Bancos digitais criam score e alteram as regras do mercado – Educação Financeira – Principais notícias do setor financeiro.

O score é uma pontuação que indica a saúde financeira do consumidor. Aqueles que cumprem com seus compromissos financeiros e pagam suas contas pontualmente frequentemente alcançam notas altas, o que pode ser benéfico ao buscar empréstimos ou ao tentar aumentar o limite do cartão de crédito, por exemplo.

No mês de abril de 2025, o Nubank introduziu o NuScore, uma métrica que revela a pontuação dos clientes da fintech. Em dezembro do mesmo ano, o Inter lançou o Meu Crédito, uma ferramenta semelhante. Já em janeiro de 2026, o Mercado Pago também disponibilizou um recurso relacionado a pontuação de crédito.

As pontuações internas das instituições financeiras diferem das métricas oferecidas pelos birôs de crédito, que incluem Serasa, SPC, Boa Vista e Quod. Essas notas podem apresentar diferenças significativas; um cliente pode ter uma pontuação elevada em um banco e uma mais baixa em outro devido a diferentes critérios de avaliação.

As instituições financeiras utilizam o score de crédito para avaliar o risco específico de cada cliente dentro de sua base. Para isso, levam em consideração elementos como a relação do cliente com o banco, a movimentação de sua conta, o uso do limite, a estabilidade de sua renda e seu histórico de pagamentos. Cada banco possui um modelo de risco distinto, o que resulta em variações nas notas entre as instituições. Assim, um cliente pode ter uma pontuação mais alta em um banco com o qual mantém um histórico de transações frequentes e pontuais, e uma nota inferior em outro banco com o qual tem um vínculo reduzido. Além disso, o momento da análise influencia a pontuação, uma vez que o score interno se ajusta rapidamente a mudanças recentes no comportamento financeiro.

Ana Rosa Vilches, responsável por projetos especiais na DSOP Educação Financeira, observa que o perfil do banco também é um aspecto relevante. Segundo ela, instituições financeiras mais conservadoras tendem a ter critérios mais rigorosos, enquanto bancos que adotam uma abordagem mais agressiva estão dispostos a aceitar níveis mais altos de risco.

As ferramentas de score de cada banco

Bancos digitais como Nubank, Inter e Mercado Pago acreditam que a tendência de permitir que os consumidores visualizem sua pontuação de crédito continuará a crescer no setor financeiro. As instituições afirmam que a ampliação dessas ferramentas visa resolver problemas enfrentados pelos clientes, como o acesso ao crédito e a falta de transparência sobre os critérios utilizados para a determinação da pontuação de crédito.

A seguir, estão as ferramentas de score disponíveis atualmente no mercado:

Nubank

O NuScore foi disponibilizado para a maior parte dos portadores de cartão de crédito do Nubank. Até o final de 2026, a instituição projeta que 100% de sua base de clientes pessoa física terá acesso a esse recurso. Para calcular a pontuação, o banco considera diversos critérios, incluindo a capacidade de quitar dívidas, o nível de endividamento em relação à renda e a habilidade do consumidor em economizar. O uso adequado e engajado dos produtos Nubank também contribui para a sua pontuação.

A instituição informa que já está testando uma seção de “recomendações”, onde os clientes podem realizar ações para melhorar seu NuScore. No que se refere ao limite do cartão, há uma funcionalidade chamada Missão Limite, que incentiva os clientes a cumprir tarefas essenciais, como realizar um depósito mínimo nas Caixinhas, garantir o pagamento da fatura até a data de vencimento e concentrar os gastos no cartão do Nubank. Existem também atividades opcionais, como automatizar o pagamento de contas, atualizar informações sobre a renda e autorizar o Open Finance. Ao finalizar cada ciclo, o cliente pode receber um aumento de limite no cartão, com um percentual variável de acordo com o perfil de crédito do usuário.

