Banco do Brasil Reporta Queda no Lucro e Revisão de Projeções para 2026
BBAS3 revisa projeções para 2026, eleva custo de crédito e acende alerta sobre agronegócio; mercado monitora impacto sobre dividendos e rentabilidade do banco estatal.
O Banco do Brasil (BOV:BBAS3) anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, o que representa uma queda de 53,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa redução é atribuída, principalmente, ao aumento das provisões para perdas com crédito, especialmente na carteira relacionada ao agronegócio. O resultado ficou próximo das expectativas do mercado, que previa um lucro de R$ 3,495 bilhões, conforme dados da LSEG.
Cenário Desafiador e Inadimplência no Agronegócio
O desempenho financeiro aponta para um contexto mais desafiador para o setor bancário em 2026, caracterizado por um aumento na inadimplência do crédito rural e por altos custos de captação, em um ambiente de taxas de juros ainda elevadas. O Banco do Brasil, reconhecido como o maior financiador do agronegócio no Brasil, já havia sinalizado desde 2025 que a situação do setor continuaria afetando seus resultados, especialmente devido às dificuldades enfrentadas por produtores rurais em diversas regiões do Brasil.
Margem Financeira e Rentabilidade
A margem financeira bruta do Banco do Brasil alcançou R$ 27,4 bilhões no trimestre, representando um aumento de 14,8% em relação ao ano anterior. No entanto, essa margem recuou 1,3% em comparação ao trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) despencou para 7,3%, em comparação a 16,7% registrados um ano antes e 12,4% no quarto trimestre de 2025, o que indica uma deterioração significativa da rentabilidade da instituição financeira.
Custo de Crédito e Inadimplência
Um dos principais pontos destacados no balanço foi o custo do crédito, que aumentou 85,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025, totalizando R$ 18,9 bilhões. O índice de inadimplência acima de 90 dias chegou a 5,05%, cifra superior aos 3,63% observados no mesmo período do ano anterior. No setor de agronegócio, a inadimplência subiu para 6,22%, enquanto a linha de custeio rural apresentou um expressivo aumento, alcançando 10,56%.
A carteira de crédito rural do Banco do Brasil totalizou R$ 418,4 bilhões, com um crescimento anual de 3%, reforçando a importância estratégica desse segmento para a instituição. Mesmo com a deterioração do crédito, o Banco do Brasil ressaltou que está intensificando as medidas de recuperação de ativos e as ações de cobrança judicial.
Ações para Recuperação de Crédito
Conforme a presidente do banco, Tarciana Medeiros, a instituição ampliou o uso de garantias por meio de alienação fiduciária e acelerou os processos de recuperação de crédito. A executiva mencionou que o banco já dobrou o número de ações judiciais nos primeiros meses de 2026 em comparação ao total do ano anterior, buscando minimizar os efeitos da inadimplência sobre os resultados.
Desempenho do Crédito Pessoal e Jurídico
No que se refere ao segmento de pessoa física, o crédito expandido cresceu 7,7% em um período de 12 meses, totalizando R$ 361,8 bilhões. Este crescimento foi impulsionado principalmente pelo crédito consignado e pelo programa de Crédito ao Trabalhador. Em contrapartida, a carteira direcionada a pessoa jurídica teve um recuo, consequência da diminuição nas operações com micro, pequenas e médias empresas.
Receitas de Serviços e Indicadores Financeiros
As receitas provenientes de prestação de serviços apresentaram um aumento de 5,5% no trimestre, alcançando R$ 8,8 bilhões, com destaque para áreas como administração de fundos, seguros, previdência privada e consórcios. O índice de Basileia foi encerrado em março em 14,23%, enquanto o índice de eficiência avançou para 28%.
Revisão de Projeções para 2026
Além do balanço trimestral, o Banco do Brasil anunciou uma revisão em suas projeções para 2026. O guidance para lucro líquido ajustado foi reduzido, passando da faixa de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para um intervalo entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. Em contrapartida, a previsão para a margem financeira bruta foi elevada, estimando um crescimento entre 7% e 11%. O custo do crédito, por sua vez, passou a ser projetado entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões.
A revisão negativa das expectativas tende a aumentar a cautela dos investidores em relação às ações da BBAS3, especialmente em virtude das preocupações sobre a qualidade da carteira de crédito, rentabilidade e o potencial para a distribuição de dividendos futuros.
Impacto no Mercado e Volatilidade das Ações
Como o resultado financeiro foi divulgado após o encerramento do pregão na quarta-feira (13/05), o mercado deverá reagir ao balanço no dia seguinte, quinta-feira (14/05). Os investidores estarão avaliando os impactos das novas projeções sobre a valorização do banco estatal. As ações do Banco do Brasil (BOV:BBAS3) fecharam o último pregão com cotação de R$ 20,76, apresentando uma forte volatilidade nos últimos meses, em meio a incertezas relativas à inadimplência rural, ao cenário macroeconômico e às perspectivas para o setor bancário brasileiro em 2026.
Banco do Brasil no Setor Financeiro
O Banco do Brasil é uma das maiores instituições financeiras da América Latina, atuando em diversos segmentos, tais como crédito, investimentos, seguros, agronegócio, gestão de patrimônio e serviços bancários. O banco estatal compete diretamente com instituições de grande porte, como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil, sendo reconhecido como líder histórico no financiamento do agronegócio brasileiro.
Fonte: br.-.com