Recomendação do Banco Safra para Aura Minerals (AUGO)
O Banco Safra atualizou sua orientação sobre as ações da Aura Minerals (AUGO), passando de uma classificação neutra para uma recomendação de compra. Contudo, o banco reduziu o preço-alvo para as ações, que foi ajustado de US$ 110 para US$ 105. Esse novo valor ainda indica um potencial de valorização de 74% em comparação ao último fechamento das ações.
Novo Cenário de Precificação
De acordo com o Safra, essa nova precificação reflete os resultados do primeiro trimestre de 2026 da companhia, além de um novo cenário para os preços das commodities. É importante notar que, desde que a recomendação de rebaixamento foi emitida pelo Safra no final de abril, as ações da AUGO apresentaram uma queda significativa de cerca de 38%.
O banco destacou que, apesar da deterioração do momento em todo o setor de ouro, a AUGO teve um desempenho inferior em comparação à maioria das empresas do mesmo segmento. Esse cenário pode ser interpretado como um reflexo de sua valorização robusta durante a alta do mercado e um impulso de resultados relativamente mais fraco após a divulgação dos números do primeiro trimestre.
Comparação com Outras Commodities
Além disso, o Banco Safra mencionou que outras commodities, como cobre, alumínio e aço, podem parecer mais atraentes nas condições atuais do macroeconomia, que é influenciada por uma demanda impulsionada pela inteligência artificial e pela busca por segurança no fornecimento de metais industriais.
Embora esse seja o caso, o banco avalia que a relação risco-retorno das mineradoras de ouro — e, em especial, da Aura Minerals —, considerando um preço previsto do ouro de US$ 3.400 por onça-troy, se apresenta como “atraente demais para ser ignorada”. Este pode ser um bom ponto de entrada para os investidores interessados nas ações da empresa.
Histórico de Preços do Ouro
O Safra acrescentou que, nos últimos 25 anos, os preços do ouro tipicamente atingiram seu ponto mais baixo no início de julho e avançaram de maneira consistente a partir desse período. Essa dinâmica é favorecida pelos níveis atuais de avaliação que estão descontados. O banco também acredita que a possível inclusão da empresa em índices como o Russell e o GDX no terceiro trimestre de 2026 poderia atuar como um catalisador positivo para os preços das ações.
Por volta do meio-dia de Brasília, as ações da Aura Minerals, na Nasdaq, estavam apresentando uma queda de 3,30%, cotadas a US$ 58,41.
Market Outlook e Desafios
Em relação às tensões geopolíticas, o Banco Safra apontou que a elevação da aversão ao risco e o aumento dos juros reais em nível global levaram a uma perda de força nos preços do ouro. Vários países têm vendido suas reservas para dar suporte às suas moedas locais, enquanto setores ligados à inteligência artificial, como semicondutores, memória e computação quântica, têm concentrado os fluxos de investimento.
Após uma correção de cerca de 20% em relação aos níveis máximos, e com a normalização da volatilidade implícita (com o índice GVZ retornando à faixa de 20 pontos, depois de ter atingido um pico próximo de 48), a menor concentração de posições compradas na commodity levou o Safra a considerar que o nível atual, em torno de US$ 4.340 por onça, representa um adequado ponto de entrada para os investidores.
Além do mais, o banco ajustou a projeção de preço para o ouro a longo prazo para US$ 4.640 por onça-troy, o que representa uma redução frente ao anterior valor, que era de US$ 4.830.
Perspectivas de Crescimento e Valuation
Do ponto de vista operacional, o Safra afirma que a Aura Minerals continua a se destacar, prevendo um crescimento anual composto (CAGR) da produção de 19% entre 2026 e 2028. Esse crescimento é significativamente superior ao projetado para empresas juniors, que é de 10%, e para as intermediárias, que fica em 3%. O CAGR do EBITDA da Aura é estimado em 27%, novamente superando os 10% das juniors e o crescimento praticamente nulo das intermediárias.
Entretanto, o banco também indicou que o rendimento médio do fluxo de caixa livre entre 2026 e 2028 deve ser de 12%, o que é inferior aos 14% projetados para as juniors e aos 13% das intermediárias.
Apesar disso, as ações da AUGO se mostrem atraentes em uma análise relativa, combinando crescimento acelerado com múltiplos que se encontram em níveis descontados.
Ajuste nas Projeções de EBITDA
O Banco Safra, em sua análise, revisou as projeções relativas ao EBITDA da Aura para alcançar um total de US$ 1,044 bilhão em 2026, indicando um crescimento de 1%. Para o ano de 2027, o EBITDA estimado é de US$ 1,474 bilhão, mostrando uma redução de 2% em relação às expectativas anteriores.
Esse aumento na previsão para 2026 é atribuído principalmente a premissas mais otimistas em relação aos preços do cobre, que devem subir 7%, e a um leve aumento nos volumes medidos em onças equivalentes de ouro. Já a pequena queda na estimativa para 2027 está associada a premissas mais conservadoras relacionadas ao preço do ouro, que deve recuar 2%, influenciando a contribuição do EBITDA de todas as operações. As previsões operacionais, no entanto, permaneceram majoritariamente inalteradas em comparação com previsões feitas anteriormente.
Fonte: www.moneytimes.com.br