Impacto do Choque de Preço do Petróleo na Economia da América Latina
Um relatório divulgado na quinta-feira, dia 12, pelo Goldman Sachs analisa os impactos do novo choque no preço do petróleo, que poderá favorecer a economia da América Latina. Segundo a pesquisa, a chamada “bruta realidade da febre do barril” traz à tona dois efeitos principais: “inflação e taxas de juros mais altas”.
Expectativas para o Brasil
No que se refere ao Brasil, a estimativa de inflação foi ajustada, com um aumento de 0,3 ponto percentual, passando para 4,4%. O Goldman Sachs projeta que o Banco Central (BC) deverá iniciar um ciclo de redução das taxas de juros com um corte inicial de 0,25 ponto percentual na Selic, embora a expectativa seja de que a taxa básica de juros chegue a 12,5% ao ano até o final de 2026.
Além do Brasil, os bancos centrais do Chile e do México também devem realizar uma recalibragem cuidadosa em suas políticas monetárias relevantes.
Desigualdade Regional dos Efeitos
O relatório destaca que os impactos do choque no preço do petróleo não serão iguais para todos os países na região, variando principalmente conforme a balança comercial de cada nação. Os analistas do Goldman Sachs mencionam que o conflito geopolítico global e tal choque no mercado do petróleo resultaram em uma maior volatilidade e incerteza nos mercados, resultando em condições financeiras globais mais restritivas.
A análise confirma que, em geral, houve uma valorização do dólar em relação às moedas dos mercados emergentes, incluindo as da América Latina, o que provocou um aumento nas taxas de juros. Isso pode afetar as trajetórias das principais variáveis macroeconômicas nas economias latino-americanas.
Potencial de Benefício para o Brasil
Dado que o Brasil é um dos principais exportadores de petróleo no mercado global, pode se beneficiar de uma elevação nos preços desse recurso. Os analistas do Goldman Sachs aumentaram a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 0,2 ponto, totalizando 2%. Por outro lado, nações importadoras como Chile, México e Peru devem experimentar um crescimento mais moderado do que o anteriormente esperado.
Impactos Diretos nas Balanças Comerciais
Conforme indicado na análise, as variações nos preços do petróleo influenciam de maneira direta a balança comercial dos países. O estudo sugere que um aumento de 10% nos preços do petróleo pode resultar em um aumento na balança comercial entre 0,1% a 0,2% do PIB na Argentina, Brasil, Colômbia e Equador, sendo a Colômbia a que se encontra no limite superior dessa faixa. Por outro lado, esse mesmo choque amplia o déficit da balança energética em aproximadamente 0,4% do PIB no Chile, 0,2% no México e 0,1% no Peru.
Adicionalmente, o Goldman Sachs aponta que as receitas obtidas com o petróleo podem contribuir de maneira significativa para a saúde das contas públicas brasileiras, aliviando pressões financeiras anteriormente existentes.
Medidas de Mitigação
Para minimizar os impactos desse cenário, o banco prevê que o governo poderá optar por cortes em impostos sobre combustíveis — como já anunciado anteriormente no que diz respeito à importação de diesel — além de que a Petrobras deve se manter com preços abaixo da paridade internacional por um período mais prolongado.
Projeções para o Preço do Petróleo
O Goldman Sachs também revisou suas estimativas para os preços do petróleo em 2026, apresentando três cenários possíveis, todos centrados na questão do bloqueio do Estreito de Ormuz. O cenário-base considera uma interrupção com duração de 21 dias, com o preço do petróleo encerrando o ano em US$ 77. Em um segundo cenário, caso a interrupção dure 30 dias, o preço alcançaria US$ 82, enquanto um bloqueio de 60 dias poderia levar o petróleo a atingir a marca de US$ 105.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