Inter

No Inter, a ferramenta Meu Crédito já foi disponibilizada para 100% dos clientes, embora algumas funcionalidades ainda dependam de critérios de elegibilidade e serão liberadas aos poucos ao longo do ano. Mauro Rangel, diretor de crédito e recuperação do Inter, explica que o cálculo do score do banco busca evitar ser uma “caixa-preta”. Ele afirma que o sistema se baseia no comportamento real do cliente, considerando aspectos como a pontualidade nos pagamentos e o uso consciente do cartão, além da movimentação da conta e da atualização das informações cadastrais.

Atualmente, o Meu Crédito oferece, para parte da base de clientes, missões que contribuem para aumentar a pontuação. As tarefas incluem o registro de uma chave Pix, o compartilhamento de dados via Open Finance, movimentações na conta e o uso responsável do cartão, incluindo o pagamento em dia da fatura. Em relação aos próximos passos, o banco planeja lançar uma nova funcionalidade que permitirá aos clientes visualizar sua situação no mercado e identificar pendências, organizadas por instituições diferentes. Rangel menciona que o banco está considerando a possibilidade de utilizar informações do Cadastro Positivo, que agrega o histórico de pagamentos, para compreender melhor o comportamento financeiro dos usuários no mercado.

Mercado Pago

O score de crédito do Mercado Pago foi disponibilizado para todos os clientes pessoa física no Brasil. Isso inclui usuários que ainda não estão utilizando produtos de crédito. No próximo trimestre, a instituição tem planos de estender essa funcionalidade a vendedores e empreendedores. O cálculo do score no Mercado Pago leva em conta mais de 2 mil variáveis, que englobam informações sobre o uso e o histórico do cliente na plataforma, dados compartilhados por meio do Open Finance (com consentimento) e informações de birôs de crédito externos. A plataforma de score também conta com uma assistente pessoal com inteligência artificial (IA), que fornece orientações ao usuário para entender e melhorar sua nota de crédito.

As ferramentas realmente ajudam o consumidor?

Danilo Coelho, diretor de produtos e dados na datatech Quod, considera que essas iniciativas são benéficas e promovem um vínculo mais forte entre os clientes e a instituição financeira. Contudo, ele aponta que o score de crédito dos birôs requer um tempo maior para que alterações consistentes sejam percebidas. Coelho acredita na importância da educação financeira e reforça que, apesar das regras distintas adotadas por cada instituição, os conceitos de um bom comportamento financeiro são universais. “O aprendizado em uma instituição pode ser aplicado nas demais que o cliente utiliza”, afirma.

Desde julho de 2024, não apenas os bancos são obrigados, mas também têm a oportunidade de oferecer ações de educação financeira aos seus clientes. Essa exigência foi estabelecida pela Resolução Conjunta nº 8, que envolve o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional (CMN). É possível encontrar mais detalhes sobre essa norma.

Vilches, da DSOP Educação Financeira, também reconhece que os recursos de score trazem benefícios, contanto que sejam bem administrados. Ela sublinha que a transparência pode ajudar os clientes a entender que o crédito não é um direito automático, mas uma consequência das escolhas financeiras que realizam. Por outro lado, ela enfatiza um ponto crítico: evitar transformar a pontuação em um objetivo em si mesma. “Buscar por pontos, sem estruturar a vida financeira adequadamente, não resolve o problema. O score deve ser uma consequência de hábitos saudáveis, não uma meta isolada.”

A importância do score de crédito

Manter uma boa pontuação de crédito amplia as oportunidades de acesso a financiamentos em condições mais vantajosas, como taxas de juros mais baixas e prazos mais ajustados. Em geral, um score elevado reflete uma organização financeira sólida e a pontualidade nos pagamentos.

Dessa forma, forma-se um ciclo positivo: um comportamento financeiro saudável eleva a pontuação, a pontuação amplia as oportunidades e essas oportunidades são utilizadas de maneira consciente. Contudo, é fundamental não encarar o score como um objetivo final. O que realmente importa é como o crédito é utilizado. “Quando o crédito é usado de forma planejada e com um propósito, ele se transforma em uma ferramenta de crescimento, e não em uma fonte de estresse”, conclui Vilches.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

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