O Banco Central decidiu manter em sigilo interno a sua decisão de liquidar o Banco Master, limitando previamente o acesso a essa informação devido a temores relacionados a possíveis vazamentos. Essa medida, segundo Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização da autarquia, foi mencionada em um depoimento à Polícia Federal, onde ele destacou a importância de evitar que a informação chegasse ao conhecimento do banco antes da execução da decisão.
De acordo com Aquino, existia uma circulação antecipada de informações relativas ao Banco Master dentro do Banco Central. Isso incluía análises, decisões e rascunhos de votos, conforme registrado em seu depoimento à PF no dia 25 de maio, o qual foi obtido pelo jornal Estadão.
Aquino foi ouvido como testemunha em uma investigação que apura suspeitas envolvendo dois servidores associados à fiscalização do Banco Master, nomeadamente Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Leia também: Defesa de Jaques Wagner cita problemas técnicos para justificar adiamento de depoimento
Informação restrita no Banco Central
O diretor afirmou que Belline e Paulo Sérgio não foram informados sobre a decisão de liquidar o Banco Master antes que ela fosse executada. Segundo o relato do Estadão, apenas um número reduzido de indivíduos dentro do Banco Central teve conhecimento sobre a medida antes de sua implementação.
Aquino esclareceu que a restrição de informações não era motivada por suspeitas específicas em relação aos dois servidores, mas sim por uma preocupação mais ampla com a circulação antecipada de informações relacionadas ao banco.
Ele afirmou que decisões, análises e até minutas de votos eram frequentemente divulgadas a instituições sob fiscalização, bem como à mídia, antes da formalização dos processos. A identidade dos responsáveis pelos vazamentos não foi identificada até o momento.
Suspeitas sobre funcionários
No mesmo depoimento, Aquino mencionou que foi convocado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no dia 7 de janeiro de 2026, para discutir informações sobre alegações de pagamentos envolvendo Belline e Paulo Sérgio, bem como indivíduos associados ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A reunião também contou com a presença do procurador do Banco Central, Cristiano Cozer.
Após receber essas informações, Aquino convocou os dois servidores para que prestassem esclarecimentos sobre as suspeitas.
Belline relatou ter recebido R$ 2 milhões por um trabalho de consultoria feito para o empresário Leonardo Palhares. Já Paulo Sérgio informou que vendeu um imóvel rural em Minas Gerais por R$ 4,5 milhões a uma pessoa ligada a Vorcaro.
Após os relatos, o Banco Central decidiu abrir um procedimento na corregedoria e afastou os dois servidores mencionados.
As defesas de Belline e Paulo Sérgio negam qualquer prática irregular.
A defesa de Paulo Sérgio alega que a venda do imóvel foi legítima, teve declaração às autoridades fiscais e não estava vinculada a qualquer vantagem indevida. Eles argumentam que o servidor agiu tecnicamente na fiscalização do Banco Master e, além disso, defendia a liquidação da instituição internamente.
A defesa de Belline afirma que ele nunca recebeu pagamentos de Daniel Vorcaro ou do Banco Master e que não tomou decisões benéficas à instituição.
Reunião com Vorcaro antes da liquidação
Aquino também relatou que Daniel Vorcaro insistiu em realizar uma reunião com a Diretoria de Fiscalização a fim de apresentar uma proposta de venda do Banco Master para o grupo Fictor, em parceria com investidores árabes.
A videoconferência aconteceu no dia 17 de novembro de 2025. Segundo as declarações de Aquino, a decisão de liquidar o Banco Master já havia sido tomada naquele período.
O diretor informou que encerrou a reunião sem se comprometer com Vorcaro e manteve em sigilo os preparativos para a liquidação. De acordo com seu depoimento, o banqueiro seria informado somente quando as equipes do Banco Central estivessem prontas para aplicar a medida.
Aquino revelou à Polícia Federal que chegou a desconfiar que Vorcaro poderia ter tomado conhecimento da liquidação antecipadamente, mas não tinha certeza disso.
Tentativas de contato com o Banco Central e com Gabriel Galípolo para obter comentários sobre o caso não tiveram retorno por parte das autoridades envolvidas.
Fonte: timesbrasil.com.br

