Desempenho dos Grandes Bancos em 2026
Os principais bancos iniciam o ano de 2026 apresentando um desempenho satisfatório, com altas que superam os dois dígitos. O Bradesco (BBDC4), por exemplo, registrou um aumento de 16%, alcançando o patamar de R$ 21,15, nível não visto desde 2022. Já o Banco do Brasil (BBAS3), superou um período difícil enfrentado no setor do agronegócio, com uma valorização de 15%. O Santander (SANB11) viu suas ações crescerem em 7%.
Embora esses ganhos sejam expressivos, surgem questionamentos acerca da sustentabilidade desse crescimento. Existe a preocupação sobre se as ações estão, de fato, supervalorizadas. A ascensão dos títulos pode ser atribuída à fase positiva em que a bolsa se encontra, uma vez que os bancos são frequentemente vistos como instrumentos pelos investidores estrangeiros para acessar o mercado brasileiro.
Segundo análise realizada pelo Itaú BBA, os grandes bancos atualmente negociam um valor ligeiramente superior à média histórica dos últimos cinco anos. Os analistas afirmam que ocorreu uma reavaliação generalizada, mas sem alterações significativas nos lucros ou na perspectiva da taxa de juros. Contudo, ressaltam que os níveis de avaliação não são evidentes, o que pode representar um potencial risco para os investidores.
Análise do Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE)
De acordo com o Itaú BBA, entre os grandes bancos, apenas o Bradesco apresenta um ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) para o exercício fiscal de 2026 que deve superar sua média de cinco anos. Essa performance é um dos fatores que justificam a valorização das ações do banco até o momento. Em contrapartida, o ROE do Santander está alinhado com suas médias históricas, com múltiplos que se encontram acima do ideal, sugerindo que a ação pode estar cara.
O Banco do Brasil, por sua vez, possui um ROE projetado que se situa oito pontos percentuais abaixo das médias históricas, embora seus índices de P/VP (preço sobre valor patrimonial) já reflitam essa condição. Além disso, o Itaú BBA alerta que o Banco do Brasil pode ser o mais impactado em caso de uma correção do mercado, que poderia ser induzida por mudanças nos fluxos de capital. Isso significa que, se os investidores estrangeiros decidirem retirar seus recursos, o rali das ações pode chegar ao fim.
Desempenho no Mercado de Capitais
Focando no BTG (BPAC11), outro banco que teve uma boa performance no ano, com alta de 14%, os analistas estipulam que as ações estão sendo negociadas a um múltiplo de 12 vezes, comparável a uma média de 11,5 vezes nos últimos cinco anos, e com picos de até 18 vezes. O BTG, além disso, destaca-se pelo melhor desempenho em lucros, levando em consideração tanto os resultados dos últimos anos quanto as previsões para o presente ano e as revisões realizadas.
No que tange à B3 (B3SA3), observa-se que a avaliação encontra-se abaixo da média, com um P/L (preço sobre lucro) projetado em 14x. Apesar disso, está mais próxima da média em comparação ao ano anterior. A empresa também mostra um crescimento de lucros levemente acima da média, especialmente ao considerar os anos mais fracos recentemente. Se a tendência macroeconômica se mantiver, isso poderá servir como suporte para uma valorização ainda maior.
A XP (XPBR31), por outro lado, está sendo negociada a 10x, o que, na visão do Itaú BBA, ainda sugere que a ação pode estar ligeiramente descontada em relação à média dos últimos três anos. Contudo, a XP também se posiciona na faixa inferior de crescimento do LPA (Lucro por Ação) projetado para o período.
Preferências de Investimento
Apesar da forte valorização observada, as preferências do Itaú BBA em termos de ações permanecem inalteradas, destacando o Bradesco, BTG, B3 e Nubank (ROXO34) como as escolhas mais favoráveis para explorar o atual bom desempenho da bolsa. O banco acredita que essas instituições possuem um respaldo mais robusto de seus próprios resultados, o que as capacita a enfrentar uma potencial correção do mercado.
No entanto, em contrapartida, devido à falta de mudanças fundamentais relevantes, o Itaú considera que investir em ações de maior valor, como as da XP e do Banco do Brasil, apresenta riscos excessivos, sendo taticamente arriscado neste momento. Para os analistas, a abordagem deve priorizar a qualidade e os resultados, sem a necessidade de inovação na seleção desses papéis.
Fonte: www.moneytimes.com.br

