Banco do Brasil Observa Inadimplência no Agronegócio
O Banco do Brasil (BBAS3) analisou, nesta quarta-feira (24), a situação da inadimplência no crédito para o agronegócio. A presidente-executiva, Tarciana Medeiros, mencionou que ainda se verifica uma resistência nesse parâmetro, mas previu um arrefecimento nos números, resultado de uma série de medidas implantadas para mitigar riscos e melhorar os resultados financeiros da instituição.
“Estamos observando essa inadimplência resiliente agora, mas com algumas notícias muito boas… com previsão de arrefecimento e de controle do crescimento dessa inadimplência”, declarou Tarciana durante um evento do banco em Nova York, sem fornecer detalhes adicionais. De acordo com dados disponíveis, no final de junho, a inadimplência neste setor alcançou 3,49%, um aumento em relação aos 1,32% registrados no mesmo período do ano anterior.
Desembolsos e Garantias
A apresentação do Banco do Brasil, que foi antecipada antes do evento, revelou que houve um crescimento no percentual de desembolsos com vinculação de garantia real de imóvel no segmento agro para a safra 2025/2026, passando de 31% na safra anterior para 60% na safra atual.
Tarciana reafirmou que o BB é reconhecido como “o banco do agro” e que continuará a atuar neste segmento. Ela enfatizou que a instituição tem se dedicado à seletividade na originação de crédito, tanto para o agronegócio quanto para outras áreas.
Segundo a presidente, a estratégia para o presente ano e para 2026 foca em uma concessão controlada de recursos, sempre com um “cuidado muito grande” para buscar a revitalização e a recomposição da capacidade de pagamento dos produtores. “Vamos descontar em recursos controlados, mas também vamos ajudar o nosso produtor a renegociar suas dívidas com o banco e a recompor a sua capacidade de pagamento”, afirmou.
Alienação Fiduciária e Garantias Reconhecidas
Tarciana mencionou que o Banco do Brasil tem trabalhado com alienação fiduciária, mas ressaltou a importância de outras formas de garantia. A executiva citou a sólida compreensão sobre os clientes como um fator que contribuiu para a formação de uma carteira de R$405 bilhões no setor rural. Atualmente, a alienação fiduciária já representa metade das novas contratações no segmento produtivo rural.
Felipe Prince, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do BB, também comentou sobre o tema, afirmando que a instituição continua a realizar desembolsos para o agronegócio, mas mudando suas garantias para opções reconhecidamente mais robustas.
Ainda de acordo com Prince, o Banco do Brasil diminuiu seu apetite para concessão de crédito a produtores rurais na safra em curso e intensificou suas ações de cobrança dentro da estratégia para combater a inadimplência. “Esse passo de recuperação já está bastante acelerado”, completou.
Ajustes para o Crescimento
Tarciana destacou que 2025 tem se mostrado um dos anos mais desafiadores na história do Banco do Brasil. “É um ano de ajustes para alicerçar o crescimento do banco”, afirmou durante sua apresentação a analistas e investidores em Nova York.
A presidente do BB mencionou que a instituição está implementando um ajuste tático em toda a operação, incluindo a adoção de medidas específicas voltadas para a mitigação de riscos. “Temos uma nova matriz de resiliência e toda concessão de crédito, em qualquer um dos pilares, passa por ela… Nós fizemos uma revisão completa das nossas esteiras de cobrança… Isso fez uma diferença muito grande para nós”, explicou.
Segundo a executiva, o Banco do Brasil tem notado, ao longo deste ano, “uma qualidade muito grande” na concessão de crédito da safra de 2025. Ela também indicou que a instituição está utilizando inteligência artificial de forma intensiva no processo de concessão de crédito. Além disso, Tarciana reafirmou que o banco intensificou sua atuação judicial em cobranças para garantir a sustentabilidade das operações e dos negócios.
Fonte: www.moneytimes.com.br


