Banco Central pode acelerar cortes na taxa Selic
O Banco Central pode ter condições de intensificar o ritmo de reduções da taxa Selic em até 0,50 ponto percentual durante o ciclo, após um início mais cauteloso. Essa análise faz parte da atualização de cenário realizada pelo Banco Daycoval, que, no momento, mantém a expectativa de um próximo ajuste de 0,25 ponto percentual, seguido de cortes mais significativos posteriormente, prevendo que a taxa básica termine 2026 em 12%.
A potencial aceleração, no entanto, não ocorrerá de forma linear. Ela está sujeita a um roteiro delicado, que requer uma desaceleração mais evidente da inflação vigente, a abertura do hiato do produto e, principalmente, alguma redução nos choques recentes, como o aumento dos preços do petróleo. Na ausência desses fatores, o BC deverá manter uma postura conservadora, mesmo que a economia comece a mostrar sinais de perda de tração.
Inflação sobe e adiciona ruído ao cenário
O contexto econômico tornou-se mais nebuloso. O banco revisou sua projeção de inflação para 2026, passando de 3,8% para 4,2%, com viés de alta. Essa revisão reflete surpresas em itens voláteis, como alimentos e passagens aéreas, além do impacto de preços de petróleo mais elevados e da crescente probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre.
Para 2027, a revisão também foi para cima, alterando-se de 3,4% para 3,6%, o que sugere que o processo de convergência em direção à meta poderá ser mais lento e apresentar mais percalços. Esse cenário impacta as expectativas, deixando-as desancoradas e limitando o espaço de ação do Banco Central.
Petróleo vira peça-chave do tabuleiro
A escalada do conflito no Oriente Médio adicionou um elemento extra de incerteza, afetando diretamente os preços de energia. Caso o preço do Brent atinja uma média de US$ 120, o banco estima um incremento de US$ 6,5 bilhões na balança comercial brasileira, equivalente a cerca de 0,3 ponto percentual do PIB.
Entretanto, a relação entre esses fatores não é linear. O mesmo choque que pode beneficiar o setor externo também pode pressionar a inflação global, tornando as condições financeiras mais rigorosas e atrasando o ciclo de cortes de juros, tanto no Brasil quanto em outras economias.
Atividade perde fôlego, mas sem colapso
A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em 1,9%, com um panorama de riscos balanceado. Os dados mais recentes indicam uma alteração na composição da atividade econômica: setores mais cíclicos, como indústria e serviços, estão apresentando ganho de tração, ao passo que segmentos menos sensíveis às flutuações cíclicas estão perdendo força.
No que diz respeito ao mercado de trabalho, a expectativa é de uma desaceleração gradual, prevendo-se uma taxa de desemprego de 5,6% ao final do período. Apesar disso, a combinação de uma baixa taxa de participação e a escassez de mão de obra em diversos setores mantém os rendimentos sob pressão — esse é um fator que continua a estar no foco das atenções no que tange à inflação.
Fonte: www.moneytimes.com.br