Banqueiros da Europa alertam que a IA avança mais rápido que a regulamentação – Times Brasil

Desafios da Regulação Financeira na Era da Inteligência Artificial

Autoridades europeias destacam que a regulação financeira enfrenta dificuldades para acompanhar o rápido desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e buscam soluções que fomentem sua adoção, ao mesmo tempo em que tentam mitigar os riscos à integridade e à estabilidade do mercado.

Desafios da Regulação

Nikhil Rathi, CEO da Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido, expressou que o tradicional ciclo de regulamentação “não funciona” em um cenário de rápidas transformações tecnológicas, especialmente com a aceleração do desenvolvimento da IA ativa. Em entrevista ao programa “Squawk Box Europe” da CNBC, ele comentou: “A tecnologia avança incrivelmente rápido e precisamos refletir de maneira diferente sobre algumas das inovações que estamos observando na área da inteligência artificial.”

Rathi destacou os esforços do Conselho de Estabilidade Financeira do Reino Unido em relação à inteligência artificial de ponta, além da criação do Instituto de Segurança de IA, que faz parte de uma iniciativa mais ampla para auxiliar formuladores de políticas, reguladores e empresas na melhor compreensão dos riscos e na adoção segura dessa tecnologia.

Perspectivas sobre a Inteligência Artificial

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, afirmou que a IA representa uma fonte de produtividade e ganhos. No entanto, em entrevista ao jornal francês Les Échos, também alertou que essa tecnologia é passível de um “risco significativo”.

Ela comentou: “Há cerca de uma década, discutimos sobre riscos de cibersegurança, ataques de hackers, roubo de dados e questões correlatas.” Lagarde continuou: “Com a aceleração e o aprofundamento dos modelos de IA, estamos enfrentando um risco muito mais sério, devido à rapidez dos acontecimentos e porque os meios de defesa — e o financiamento necessário para eles — ainda não foram plenamente desenvolvidos.”

Esses comentários surgiram após o impacto da IA na produtividade e na integridade do mercado ter emergido como um dos principais tópicos discutidos durante a reunião anual do BCE realizada em Sintra, Portugal, que se assemelha ao simpósio de Jackson Hole.

Volatilidade no Mercado

Sarah Breeden, vice-governadora do Banco da Inglaterra, apontou que a inteligência artificial com capacidade de ação pode aumentar a volatilidade durante períodos de tensão no mercado. Em sua apresentação em Sintra, na terça-feira, ela mencionou que, atualmente, as empresas de trading utilizam a IA principalmente para tarefas operacionais de menor risco, como pesquisa. “Mas isso pode mudar rapidamente”, alertou Breeden.

Propostas para Supervisão da Inteligência Artificial

O crescimento do uso de IA ativa nos mercados financeiros pode demandar uma supervisão mais rigorosa, mencionou Breeden, que enfatizou a necessidade de mecanismos protetores semelhantes a “disjuntores ou interruptores de segurança”. Esses mecanismos “limitariam ou suspenderiam as negociações em todo o mercado caso modelos de IA com falhas gerassem um colapso do mercado.”

Investimentos em Inovação

No entanto, os principais banqueiros e reguladores também reconhecem que a Europa está atrasada em termos de investimentos na área de IA, assim como no desenvolvimento de empresas inovadoras que são fundamentais para impulsionar avanços significativos.

Boris Vujčić, vice-presidente do Banco Central Europeu, reforçou essa ideia, afirmando que “a Europa se encontra em uma situação em que precisa, é claro, desenvolver suas próprias capacidades na área da inteligência artificial. Tem havido muito debate sobre questões de soberania nesta área. O continente já demonstrou, em outras ocasiões, ser capaz de adotar novas tecnologias para estimular o crescimento da produtividade, mas nem sempre esteve na vanguarda.”

Buscando um Equilíbrio

Rathi afirmou que, em última análise, as autoridades do mercado precisam encontrar um equilíbrio mais eficaz em relação a uma tecnologia que evolui rapidamente. Ele destacou que, embora a inovação tecnológica traga oportunidades empolgantes para o Reino Unido, especialmente em relação aos desafios de produtividade e crescimento, faz-se necessário que os mercados não sejam expostos a riscos que ainda não estão completamente monitorados pelos reguladores.

O CEO da Autoridade de Conduta Financeira observou: “A realidade é que algumas dessas tecnologias agora evoluem em semanas ou meses, e o ciclo tradicional de regulamentação simplesmente não se aplica nesse contexto. Portanto, precisamos refletir sobre novas ferramentas e uma maneira alternativa de colaboração com o mercado, especialmente em relação a crimes financeiros e riscos provenientes da IA, para garantir que cumpramos nosso objetivo de manter a integridade do mercado.”

Rathi finalizou enfatizando: “Não temos a intenção de impedir a adoção da tecnologia, mas devemos ser transparentes quanto à localização dos riscos.”

Fonte: timesbrasil.com.br

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