Vendas da Embraer nos Estados Unidos
A fabricante brasileira de aviões Embraer S.A. anunciou a concretização de sua primeira venda nos Estados Unidos de seus jatos E2, que são reconhecidos por sua eficiência, apesar de não serem os mais vendidos. A transação envolve um contrato de 50 aeronaves com a companhia aérea em início de operação Avelo Airlines.
Avelo Airlines
A Avelo Airlines começou suas operações em abril de 2021, utilizando aeronaves Boeing 737 usadas. No entanto, a companhia enfrentou dificuldades e encerrou voos em diversas cidades da Costa Oeste dos Estados Unidos. Recentemente, a Avelo também começou a realizar voos para deportação a pedido do Departamento de Imigração e Controle de Fronteiras dos EUA, o que resultou em protestos e reações negativas de alguns políticos.
A Avelo foca em cidades menores e possui uma operação significativa a partir de Connecticut. Nesta segunda-feira, a empresa anunciou que conquistou o "maior investimento único" desde seu lançamento, embora não tenha divulgado valores específicos ou investidores. Os recursos serão destinados ao crescimento e à melhoria da experiência do cliente. As novas aeronaves da Embraer deverão começar a ser entregues na primeira metade de 2027 e representam uma expansão significativa para a Avelo, que atualmente conta apenas com 22 aeronaves da Boeing, de acordo com informações disponibilizadas em seu site.
Detalhes do Pedido
O pedido envolve 50 jatos E195-E2, com a opção de mais 50 unidades, a fim de ajudar a modernizar a frota da companhia aérea. A Avelo acredita que a configuração de assentos em fileiras de duas por duas, assim como os cabines mais silenciosas em comparação com modelos antigos, atrairão os consumidores.
Concorrência e Desafios
Embora a Embraer não se compare em tamanho à Boeing e à concorrente Airbus, a empresa é reconhecida por fabricar jatos regionais que são utilizados por companhias aéreas em milhares de voos diários, especialmente para rotas curtas ou cidades menores. A Embraer tem se mantido lucros sólidos nos últimos dois anos, enquanto a Boeing passou por crises e interrompeu um acordo de mais de US$ 4 bilhões com a Embraer.
Apesar de sua boa posição no mercado, os novos jatos E2 da Embraer têm enfrentado competição acirrada de aeronaves de tamanho semelhante, como a família Airbus A220.
O E195-E2, que é o maior jato dessa família, pode acomodar até 132 pessoas em uma configuração de cabine única com um espaçamento de 31 polegadas entre assentos (dimensão que mede a distância de um assento para o assento diretamente atrás) ou até 120 pessoas em uma cabine de três classes.
Opiniões do Setor
Andrew Levy, CEO da Avelo e ex-diretor financeiro da United Airlines, afirmou em comunicado à imprensa que "o desempenho excepcional, o tamanho e a eficiência do avião fazem dele a escolha perfeita para o crescimento futuro da nossa rede de serviços programados".
As aeronaves usadas da companhia, que são da Boeing, podem acomodar até 189 passageiros, mas uma grande capacidade pode levar a uma redução nas tarifas. Um exemplo é a companhia de baixo custo Spirit Airlines, que utiliza modelos Airbus A321Neos com capacidade para 229 assentos.
Um dos desafios enfrentados por companhias aéreas maiores ao operar jatos menores é que, segundo Richard Aboulafia, diretor administrativo da AeroDynamic Advisory, uma consultoria do setor, "as grandes companhias aéreas consideram esses aviões como uma complicação na frota", já que seriam obrigadas a treinar pilotos, adquirir simuladores e incorrer em outros custos para integrá-los à sua frota.
Aboulafia ainda complementa, ressaltando que "o E2 possui uma economia excelente, mas as companhias aéreas têm uma obsessão irracional por autonomia que não necessitam".
O valor do pedido da Avelo é estimado em US$ 4,4 bilhões, com base nos preços de tabela, mas esse valor é antes dos descontos habituais. Aeronaves que não vendem rapidamente ou pedidos grandes frequentemente têm cortes significativos nos preços.


