Análise das Ações do Agronegócio em 2025
Se o ano de 2025 foi considerado desafiador para o setor do agronegócio, a mesma avaliação pode ser aplicada a diversas ações desse segmento. Apenas três das doze ações analisadas pelo portal Money Times apresentaram variação positiva na Bolsa.
Desempenho das Ações
A tabela a seguir sintetiza o desempenho das ações analisadas para o ano de 2025, com suas respectivas variações:
| Empresa | Ticker | Variação em 2025 (02/01/25 – 30/12/2025) |
|---|---|---|
| Raízen | RAIZ4 | queda de 61,97% |
| Jalles | JALL3 | queda de 39,25% |
| São Martinho | SMTO3 | queda de 61,87% |
| Cosan | CSAN3 | queda de 33,67% |
| Minerva | BEEF3 | alta de 39,47% |
| 3tentos | TTEN3 | alta de 25,93% |
| SLC Agrícola | SLCE3 | alta de 0,49% |
| Boa Safra | SOJA3 | queda de 3,42% |
| BrasilAgro | AGRO3 | queda de 6,91% |
| Suzano | SUZB3 | queda de 15,77% |
| Klabin | KLBN11 | queda de 9,94% |
| Irani | RANI3 | alta de 43,23% |
Observação: Não foram incluídas as variações das ações da JBS (JBSS32), devido à listagem das ações nos Estados Unidos, assim como as da MBRF (MBRF3), em razão da fusão entre Marfrig (MRFG3) e BRF (BRFS3).
Situação do Banco do Brasil e Outras Instituições Financeiras
Para o Banco do Brasil (BBAS3), o ano de 2025 foi caracterizado como um período de ajuste. O Santander (SANB11) observou uma crise que é considerada "diferente de todas as outras". O Itaú BBA projetou um cenário de menores margens, enquanto o BTG Pactual destacou as oportunidades "da porteira para fora".
Expectativas para 2026
Perspectivas do Agronegócio
De acordo com o professor Marcos Jank, do Insper, o ano de 2026 no setor do agronegócio será marcado pelo "rescaldo" do período que compreende os anos de 2021 a 2023.
“Desde 2024, temos enfrentado um cenário mais complicado, caracterizado pela queda nos preços das commodities e uma valorização do dólar que não é significativa. Os custos se mantêm elevados, as margens estão apertadas, e há um número elevado de recuperações judiciais (RJs), além da taxa de juros que se encontra em um patamar alarmante”, comentou o professor.
É importante notar que o cenário varia significativamente entre as diferentes commodities. Apesar da redução nos preços dos grãos, especialmente para soja e milho, essa situação é mais favorável para produtores de carnes, como aves e suínos.
“O café está apresentando um desempenho positivo, enquanto o açúcar enfrenta dificuldades. As carnes de pequenos animais estão em uma situação mais favorável. O mercado de soja e milho, no entanto, está atravessando um período difícil. A realidade é que sempre existem ganhadores e perdedores nesse setor; portanto, não podemos generalizar”, acrescentou Jank.
Análise do Bank of America
Na visão dos analistas do Bank of America (BofA), o ciclo de queda das taxas de juros, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, pode funcionar como um catalisador para a recuperação das ações do agronegócio.
“O setor de bens de consumo essenciais geralmente apresenta um desempenho superior em ciclos de flexibilização monetária. A redução das taxas favorece empresas com maior alavancagem, como Cosan (CSAN3), Raízen (RAIZ4) e MBRF (MBRF3)”, afirmaram os analistas do BofA.
Considerações sobre o Período Eleitoral
No Brasil, o principal foco de atenção diz respeito às eleições presidenciais de 2026. O banco destacou que o período eleitoral tende a elevar a volatilidade do mercado e a desestimular investidores, resultando em um desempenho misto das ações do setor em eleições anteriores.
Nesse contexto, o BofA considera a JBS (JBSS32) como uma estratégia defensiva dentro do agronegócio. Contudo, os analistas notam que existem poucos catalisadores de curto prazo para o setor, especialmente em função da pressão sobre os preços das commodities. A exceção é a empresa 3tentos (TTEN3), que deve apresentar um crescimento robusto com o início das operações de sua usina de etanol de milho.
Cenário das Proteínas
No universo das proteínas, a JBS permanece sendo a única recomendação de compra formulada pelo BTG Pactual. No quarto trimestre de 2025, os volumes de exportação de carnes foram destacados, alcançando níveis históricos tanto para carne bovina quanto para aves, além de se registrar o terceiro maior volume histórico para suínos em um único ano.
Fonte: www.moneytimes.com.br