Axia Energia (AXIA3) inicia trajetória de crescimento e considera parcerias para grandes leilões

Axia Energia (AXIA3) inicia trajetória de crescimento e considera parcerias para grandes leilões

by Ricardo Almeida
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Crescimento da Axia Energia

A Axia Energia (AXIA3) está entrando em uma nova fase de crescimento que incluirá uma participação ativa em leilões do setor elétrico brasileiro. Esta informação foi divulgada em entrevista à Reuters pelo CEO Ivan Monteiro.

A companhia, que é considerada a maior elétrica da América Latina, anunciou no mês passado sua rebranding, abandonando o nome “Eletrobras” após três anos desde a privatização e o início de um extenso processo de reestruturação. Esse processo envolveu a redução de custos, a venda e o desprendimento de ativos, além da conclusão de obras importantes que estavam inacabadas, como o linhão Manaus-Boa Vista.

Essas ações resultaram em uma diminuição dos riscos e incertezas associados à Axia, o que possibilitou uma distribuição recorde de dividendos e abriu novas oportunidades de crescimento no futuro, conforme informado por Monteiro.

Estratégias e Parcerias

De acordo com o CEO, a empresa continuará focando em frentes como a eficiência na gestão de custos de pessoal, materiais, serviços de terceiros e outras despesas (“PMSO”). Além disso, a Axia buscará reduzir o montante de sua dívida bilionária relacionada ao empréstimo compulsório. No entanto, Monteiro ressalta que essa agenda será complementada por novas oportunidades de expansão dos negócios.

Entre as principais fontes de crescimento identificadas, destacam-se os leilões de transmissão de energia, que devem retornar em 2026 com a oferta de mega projetos que poderão demandar investimentos na ordem de dezenas de bilhões de reais. A Axia, atualmente a maior transmissora de energia do Brasil, vê esses leilões como uma oportunidade estratégica.

A companhia está planejando analisar “com muito carinho” os leilões na área de transmissão e considerar parcerias para disputar empreendimentos significativos, como o novo bipolo previsto pelo governo, que consistirá em 2,5 mil km de linhas em corrente contínua interligando o Nordeste ao Sul do Brasil, projeto que exigirá um investimento de R$26,5 bilhões.

“Quando se tem projetos com Capex (investimento) elevado, é natural considerar a formação de parcerias”, afirmou Monteiro, destacando que essa opção ainda não foi discutida internamente ou com o conselho de administração.

O CEO fez uma analogia com o setor de óleo e gás, afirmando que até mesmo grandes empresas costumam formar consórcios para desenvolver campos que possam ser atrativos, dado o alto custo envolvido. Ele acrescentou que, sem parcerias, a disputa por um projeto desse porte “elevaria muito o endividamento”, com o retorno financeiro sendo percebido apenas após um período significativo. Embora Monteiro não tenha comentado sobre possíveis parceiros, o Brasil conta com operadores de mega linhões como a empresa chinesa State Grid.

Investimentos e Expectativas

A Axia projeta que seus investimentos alcançarão R$ 10 bilhões neste ano e espera manter esse nível nos próximos anos. A companhia já possui uma vasta infraestrutura, com 74 mil km de linhas de transmissão, além de ser a maior geradora de energia do país, totalizando mais de 40 gigawatts (GW) predominantemente de fonte hidrelétrica.

Para os próximos anos, o setor de transmissão deve continuar a apresentar oportunidades, com o governo considerando a licitação de mais R$40 bilhões em obras de transmissão para 2027. Esse esforço visa otimizar a distribuição de energia pelo país em meio ao aumento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste.

A Axia também participará do leilão agendado para março, que tem como objetivo contratar potência para o sistema elétrico por meio de projetos de ampliação de suas hidrelétricas. Além disso, está avaliando a aplicação de baterias, que, segundo Monteiro, com certeza farão parte do “futuro” do setor elétrico.

Modernização e Novas Demandas

A empresa tem como prioridade aumentar os investimentos em seus ativos, focando em modernizações, reforços e melhorias com o intuito de ampliar a confiabilidade e a disponibilidade das instalações de transmissão e geração de energia. Monteiro considera essa estratégia uma abordagem que oferece “retorno com baixíssimo risco”.

Além disso, a administração está explorando “opcionalidades”, ou seja, negócios que podem surgir caso sejam viáveis para a companhia, como possíveis aquisições de projetos de geração renovável. Segundo Monteiro, no presente momento, não há nenhuma aquisição planejada, e o foco está na finalização de alguns processos de desprendimento de participações acionárias. No entanto, a empresa avalia essa possibilidade com maior atenção, principalmente no que se refere ao setor solar ao longo de 2026.

A Axia tem se concentrado em melhorar sua atuação no mercado livre de energia, expandindo sua carteira de consumidores, desde grandes empresas até pequenos negócios. O objetivo é posicionar-se como uma provedora de soluções em energia.

Iniciativas Futuras

Para atender às novas demandas que estão emergindo no setor elétrico brasileiro, a Axia está implementando iniciativas que incluem projetos de data centers, hidrogênio verde e eletrificação de processos industriais. No contexto dos data centers, a empresa está oferecendo consultoria técnica para diversos projetos e já possui memorandos de entendimento assinados para parcerias em diferentes estágios.

Adicionalmente, a companhia iniciou processos junto ao governo para dois projetos de data centers, um localizado em Campinas (SP) e outro em Canindé do São Francisco (SE), conforme informado por uma plataforma do Ministério de Minas e Energia.

“Somos frequentemente procurados por nossa visão sobre o mercado e buscamos oferecer consultoria que não se limita apenas à energia, mas também abrange aspectos como a melhor localização para instalação de um data center em termos de terreno e acesso à rede elétrica”, disse Monteiro, enfatizando a atenção da empresa a esse segmento.

Monteiro destacou ainda a importância dos esforços da Axia para desenvolver o que denomina “funding intelectual”, preparando-se para as transformações significativas que o setor elétrico brasileiro enfrentará, com o aumento da participação de energias renováveis, sistemas de geração distribuída e a plena abertura do mercado livre.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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