Arábia Saudita desiste de megacidade Neom? Projeto futurista passará por cortes.

Arábia Saudita desiste de megacidade Neom? Projeto futurista passará por cortes.

by Ricardo Almeida
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Aspectos do Projeto Neom na Arábia Saudita

Embora o passado permaneça imutável, o futuro ainda aguarda sua definição, sendo influenciado diretamente pelas condições atuais. No contexto da Arábia Saudita, a situação atual se mostra longe do ideal. O preço do petróleo Brent tem permanecido abaixo de US$ 70 por quase um ano, o que resultou em uma diminuição dos planos para a construção da megacidade futurista conhecida como Neom.

Revisão do Projeto

Conforme informações publicadas pelo Financial Times, o projeto Neom deverá passar por um redesenho significativo, além de ser consideravelmente reduzido. Essa decisão é fruto de uma revisão interna que durou aproximadamente um ano e que está prestes a ser finalizada. Esse ajuste se dá em razão da insatisfação do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que lidera a iniciativa, em decorrência de atrasos, custos muito superiores aos previstos e falhas na execução do planejamento original.

Contexto do Projeto

O projeto foi anunciado em 2017 e faz parte das ambições da monarquia saudita de diversificar a economia do país, que atualmente depende em grande medida do petróleo. A proposta visava atrair investimentos estrangeiros, fomentar o turismo e trazer talentos de diversas partes do mundo, alinhando-se ao plano “Visão 2030” do país, com o intuito de demonstrar a capacidade da Arábia Saudita de liderar inovações urbanas e tecnológicas, além de competir com centros como Dubai.

Orçamento e Custos

A estimativa de custo inicial para o projeto era de US$ 500 bilhões, no entanto, esse valor foi substancialmente aumentado, alcançando estimativas que podem girar em torno de US$ 1,5 trilhão durante o desenvolvimento do empreendimento.

A Megacidade Menos Ambiciosa

Segundo a matéria, o projeto, que inicialmente estava planejado para ter uma extensão similar à da Bélgica, poderá ser reformulado para uma versão mais modesta, aproveitando parte da infraestrutura que já foi construída. O jornal não especifica quais serão as novas dimensões do projeto.

Fontes consultadas pela publicação britânica indicam que o Neom poderá se tornar um polo de centros de dados, uma direção que os sauditas já estavam sinalizando desde o ‘boom’ da Deepseek no ano anterior. Essa redireção possibilita que o país se posicione como um centro de inteligência artificial, considerando que o processamento de dados é uma das mais relevantes demandas do setor.

Data Center em Oxagon

No ano passado, foi revelado um novo data center em Oxagon, que é um polo industrial localizado dentro do Neom, com uma infraestrutura inicial de 1,5 gigawatts, sendo essa primeira fase prevista para iniciar operações até o ano de 2028. Mesmo com as modificações, conforme relatado pelo Financial Times, a Neom continua operando em um tempo limitado para estar pronta a tempo de receber eventos significativos como a Expo 2030 e a Copa do Mundo de 2034.

O Déficit da Arábia Saudita

O reposicionamento do Neom ocorre em meio à estagnação do preço do barril do petróleo Brent, que é a referência internacional para negociação. Há mais de um ano, o valor da commodity não ultrapassa a marca de US$ 70, o que tem impactado negativamente a capacidade de investimento da Arábia Saudita.

Esse cenário ilustra o dilema que Riad enfrenta: a necessidade de reduzir a dependência do petróleo envolve investimentos substanciais, no entanto, é exatamente essa commodity que garante os recursos necessários para realizar tal transição.

Projeções Financeiras

Para o ano de 2026, a Arábia Saudita prevê um déficit de 165 bilhões de riais, que equivale a aproximadamente US$ 44 bilhões ou cerca de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Esse valor representa uma diminuição em comparação com os 245 bilhões de riais, que correspondem a cerca de US$ 65 bilhões, estimados para 2025. Essa redução é atribuída à queda nos preços e na produção de petróleo, que pressionou a arrecadação, enquanto as despesas superaram o orçamento em cerca de 4%.

A expectativa de um déficit menor está relacionada a uma alteração nos gastos públicos, que agora priorizam setores considerados essenciais, como indústria e logística, como parte de uma estratégia para aumentar a arrecadação fora do setor petrolífero. Nesse contexto, o governo também tem reorientado o fundo soberano, que conta com US$ 925 bilhões, desviando recursos de grandes projetos imobiliários que estão em atraso e direcionando-os para áreas estratégicas como logística, mineração, inteligência artificial e turismo religioso.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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