Aumento do Preço do Petróleo já onera alimentos, passagens aéreas e fretes no Brasil; descubra como isso afeta seu orçamento.

Impacto da alta do petróleo nos combustíveis e na mobilidade

O impacto mais evidente da alta do petróleo ocorre nos combustíveis, que influenciam diretamente o custo de mobilidade. Carlos Honorato, economista e professor da FIA Business School, enfatiza que o Brasil apresenta uma grande dependência do transporte rodoviário, o que desencadeia uma série de reações em cadeia. “O efeito da alta do petróleo inicia nos combustíveis e seus derivados, mas rapidamente afeta o transporte, os custos com logística e os insumos industriais“, afirma.

A elevação nos preços da commodity é também visível no preço do combustível de aviação, o que, consequentemente, afeta as passagens aéreas. Dados do buscador de voos Viajala indicaram um aumento médio de 15% nos preços dos bilhetes nacionais nos últimos dez dias. A plataforma analisou aproximadamente 400 mil buscas por voos, originados nos principais aeroportos brasileiros, entre 18 de fevereiro e 15 de março, com o intuito de comparar as variações de preço médio antes e depois do início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Entre os dias 5 e 15 de março, as viagens de ida e volta para São Paulo passaram a apresentar um preço médio de R$ 1.338, significando um aumento de 36% em relação ao intervalo de 18 a 28 de fevereiro (antes do conflito). No que diz respeito às viagens de ida e volta para Recife, o custo médio foi de R$ 1.497, o que representa uma elevação de 22% em comparação ao período anterior à guerra.

Outros destinos igualmente buscados apresentaram uma tendência similar em relação a seus preços:

  • Rio de Janeiro (RJ): preço médio de R$ 1.232 na viagem de ida e volta, 11% superior aos dez dias anteriores à guerra;
  • Fortaleza (CE): preço médio de R$ 1.710 na viagem de ida e volta, 14% maior do que nos dez dias anteriores ao conflito;
  • Salvador (BA): preço médio de R$ 1.338 na viagem de ida e volta, 14% acima dos preços registrados nos dez dias anteriores à guerra.

Consequências da alta do petróleo nos preços dos alimentos

De acordo com João Alfredo Lopes Nyegray, professor dos cursos de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a elevação nos preços do petróleo também impacta a indústria petroquímica e os custos de embalagens plásticas, fertilizantes, defensivos agrícolas, tecidos sintéticos, além de produtos de limpeza.

“Em um país no qual o agronegócio desempenha um papel significativo, o aumento nos preços dos fertilizantes — muitos dos quais são derivados de hidrocarbonetos — pode levar a uma pressão nos preços dos alimentos com um certo atraso”, complementa o professor.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a valorização do diesel resultou em aumentos de até 20% nos fretes rodoviários para o setor, comparado aos valores anteriores, abrangendo desde o transporte de insumos até a distribuição dos produtos no mercado interno. Já as embalagens plásticas aumentaram em até 30%. Em decorrência desta situação, a associação alerta que é possível que haja repasses aos preços para o consumidor nos próximos dias, afetando tanto o preço de ovos quanto de carne de frango e carne suína.

A entidade esclarece que esses ajustes emergem devido à alta demanda logística, que envolve o transporte de ração e a redistribuição dos produtos no mercado interno. Em relação às exportações, os atrasos no tempo de trânsito dos navios e o maior consumo de energia, provocado pela guerra, também impactam o setor.

Efeitos na inflação no Brasil

Recentemente, foi divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) referente ao mês de março, que apresentou uma alta de 0,44%. Com este resultado, o indicador acumula um avanço de 3,90% em um período de 12 meses.

O grupo de Alimentação e Bebidas voltou a se destacar, com um crescimento de 0,88% no mês, após um aumento mais moderado de 0,20% em fevereiro. Dentro desse segmento, a alimentação no domicílio acelerou para 1,10% em março, enquanto a alimentação fora do domicílio subiu 0,35%, apresentando desaceleração em comparação à alta de 0,46% observada no mês anterior.

Na categoria de Transportes, onde o impacto da alta do petróleo é mais amplamente esperado, os preços aumentaram em 0,21%, após uma elevação de 1,72% em fevereiro. Isso representa uma contribuição de 0,04 pontos percentuais deste segmento para o IPCA-15 de março. Durante a apuração realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços dos combustíveis apresentaram uma leve queda de 0,03%, após um aumento de 1,38% na medição anterior. A gasolina registrou uma diminuição de 0,08% e o etanol, 0,61%.

Nyegray, da PUC-PR, ressalta que os choques relacionados às commodities tendem a aparecer inicialmente como pressões nos custos das empresas e nas expectativas inflacionárias, antes de se manifestarem plenamente nos índices que medem os preços ao consumidor. “Se o conflito persistir e os preços internacionais permanecerem elevados, o impacto mais evidente deve ser sentido nos índices de abril e maio, quando os reajustes ao longo de toda a cadeia produtiva começarem a ser repassados de maneira mais consistente”, explica.

Volatilidade no mercado durante o conflito

Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou em sua conta na rede Truth Social que houve avanços nas negociações com o Irã para o fim das hostilidades no Oriente Médio, levando à suspensão dos ataques à infraestrutura civil do país.

Entretanto, a chancelaria iraniana adotou um tom mais cético em relação às declarações do presidente norte-americano. O Ministério das Relações Exteriores do Irã sugere que o país não está em diálogo com os EUA sobre o término da guerra e afirma que a declaração de Trump integraria um esforço para reduzir os preços da energia e ganhou um tempo extra para implementar seus planos militares.

Após as afirmações do presidente dos EUA nas redes sociais, o petróleo WTI para maio fechou em queda de 10,28% a US$ 88,13 o barril no pregão da última segunda-feira (23). Já o Brent para junho apresentou uma queda de 9,86%, fechando a US$ 95,92 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). No dia seguinte, o preço da commodity subiu, mas na quarta-feira (25) recuou novamente.

Expectativas sobre os preços e normalidade no mercado

José Faria Júnior, planejador financeiro CFP pela Planejar, comenta que o mercado está agindo de forma intensa em resposta às notícias sobre o conflito, tanto as positivas quanto as negativas, o que torna desafiador projetar o futuro do petróleo. “É difícil estimar quando os preços retornarão à normalidade, uma vez que não se sabe a extensão dos danos causados pela guerra”, ressalta.

Mais do que apenas declarações, especialistas indicam que um alívio nos preços da commodity dependerá de evidências concretas de estabilização do conflito, seja por meio de acordos formais ou um cessar-fogo. Na ausência disso, qualquer queda tende a ser temporária.

Caso haja uma confirmação no arrefecimento das tensões, o advogado especializado em Negócios Internacionais e Direito Internacional, Daniel Toledo, avalia que o ajuste do petróleo no mercado financeiro internacional pode ocorrer de maneira relativamente rápida, sendo este um ativo líquido e sensível às notícias. No entanto, o impacto no bolso do consumidor pode demorar mais a aparecer. “Há uma inércia na economia; as empresas não reduzem os preços de forma imediata, especialmente após períodos de alta. Fatores internos no Brasil, como a política de preços da Petrobras, a cotação do câmbio e os custos de logística, também influenciam esse repasse”, conclui.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

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