BCs mantêm alternativas em meio às incertezas provocadas pela guerra

BCs mantêm alternativas em meio às incertezas provocadas pela guerra

by Fernanda Lima
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Principais Bancos Centrais Mantêm Taxas de Juros

Os principais bancos centrais de mercados desenvolvidos não alteraram as taxas de juros nesta semana, mas reiteraram a disposição de tomar medidas para controlar a inflação, caso o choque energético resultante do conflito entre Israel e Estados Unidos e o Irã provoque um aumento generalizado nos preços.

Desde que a guerra começou, os operadores diminuíram suas expectativas quanto a um afrouxamento monetário por parte do Federal Reserve (Fed) para este ano, além de precificarem aumentos de juros por outras autoridades monetárias, como o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra.

O Banco Central da Austrália, que já se encontra em uma trajetória de alta, elevou novamente as taxas de juros esta semana.

Classificação dos Bancos Centrais por Taxa de Juros

A seguir, apresentamos a situação dos dez principais bancos centrais de mercados desenvolvidos, organizados da taxa de juros mínima para a máxima.

Austrália

Na terça-feira, dia 17, o Banco Central da Austrália elevou a taxa de juros pela segunda vez consecutiva, agora para 4,1%. O banco alertou sobre um risco “material” de inflação em decorrência do conflito. O núcleo da inflação alcançou um patamar máximo em 16 meses, estabelecendo-se em 3,4% em janeiro, e tende a aumentar. As expectativas do mercado indicam que podem haver pelo menos mais dois, potencialmente três, aumentos de juros ainda este ano, o que faria com que as taxas superassem o pico verificado no final de 2023.

Noruega

O Norges Bank se reunirá na próxima semana. A inflação persistente levou o banco a ser considerado um dos mais cautelosos entre os bancos centrais de mercados desenvolvidos, tendo cortado a taxa de juros apenas duas vezes no ano passado, em comparação à taxa máxima de 4,5% registrada no final de 2023. As expectativas do mercado apontam para um aumento como o próximo movimento, sendo que um aumento já está totalmente precificado até agosto.

Reino Unido

Na quinta-feira, dia 19, o Banco da Inglaterra decidiu manter a taxa de juros em 3,75%. O comunicado emitido após a reunião foi interpretado por operadores como hawkish, levando a uma possibilidade de 50% de um incremento de 25 pontos-base até abril, e talvez até três aumentos até o encerramento do ano. O banco ressaltou que está atento ao risco de que expectativas de inflação mais elevadas se consolidem na economia. Embora tenha reconhecido os riscos de desaceleração econômica, enfatizou que a inflação alta representa um risco maior.

Estados Unidos

O Federal Reserve manteve a taxa de juros na quarta-feira, dia 18, na faixa de 3,50% a 3,75%. Contudo, o tom hawkish do presidente Jerome Powell fez com que operadores ajustassem suas expectativas de cortes de juros para 2027. O Fed realizou seu último corte em dezembro. Antes do início da guerra, os mercados precificavam duas reduções de 25 pontos-base para este ano; atualmente, a expectativa é de que haja quase nenhuma chance de alteração. Embora o banco central tenha mantido projeções anteriores de cortes em 2026, reviu suas previsões para uma inflação mais elevada neste ano em comparação ao que havia sido indicado anteriormente.

Powell destacou que existem desafios significativos para controlar a inflação, mencionando os aumentos nos preços que ocorrem devido a tarifas e à elevação nos custos de energia causada pela guerra no Oriente Médio. Ele afirmou que o Fed pode não ser capaz de considerar este último fator como um choque temporário.

Nova Zelândia

O Banco Central da Nova Zelândia se reunirá no início de abril. Durante 2024 e 2025, o banco cortou a taxa de juros de maneira mais agressiva que a maioria dos outros, agora estabelecida em 2,25%. Mesmo assim, as expectativas de mercado indicam que o próximo movimento será um aumento, com três altas previstas até o final do ano.

Canadá

O Banco Central do Canadá decidiu manter a taxa de juros em 2,25% na quarta-feira, dia 18, conforme esperado. No entanto, o presidente Tiff Macklem advertiu que o banco está preparado para aumentar os custos dos empréstimos se houver risco de que os aumentos nos preços da energia se transformem em uma inflação persistente. A taxa básica de juros tem sido mantida desde outubro. O mercado prevê, no mínimo, um aumento de 25 pontos-base até o final do ano, embora não considere isso provável antes do terceiro trimestre.

Zona do Euro

Na quinta-feira, dia 19, o Banco Central Europeu manteve as taxas de juros inalteradas, como já era esperado. Contudo, fontes afirmaram à Reuters que pode ser necessário iniciar discussões sobre aumentos em abril e promover um aperto monetário em seguida. Os bancos revisaram suas previsões para o BCE e os mercados agora esperam mais de dois aumentos de 25 pontos-base na taxa de depósito de 2% do banco ao longo deste ano, com a crença de que as autoridades farão movimentos mais rápidos desta vez, após serem criticadas por sua lentidão em relação à inflação alta em 2021/2022.

Suécia

O Banco Central da Suécia optou por manter a taxa básica de juros em 1,75% na quinta-feira, dia 19, sinalizando também a presença de elevada incerteza. Os mercados estão precificando aumentos adicionais da taxa de juros para este ano.

Japão

Na mesma quinta-feira, o Banco do Japão manteve a taxa em 0,75%, a mais alta em três décadas. O presidente Kazuo Ueda indicou que o foco da diretoria está mais voltado para os riscos de inflação alta do que para os riscos de crescimento que podem advir do conflito. Isso mantém as expectativas do mercado sobre um aumento de juros no curto prazo. As declarações de Ueda levaram à valorização do iene.

Suíça

O Banco Nacional da Suíça manteve a taxa básica de juros em 0% na quinta-feira, dia 19, a mais baixa entre os principais bancos centrais, e sinalizou sua prontidão para intervir a fim de conter a recente valorização do franco suíço, que está sendo negociado perto do maior valor em 11 anos em relação ao euro. A inflação na Suíça atingiu 0,1% em março. A valorização do franco pode pressionar a inflação para abaixo da meta de 0%-2% estabelecida pelo Banco Central.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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