Inteligência Artificial e Bancos Centrais
A inteligência artificial (IA) não se configura como um componente essencial nas operações da maioria dos bancos centrais ao redor do mundo. Essa conclusão foi apresentada em uma pesquisa divulgada na quarta-feira, dia 26, pelo Fórum Oficial de Instituições Monetárias e Financeiras.
Composição do Grupo de Trabalho
O grupo de trabalho é composto por dez bancos centrais, provenientes de diversas regiões, como Europa, África, América Latina e Ásia, gerenciando juntos aproximadamente US$ 6,5 trilhões em ativos. A pesquisa também revelou que as instituições que estão mais avançadas na adoção de IA têm demonstrado um comportamento mais cauteloso em relação aos riscos que essa tecnologia pode acarretar.
Principais Preocupações
A pesquisa identificou que uma das principais preocupações sobre a utilização de IA nos bancos centrais é o potencial de que o comportamento impulsionado por essa tecnologia possa "acelerar crises futuras". Um dos participantes do grupo foi citado dizendo: "A IA nos ajuda a ver mais, mas as decisões devem continuar com as pessoas."
Uso de Ferramentas de IA
De acordo com os dados coletados, mais de 60% dos entrevistados apontaram que as ferramentas de inteligência artificial, que já causaram demissões em várias empresas de tecnologia, varejo e bancos de investimento, ainda não estão sendo utilizadas para apoiar as operações principais dos bancos. Em contrapartida, é importante notar que a maioria dos bancos centrais recorre à IA principalmente para executar tarefas básicas, como a síntese de dados e a análise de mercados.
Ativos Digitais entre Bancos Centrais
A pesquisa mostrou que a grande maioria dos bancos, especificamente 93%, não realiza investimentos em ativos digitais. Ademais, a tokenização é observada com interesse, enquanto as criptomoedas são avaliadas com cautela por essas instituições. O grupo era constituído por seis bancos de países integrantes do G20 e dois do G7.
Resiliência e Liquidez nos Investimentos
Os resultados da pesquisa indicam que os bancos centrais reconhecem que o mundo está evoluindo rapidamente em direção a um sistema multipolar, o que gera um desejo de diversificação. No entanto, essa busca por diversificação está equilibrada com a necessidade de foco em resiliência e liquidez, fatores que acabam restringindo o número de reservas que podem ser consideradas para investimentos.
Embora aproximadamente 60% dos bancos manifestem o desejo de diversificar seus investimentos além do dólar, a liquidez singulamente incontestável dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos tem contribuído para a manutenção da moeda norte-americana como âncora.
Questionamento do Status do Dólar
Em declarações do grupo de trabalho, um membro observou que "estamos passando de um sistema de reservas bipolar para um sistema multipolar, mas o euro ainda não está pronto para liderar". O status do dólar como a principal moeda de reserva mundial foi objeto de questionamentos ao longo deste ano, especialmente devido às políticas tarifárias implementadas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e às preocupações em relação à independência do Federal Reserve.
Espera-se que o euro e o yuan chinês se beneficiem dessa transição, entretanto, é muito provável que o dólar continue a ser a moeda predominante nas reservas cambiais globais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


