BBA: Canetas Emagrecedoras Podem “Redesenhar” Setores da Bolsa

Impacto dos Medicamentos GLP-1 no Setor de Saúde

As canetas para emagrecimento, conhecidas como medicamentos da classe GLP-1, vêm rapidamente se transformando em uma parte significativa da economia brasileira. De acordo com um relatório do Itaú BBA, esses fitoterápicos já demonstram impactos consideráveis no setor de saúde, com farmácias sendo as principais beneficiadas. A expectativa é que esses medicamentos também provoquem mudanças de consumo a longo prazo.

O banco ressaltou que essa categoria de medicamentos tem remodelado, de maneira silenciosa, o setor de saúde. O banco acredita que tanto investidores quanto a própria instituição podem ter subestimado essa tendência até recentemente.

Adoção Rápida no Brasil

Segundo a análise da equipe liderada por Rodrigo Gastim, a velocidade de adoção dos medicamentos GLP-1 no Brasil é considerada “impressionante”, e deve se acelerar ainda mais com o fim da patente da semaglutida, que está previsto para o primeiro semestre de 2026. O país apresenta condições excepcionais para o crescimento do mercado, já que aproximadamente 70% da população adulta sofre de obesidade ou sobrepeso, combinado com uma forte pressão cultural relacionada à estética.

“Nossa análise posiciona o Brasil como o segundo maior mercado global em procedimentos estéticos, e o primeiro quando ajustado pela população adulta,” ressalta o Itaú BBA.

No cenário traçado pela instituição, é difícil imaginar que o mercado de GLP-1 no Brasil não chegue a aproximadamente 15 milhões de usuários e a um faturamento de R$ 50 bilhões até 2030, considerando que o mercado atual está estimado em R$ 10 bilhões.

Benefícios para as Redes de Farmácias

Com a ampliação do mercado de medicamentos GLP-1, as principais redes de farmácias serão as mais beneficiadas. Conforme apontado pelo Itaú BBA, esses medicamentos podem vir a representar cerca de 20% das receitas da Raia Drogasil (RADL3), Pague Menos (PGMN3) e Panvel (PNVL3) até 2030, em comparação a 8% ou 9% atualmente.

Os modelos de análise do banco consideram a introdução da versão genérica da semaglutida no mercado durante o segundo semestre de 2026. Essa mudança deve resultar em uma diminuição nos preços ao consumidor, mas também um aumento nas margens de lucro para as redes de farmácias.

Apesar dos custos altos, que para a versão genérica estão estimados em pelo menos US$ 52 mensais, a escala, capilaridade e capacidade de negociação das grandes redes devem favorecer seu crescimento. Neste cenário, a Raia Drogasil aparece como a companhia de maior destaque, mostrando a possibilidade de um aumento de até 12% no lucro por ação em 2027 devido ao incentivo dos medicamentos GLP-1.

Impacto sobre a Indústria Farmacêutica

O relatório do Itaú BBA enfatiza que a perda da exclusividade da semaglutida não resultará em uma guerra de preços imediata. A primeira fase do mercado deve ser dominada por genéricos de marca, o que ajudará a atenuar a redução acentuada nos preços.

Segundo as projeções do banco, a expectativa é de uma queda aproximada de 30% no primeiro ano após o término da patente, com a possibilidade de atingir 50% na totalidade ao longo de cinco anos.

A inovação no setor farmacêutico segue a todo vapor. Novas moléculas, como o Mounjaro (tirzepatida), já demonstraram maior eficácia e menos efeitos colaterais em comparação à semaglutida. Além disso, compostos em estágio de desenvolvimento, como a retatrutida, prometem ajudar na preservação da massa muscular. A inclusão de formulações orais também tende a aumentar a conveniência e a adesão ao tratamento.

No setor farmacêutico brasileiro, a empresa Hypera (HYPE3) se destaca como a mais bem posicionada para capitalizar a transição após a perda da patente. Com a previsão de um mercado de R$ 8,4 bilhões para genéricos de GLP-1 em 2027 e uma previsão de captura de 15% desse mercado, o Itaú BBA antecipa um aumento de cerca de 10% nas receitas e lucros da companhia nesse ano.

Alterações nos Padrões de Consumo

Em relação ao consumo, a ascensão dos medicamentos GLP-1 tende a provocar mudanças nos hábitos alimentares dos consumidores, embora, em um primeiro momento, os efeitos sejam moderados. Estudos incluídos no relatório mostram que os pacientes em tratamento podem reduzir sua ingestão calórica diária em até 40%, com um impacto maior em categorias de alimentos considerados indulgentes, como petiscos, produtos de panificação doce, alimentos ricos em carboidratos e bebidas alcoólicas.

Por outro lado, o relatório menciona que as proteínas devem ser os “vencedores relativos”, uma vez que os pacientes são aconselhados a aumentar a ingestão proteica para evitar a perda de massa muscular. No entanto, o Itaú BBA evita fazer previsões financeiras específicas para esse setor, observando que os efeitos positivos devem se concretizar ao longo do longo prazo.

Fonte: www.moneytimes.com.br

Related posts

Ibovespa teve fechamento negativo em meio a tensões no Oriente Médio, expectativa em torno da Vale e acentuada queda da Rede D’Or.

Michelle não deveria ter gravado aquele vídeo, foi uma demonstração de imaturidade, afirma Eduardo Bolsonaro.

IGP-M registra queda de 1,11% na segunda prévia de julho, impulsionada pela desvalorização dos preços ao produtor

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais