Auditoria Indica Incertezas nas Demonstrações Financeiras da Fictor Alimentos
A auditoria independente realizada pela Fictor Alimentos (FICT3) não pôde emitir opinião sobre partes significativas das demonstrações financeiras referentes ao ano de 2025 da empresa, que atualmente se encontra em recuperação judicial. Esta situação ocorreu em razão da incapacidade da auditoria de validar os estoques da subsidiária localizada em Betim, Minas Gerais, que se responsabiliza pela operação industrial principal da companhia.
Relatório de Auditoria e Estoque em Questão
No relatório que acompanha o balanço anual, a empresa de auditoria RSM informou que não expressou opinião sobre as demonstrações do resultado, resultado abrangente, mutações do patrimônio líquido e fluxos de caixa relativos ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. O problema alegado pela auditoria se centra na falta de possibilidade de acompanhamento da contagem física dos estoques da Fictor Alimentos Betim. Segundo a RSM, não foi possível aplicar procedimentos alternativos que fornecessem evidências adequadas e suficientes sobre as quantidades e a valorização dos estoques registrados.
A auditora destaca que foi contratada somente após a realização do inventário físico dos estoques da subsidiária. Como resultado, não foi possível validar o custo dos produtos vendidos, que foi registrado em R$ 79,8 milhões, nem determinar os potenciais impactos que isso poderia ter sobre o resultado financeiro da companhia.
Histórico da Auditoria
Esse episódio ocorre em meio a mudanças na auditoria da Fictor Alimentos. A UHY Bendoraytes encerrou seu contrato com a companhia em fevereiro de 2026, logo após a empresa ter entrado com pedido de recuperação judicial referente à sua holding. Em março do mesmo ano, o conselho de administração da companhia aprovou a contratação da RSM para revisar as demonstrações financeiras do ano de 2025 e as informações trimestrais de 2026.
Resultados Financeiros e Descontinuidade da Operação
As demonstrações financeiras indicam que a operação industrial de Fictor Alimentos gerou uma receita líquida consolidada de R$ 77,1 milhões em 2025, enquanto os custos dos produtos vendidos alcançaram R$ 79,8 milhões, resultando em um prejuízo bruto de R$ 2,8 milhões. Ao final do exercício, a empresa demonstrou um prejuízo total de R$ 23,4 milhões.
A Fictor Alimentos também registrou uma perda de equivalência patrimonial de R$ 18,6 milhões, que se relaciona diretamente à subsidiária de Betim. Em decorrência dos resultados financeiros negativos, a administração decidiu encerrar as operações da unidade. A companhia destacou que a viabilidade econômica do projeto dependia de novos investimentos, os quais foram impactados por restrições de liquidez e dificuldades no acesso a financiamentos.
A empresa passou a fazer parte do processo de recuperação judicial do grupo Fictor em fevereiro deste ano, sendo o pedido aceito pela Justiça no dia 17 de abril.
Incertezas sobre a Continuidade Operacional
No relatório de auditoria, a RSM enfatizou a recuperação judicial como uma incerteza relevante em relação à continuidade operacional da empresa. Por outro lado, a administração da Fictor Alimentos apontou que fatores como os prejuízos acumulados, a descontinuidade da operação industrial, as restrições de liquidez e a própria recuperação judicial levantam incertezas sobre a continuidade dos negócios. Apesar desses desafios, a administração sustenta que as demonstrações financeiras foram elaboradas com base na suposição de continuidade operacional.
Fonte: www.moneytimes.com.br

