação ao TikTok, um encontro entre os dois líderes não seria viável, segundo as mesmas fontes.
A possibilidade de um acordo aumenta as chances de um encontro entre Trump e Xi durante a visita de Trump à Ásia no final de outubro. Até o momento, a China tem mostrado relutância em permitir que a ByteDance se desfaça de sua participação no mercado americano. No entanto, com o aumento das tensões comerciais entre as duas nações, evidenciado pelo anúncio, na última segunda-feira, de que a Nvidia violou as leis antitruste em vigor na China, as autoridades do país parecem mais inclinadas a colaborar.
Conclusão das Negociações
A maior parte do acordo, que envolve a organização de um grupo de investidores liderado por americanos para a compra dos ativos do TikTok nos Estados Unidos, já tinha sido concluída em abril, conforme afirmou Bessent na segunda-feira. Contudo, após a implementação das elevadas tarifas associadas ao chamado "Dia da Libertação" de Trump, as negociações ficaram estagnadas.
Com a redução das tarifas e a retomada do diálogo entre os EUA e a China, Bessent declarou que tanto Trump quanto Xi demonstraram interesse em reiniciar as discussões sobre o TikTok. Entretanto, questões cruciais ainda precisam ser abordadas, incluindo preocupações relativas à segurança nacional dos Estados Unidos e a disposição da China em aprovar o acordo.
O TikTok foi temporariamente retirado do ar nos Estados Unidos em 18 de janeiro, um dia antes da entrada em vigor da Lei de Aplicativos Controlados por Adversários Estrangeiros. No dia 19 de janeiro, um dia antes de Trump assumir seu segundo mandato, ele anunciou que assinaria uma ação executiva que garantiria que empresas americanas não enfrentariam penalidades por hospedarem o TikTok em suas lojas de aplicativos ou servidores.
Aplicação da Nova Lei
Com a nova lei, o presidente tem ampla discricionariedade sobre como aplicar a proibição, e Trump já adiou a data de aplicação por quatro vezes, sendo a mais recente prorrogada para meados de dezembro. Críticos afirmam que essas extensões da proibição vão de encontro à vontade do Congresso.
Durante seu último mandato, Trump defendeu a proibição do TikTok, uma política que nunca foi ratificada, mas que Biden acabou apoiando, transformando-a em lei. No entanto, a posição de Trump mudou ao perceber que o aplicativo de mídia social poderia ser um aliado importante em sua campanha para as eleições de 2024.
Atualmente, o TikTok conta com aproximadamente 170 milhões de usuários nos Estados Unidos, com uma base demográfica predominantemente jovem. Esse segmento de usuários representa um apoio significativo ao candidato republicano, mais do que o apoio que esse grupo demonstrou ao longo dos últimos anos.
Trump tem reiterado que um acordo está próximo, mas foi somente nesta segunda-feira que surgiram desenvolvimentos substanciais nas negociações.
Alayna Treene e Kevin Liptak, da CNN, contribuíram para esta reportagem.