## Corte na Taxa Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (28), realizar um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros do Brasil, fazendo com que a Selic atingisse 14,5% ao ano.
### Decisão Unânime
A decisão, que foi unânime, está em linha com as expectativas do mercado, que se mostraram em deterioração desde o início da guerra no Oriente Médio, ocorrida há aproximadamente dois meses.
### Ambiente Externo Incerto
Em seu comunicado, o Copom destacou que “o ambiente externo permanece incerto”, expressando preocupação com “a indefinição sobre a duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com impactos nas condições financeiras globais”. O colegiado também afirmou que “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes, em um ambiente caracterizado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”. Apesar dessas dificuldades, o Copom determinou que “julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária”.
### Efeitos da Taxa Elevada
O comitê avaliou que o “período prolongado” de juros elevados está gerando consequências na desaceleração da atividade econômica. O comunicado ressaltou que este cenário propicia condições para que ajustes possam ser realizados no ritmo do ciclo de cortes. Além disso, o BC acrescentou que a maneira como a política monetária foi conduzida oferece espaço para definir a “extensão” da calibração da política monetária.
### Ajustes e Inflação
O BC observou que “o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar um nível compatível com a convergência da inflação à meta”.
## Projeção de Inflação
O Banco Central reevaluou suas expectativas quanto à inflação, agora prevendo um aumento de preços de 4,6% para 2026, superando o teto da meta estabelecida pela autoridade monetária. Anteriormente, a instituição projetava que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficaria em 3,9% para este ano.
## Perspectivas do Mercado
Em relação às expectativas do mercado, o boletim Focus mostra que, apesar de os investidores enxergarem espaço para novas reduções de juros ao longo do ano, as perspectivas para a Selic e a inflação têm se deteriorado, com agentes econômicos prevendo que a taxa básica do país se mantenha em um nível superior ao inicialmente esperado.
### Ambiente Externo e Impactos
Na última decisão sobre a taxa de juros, ocorrida em 18 de março, na qual o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, a primeira redução desde maio de 2024, a diretoria do BC já havia mencionado que “o ambiente externo tornou-se mais incerto”. O colegiado indicou que monitoraria o impacto do conflito sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam a inflação brasileira, tanto de forma direta como indireta.
## Copom Desfalcado
Geralmente composto por nove membros, a reunião do Copom nesta quarta-feira teve três desfalques. Isso porque o comitê já está com dois integrantes a menos, em decorrência da saída de Diogo Guillen, da diretoria de Política Econômica, e de Renato Gomes, da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
Os diretores Paulo Picchetti, responsável por Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, e Gilneu Vivan, encarregado de Regulação, estão acumulando as funções até que as vagas sejam preenchidas. A terceira ausência foi notificada pelo Banco Central na terça-feira (28), informando que o diretor de Administração da instituição, Rodrigo Alves Teixeira, não participou da reunião do Copom devido ao falecimento de um familiar de primeiro grau. Com a ausência de Teixeira, a votação contou com a participação de seis diretores.
Em atualização…
Fonte: www.cnnbrasil.com.br