Mercado de Câmbio Favorável ao Real
Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, o mercado de câmbio apresentou um dia bastante positivo para a moeda brasileira. O dólar à vista (FX:USDBRL) fechou com uma queda de 0,59%, encerrando o dia cotado a R$ 5,1886. Esse movimento resultou no rompimento do patamar de R$ 5,20 e, consequentemente, no menor fechamento desde 28 de maio de 2024. Essa tendência de queda ocorreu em um contexto de forte apetite por risco, refletido em um avanço superior a 1% do Ibovespa, além de uma entrada consistente de fluxo estrangeiro no Brasil. No acumulado de 2026, a moeda norte-americana já registra uma desvalorização de 5,47%, o que reforça a interpretação de que o câmbio continua a ser pressionado por fatores tanto estruturais quanto conjunturais.
Fundamentos Internos
O ambiente interno contribuiu para esse movimento favorável, sendo marcado por uma combinação sólida de fundamentos. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos mantém-se como um vetor importante para a atração de capital externo. A taxa Selic, que permanece em 15% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), contrasta com os Fed Funds, que estão na faixa de 3,50% a 3,75%.
Adicionalmente, o Tesouro Nacional fez anúncios importantes sobre emissões de títulos em dólares no mercado internacional, totalizando uma captação de US$ 4,5 bilhões através de papéis com vencimentos em 2036 e 2056. Essas operações normalmente abrem caminho para novas captações corporativas, reforçando a expectativa de um aumento na entrada de dólares no país. As declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também foram fundamentais para ancorar expectativas, ao ressaltar a “calibragem” como um aspecto central da política monetária neste momento.
Desempenho Internacional do Dólar
No cenário internacional, o dólar perdeu força de maneira ampla. O índice do dólar (CCOM:DXY), que avalia o desempenho da moeda norte-americana em relação a uma cesta de seis divisas, registrou um recuo de 0,81%, alcançando 96,814 pontos. A moeda teve queda em relação ao iene, especialmente após a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, além de ter enfrentado desvalorização frente ao euro e à libra.
O ambiente global foi notavelmente favorável ao risco, com os mercados acionários nos Estados Unidos, Europa e Japão apresentando altas. Os investidores aguardam dados relevantes sobre varejo, inflação e emprego ao longo da semana, contribuindo para a rotação de fluxos para países emergentes e beneficiando, assim, moedas como o real.
Movimentação no Mercado Futuro de Câmbio
Na B3, o mercado futuro de câmbio confirmou a expectativa de que o dólar enfrentaria pressão a curto prazo. O contrato mais líquido, correspondente ao dólar futuro para março (BMF:DOLFUT), apresentou uma queda de 0,61% às 17h03, sendo cotado a R$ 5,2105.
A diferença em relação ao dólar à vista demonstra que o mercado ainda está precificando um leve prêmio nos vencimentos futuros, refletindo incertezas sobre a velocidade dos cortes da Selic a partir de março, além de considerar o cenário externo. Apesar disso, o descolamento é relativamente contido, indicando que o viés a curto prazo continua mais favorável ao real, especialmente enquanto o fluxo externo permanecer positivo.
Fonte: br.-.com