Atualize sua alocação 60/40 com uma abordagem de ‘portfólio total’ para enfrentar a volatilidade.

Repensando a Estrutura dos Portfólios 60/40

Os investidores podem querer reconsiderar como estão estruturando seus portfólios 60/40. O papel de uma alocação tradicional de 60% em ações e 40% em títulos tem sido tema de debate nos últimos anos, especialmente após seu desempenho insatisfatório em 2022, quando tanto as ações quanto os títulos apresentaram quedas em seus preços simultaneamente. Embora alguns ainda considerem o modelo 60/40 um bom ponto de partida, outros defendem a inclusão de diversificadores adicionais no portfólio.

Abordagem Total de Portfólio

A "abordagem total de portfólio" (TPA) não abandona a estrutura clássica do 60/40, mas agrupa os ativos conforme o risco envolvido, conforme explicado por Jason Kephart, principal pesquisador de gestão multi-ativos da Morningstar. Essa abordagem foi adotada pelo Sistema de Aposentadoria dos Funcionários Públicos da Califórnia em novembro, tornando-se o primeiro fundo de pensão dos Estados Unidos a implementá-la.

A ideia central é que os investidores compreendam claramente o que esperam de seus ativos. Kephart ressalta: "Comece a pensar qual é realmente o objetivo de usar as classes de ativos específicas em um portfólio — há algo ali para ajudar a crescer seus ativos, algo para ajudar a proteger seus ativos ou algo para proteção contra a inflação?"

Ferramentas para Construção de Portfólios

Segundo Kephart, "são as mesmas ferramentas que você usaria para construir um portfólio, mas apenas abordando a questão sob uma perspectiva diferente". Embora os portfólios construídos sob a "abordagem total de portfólio" por grandes proprietários de ativos institucionais possam ser complexos, os investidores podem optar por uma abordagem simplificada. Essa abordagem envolve a separação dos investimentos em duas categorias: crescimento e estabilidade.

Como Funciona a Separação de Categorias

Essa abordagem não se trata necessariamente de aumentar os retornos, mas sim de encontrar uma zona "Goldilocks" entre retornos e risco. A categoria de crescimento abriga ações, mas pode também incluir títulos de alto rendimento e crédito privado — que normalmente estariam na categoria de renda fixa. Isso se dá porque a categoria de crescimento abriga ativos que apresentam risco e cujos retornos estão intimamente ligados ao crescimento econômico.

Kephart observa que "quando você assume um risco de crédito real, está introduzindo mais risco econômico". Isso significa que as ações também são impactadas por esse risco econômico. Por outro lado, a categoria de estabilidade funciona como o nome sugere — oferece uma proteção quando os ativos de crescimento enfrentam quedas. Os ativos na parte de estabilidade do portfólio podem incluir títulos de curto prazo, corporativos com grau de investimento e Títulos do Tesouro protegidos contra a inflação de curto prazo. Segundo Kephart, essa categoria também pode servir como um lugar para alocar ações conservadoras com crescimento de dividendos.

Utilidade da Abordagem para o Investidor

Os investimentos nas duas categorias podem inclusive ser divididos entre as categorias de crescimento e estabilidade, conforme sugerido por Kephart. Um comportamento característico de um portfólio que adota essa abordagem é a previsibilidade, tornando mais fácil para os investidores permanecerem investidos durante períodos desafiadores.

Kephart ressalta que "o verdadeiro risco que os investidores enfrentam com o 60/40 — quando não pensam sobre qual é o papel do portfólio — é que você acaba com portfólios potencialmente mais arriscados do que esperava". Isso geralmente resulta em uma dificuldade maior de manter esses investimentos durante momentos complicados.

Ele enfatiza: "Quanto mais você entender ao entrar em uma posição o porquê de estar fazendo isso, mais fácil será continuar com essa decisão ao longo do tempo".

Considerações Finais sobre Expectativas

Os investidores devem estar cientes de que a "abordagem total de portfólio" se baseia em suposições sobre como os investimentos se comportam, conforme salientou Kephart. Logo, é fundamental que eles mantenham expectativas realistas sobre os ativos daqui para frente. Kephart conclui: "O que se mantém mais estabilizado em períodos de queda muda ao longo do tempo … portanto, você não pode simplesmente confiar no desempenho passado".

Fonte: www.cnbc.com

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