Encerramento do Ciclo de Alta da Taxa Selic
O encerramento do ciclo de alta da taxa Selic não implica, de maneira automática, uma mudança na condução da política monetária do Brasil. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o cenário atual requer “calibragem”, uma terminologia que define uma fase de ajustes cuidadosos em resposta a sinais ainda contraditórios da economia nacional.
Avaliação do Cenário Econômico
Durante um evento sobre estabilidade financeira organizado pela Associação Brasileira de Bancos, Galípolo comentou que o prolongado período de juros elevados resultou em avanços significativos, tanto em relação à inflação atual quanto nas expectativas futuras. No entanto, ele enfatizou que a economia brasileira continua a demonstrar resiliência, especialmente no que diz respeito ao mercado de trabalho, o que dificulta qualquer avaliação precipitada sobre um possível alívio monetário.
Segundo Galípolo, mesmo com a taxa de juros próxima a 15%, a desaceleração da atividade econômica ocorreu de forma menos intensa do que o esperado. Ele destacou que os indicadores de emprego e renda estão sendo constantemente revisados para níveis recordes, com sucessivos ajustes que estabeleceram um piso histórico para o desemprego e aumentos salariais que superam a inflação. Esses fatores continuam a exercer pressão sobre a dinâmica de preços.
Termo “Calibragem” e Expectativas Futuras
O presidente do Banco Central explicou que a utilização do termo “calibragem” serve para deixar claro que a instituição encerrou o ciclo de aperto monetário, mas não vê o momento como uma “volta da vitória”. Ele indicou que os dados disponíveis demonstram que a economia ainda possui força suficiente para justificar um posicionamento pautado pela parcimônia e cautela nas decisões futuras de política monetária.
Adicionalmente, Galípolo mencionou que a autoridade monetária não opera com um nível específico de juros reais. O objetivo, conforme afirmou, é adotar uma estratégia que assegure a convergência da inflação em direção à meta estabelecida, em um contexto repleto de incertezas e sinais diversos na atividade econômica.
Expectativas de Inflação e Desafios
Ao comentar as expectativas de inflação que superam a meta, Galípolo reconheceu que essa situação merece atenção, mas ponderou que oscilações semelhantes são observadas em outras economias ao redor do mundo. Para ele, o desafio principal reside em evitar que essas expectativas se desancorem de maneira persistente, o que exigiria respostas mais robustas da política monetária.
Atuação Institucional e Comunicação
No campo institucional, Galípolo destacou que 2025 demandará do Banco Central uma atuação mais robusta na defesa de seu mandato legal, buscando equilibrar a necessidade de sigilo com um esforço adicional em termos de transparência. Em um ambiente caracterizado pela rápida circulação de informações e rumores, uma comunicação clara é fundamental para evitar a formação de narrativas que possam comprometer a condução da política econômica.
Nesse cenário, o presidente do Banco Central salientou a importância de reduzir espaços para interpretações equivocadas como parte do trabalho da autoridade monetária, especialmente em um momento em que as decisões requerem precisão, cautela e uma leitura criteriosa dos sinais da economia brasileira.
(bc)
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Fonte: br.-.com