O Banco Central do Brasil decidiu prorrogar, por mais 120 dias, o prazo para a conclusão do inquérito instaurado para investigar as instituições pertencentes ao conglomerado Master. A nova contagem do prazo teve início em 23 de junho de 2026.
A medida foi divulgada nesta quarta-feira, 17 de outubro, e está assinada por Aarão Diamantino Oliveira, que ocupa o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Resolução e de Ação Sancionadora do Banco Central.
Essa prorrogação está em conformidade com a legislação que rege as liquidações extrajudiciais. Segundo essa norma, os inquéritos devem ser finalizados em até 120 dias, podendo ser estendidos por um período igual sempre que se justificar a necessidade de mais tempo.
O inquérito investiga, entre outras instituições, o Banco Master S.A., o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank, a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, e a Will Financeira, todas essas entidades em processo de liquidação extrajudicial. Também é incluído na investigação o Banco Master Múltiplo, que atualmente se encontra sob um regime de administração especial temporária.
O que o BC apura
A investigação administrativa visa identificar as razões que levaram as empresas à liquidação, além de apurar a responsabilidade dos controladores e administradores durante os cinco anos que antecederam a decretação dos regimes especiais.
Durante o inquérito, o Banco Central tem a autoridade de examinar uma variedade de documentos, arquivos, contabilidades e valores provenientes das instituições investigadas. A autarquia também pode coletar depoimentos, requisitar informações de autoridades públicas, do Ministério Público e do liquidante, assim como solicitar o apoio de forças policiais se necessário.
A legislação ainda permite que o Banco Central analise documentos e registros de terceiros que tenham realizado transações com as instituições sob investigação, desde que essas informações estejam relacionadas aos fatos que estão sendo apurados.
Relatório pode ir à Justiça
Os ex-administradores das instituições investigadas têm o direito de acompanhar todo o processo do inquérito, além de poderem apresentar documentos e sugerir diligências. Ao final da apuração, também é permitido que eles enviem suas alegações e explicações por escrito.
Após esse processo, o Banco Central finaliza o inquérito gerando um relatório. Este documento deve resumir a situação da instituição examinada, as causas para a sua queda, os prejuízos apurados e um detalhamento das posses particulares dos administradores que estiveram à frente da sociedade nos cinco anos que precederam a investigação.
Se o Banco Central concluir que não houve prejuízo para os envolvidos, o caso será arquivado dentro da própria instituição. No entanto, caso a investigação indique que houve prejuízos, os autos do processo serão enviados ao juízo de falência ou ao juízo competente para a avaliação do caso.
Fonte: timesbrasil.com.br