Federal Reserve Manifesta Preocupações com a Inflação
A ata da reunião de janeiro do Federal Reserve, divulgada na quarta-feira (18), indicou que a inflação permanece como uma das principais preocupações da autoridade monetária. Durante a reunião, a decisão foi manter a taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75%.
Inflação e Expectativas do Comitê
Conforme mencionado no documento, “a inflação permanece um tanto elevada”, mesmo que tenha havido uma desaceleração em relação aos picos registrados em 2022. Os dirigentes alertaram para o “risco de a inflação se manter persistentemente acima do objetivo do Comitê”, o que sugere cautela antes de qualquer nova redução nas taxas de juros.
Os dados apresentados na ata indicam que o índice de preços de gastos com consumo (PCE), que é a medida inflacionária preferida do Fed, apresentava um aumento de 2,8% em decorrência do acumulado nos 12 meses até novembro. Esse número é equivalente ao núcleo da inflação. No que se refere ao Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de dezembro, observou-se uma alta de 2,7%, sendo que o núcleo ficou em 2,6%. Embora esses números mostrem uma melhoria em comparação ao ano anterior, o Fed reconhece que continuam acima da meta de 2%.
A análise interna do comitê sugere que parte da pressão inflacionária recente tenha sido provocada por preços de bens, influenciados por tarifas. Por outro lado, os serviços, especialmente o setor de habitação, vêm apresentando uma desaceleração. Mesmo com essas observações, a maioria dos membros do comitê avalia que o processo de desinflação pode ser “mais lento e irregular do que o esperado”.
Decisão sobre Juros e Votações Divergentes
Frente a esse panorama, quase todos os membros do comitê decidiram por manter os juros inalterados. No entanto, essa decisão não foi unânime. Os dirigentes Stephen Miran e Christopher Waller votaram contra a manutenção e propuseram um corte de 0,25 ponto percentual na mesma reunião, como evidenciado no comunicado oficial da decisão.
Possibilidade de Novas Altas nos Juros
De acordo com a maioria dos integrantes do Comitê, a estratégia atual é aguardar por evidências mais concretas de que a inflação está em um processo de convergência consistente em direção à meta. A ata reforça que a política monetária “não está em um curso pré-determinado”, e que as decisões futuras dependem de dados, do cenário econômico e do balanço de riscos envolvidos.
O Federal Reserve não descartou completamente a possibilidade de novas elevações nas taxas de juros. O documento afirma que alguns dirigentes sugeriram uma comunicação “de duas vias” para as decisões que estão por vir, indicando que “ajustes para cima na faixa-alvo podem ser apropriados se a inflação continuar acima da meta”. Essa sinalização enfatiza que, embora o cenário atual não preveja um novo aperto das taxas, o Fed quer manter à disposição a opção de aumentar os juros caso o processo de desinflação enfrente desafios.
Expectativas do Mercado e Projeções Futuras
Conforme indicado pela ferramenta CME Group FedWatch, o mercado está majoritariamente apostando na manutenção dos juros na atual faixa de 3,50% a 3,75%. As probabilidades revelam uma chance de 94,1% para a manutenção neste momento, um percentual que subiu de 92,6% em um dia e de 93,6% uma semana atrás. A probabilidade de um corte para a faixa de 3,25% a 3,50% surge com 5,9% agora.
Um mês atrás, o cenário era mais equitativo, com a probabilidade de manutenção em 78,9% e de corte em 20,3%, evidenciando que, nas últimas semanas, o mercado reduziu as expectativas de alterações imediatas na política monetária.
Fonte: www.moneytimes.com.br