BCE sinaliza alerta sobre inflação devido à alta dos preços de energia.

BCE sinaliza alerta sobre inflação devido à alta dos preços de energia.

by Fernanda Lima
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Decisão do BCE sobre a taxa de juros

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter a taxa básica de juros em 2% nesta quinta-feira, dia 19. Entretanto, os responsáveis pela política monetária indicam que esperam discutir possíveis aumentos nos próximos meses, especialmente em decorrência do impacto que a guerra no Irã está causando sobre a inflação na zona do euro.

Efeitos da guerra no Irã sobre os preços

Desde que começaram os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, os preços do petróleo e do gás aumentaram significativamente. Essa elevação no custo da energia apresenta um risco real de que os preços ao consumidor sejam impactados negativamente, prejudicando a atividade econômica em um bloco monetário que abrange 21 países e que é dependente de combustíveis importados.

O BCE declarou que “a guerra no Oriente Médio terá um impacto significativo sobre a inflação no curto prazo por meio de preços mais altos da energia.” As implicações para o médio prazo vão depender tanto da intensidade e duração do conflito quanto de como os preços da energia afetarão a economia e os preços ao consumidor.

Se o conflito não for resolvido rapidamente, os formuladores de política do BCE devem iniciar discussões sobre aumentos nas taxas de juros em abril, com uma possível ação na reunião subsequente em junho, segundo informações de três fontes da Reuters.

A expectativa é de que um aumento nas taxas durante a reunião do BCE nos dias 29 e 30 de abril demandaria uma elevação ainda maior nos preços da energia. Uma das fontes mencionou que um preço do petróleo em torno de US$ 200 por barril poderia servir como um sinal. Na quinta-feira, o preço do petróleo Brent, referência global, alcançou US$ 119 por barril.

Além disso, o BCE acrescentou que, em um cenário extremo onde o petróleo atingisse quase US$ 150 por barril até junho, seria necessária uma “política monetária mais restritiva.”

Resiliência da zona do euro

Durante a coletiva de imprensa sobre a decisão tomada, a presidente do BCE, Christine Lagarde, evitou repetir seu discurso habitual sobre o banco central estar “em boa posição.” Em vez disso, ela enfatizou que a zona do euro apresenta resiliência, e a inflação controlada a coloca em boa situação para enfrentar o que classificou como um “grande choque que está se desenrolando.”

Lagarde afirmou que a instituição parte de uma “boa posição” e que está preparada para demonstrar sua capacidade de implementar estratégias e se adaptar conforme necessário. Ela ressaltou que os formuladores de políticas estão atentos aos movimentos nos mercados de energia e commodities e ao impacto desses movimentos nas demandas salariais, no comportamento do consumidor e na definição de preços pelas empresas.

Os bancos centrais de países como Estados Unidos, Canadá, Japão, Grã-Bretanha, Suécia e Suíça também emitiram mensagens semelhantes em seus discursos recentes, enfatizando a vigilância sobre os impactos da situação atual nos mercados.

A expectativa dos mercados financeiros é que a inflação na zona do euro suba e se aproxime de 4% no próximo ano, o que exigiria um período considerável para retornar à meta de 2% estabelecida pelo BCE.

Os operadores estão considerando que poderá haver duas ou três elevações nas taxas até dezembro, mesmo que a maioria dos economistas não preveja alterações tão promissoras, imaginando que o BCE não aceitará um novo pico inflacionário impulsionado pela guerra, especialmente após a crise gerada pela invasão da Ucrânia em 2022.

Com a decisão anunciada na quinta-feira, o BCE mantém sua taxa de juros de referência em 2%, um nível que se alinha aproximadamente à inflação registrada em fevereiro, antes que os ataques ao Irã se iniciassem no dia 28 do mesmo mês.

Aprendizados do passado

De acordo com as teorias econômicas, os bancos centrais devem ignorar restrições temporárias na oferta, como o fechamento atual do Estreito de Ormuz, que foi destacado por uma declaração do Banco de Compensações Internacionais esta semana.

No entanto, muitos tomadores de decisão do BCE sentem que a guerra no Irã reavivará lembranças do aumento da inflação que se seguiu ao ataque em grande escala da Rússia à Ucrânia. O BCE, inicialmente, havia considerado essa situação como transitória, mas a necessidade de elevar significativamente os custos de empréstimos ocorreu sob um clima de críticas por uma resposta tardia.

Lagarde comentou que, naqueles quatro anos, a instituição aprendeu com as experiências passadas. Hoje, as taxas de juros são mais altas, a inflação está em níveis mais baixos e o mercado de trabalho não apresenta as mesmas condições superaquecidas que existiam há quatro anos, quando a economia tentava se reerguer após a pandemia da COVID-19. “Acho que agora entendemos melhor o mecanismo de transmissão para efeitos indiretos e de segunda ordem,” afirmou.

Os investidores já se antecipam a um aumento do endividamento público como resposta à crise no Irã, fator que se soma aos planos da Alemanha de emitir mais títulos de dívida, a fim de ampliar os investimentos nas forças armadas e na infraestrutura.

Essa situação pode contribuir para uma nova alta na inflação e já elevou os custos de financiamento no mercado de títulos antes mesmo de qualquer aumento nas taxas pelo BCE.

Lagarde aproveitou para enfatizar que os governos devem agir com prudência. Ela destacou que “quaisquer respostas fiscais ao choque de preços da energia devem ser temporárias, direcionadas e adaptadas.”

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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