Potencial Avanço da Revolution Medicines
A Revolution Medicines pode estar à beira de um avanço significativo. A empresa aguarda a divulgação dos resultados de um estudo de Fase 3 de seu medicamento experimental, que pode se tornar o primeiro tratamento direcionado para o câncer de pâncreas, considerado o mais letal entre os principais tipos de câncer. Somente 13% das pessoas diagnosticadas com câncer de pâncreas conseguem sobreviver por mais de cinco anos, uma taxa que não teve alterações significativas, mesmo com as melhorias observadas em outros tipos de câncer, devido a novas terapias, como a imunoterapia. A expectativa em torno de um novo tratamento elevou as ações da RevMed em praticamente 185% no último ano, tornando-a um alvo atraente para aquisições.
Segundo o analista da RBC Capital Markets, Leonid Timashev: "Isso é incrivelmente importante. Médicos descreveram isso como um potencial marco no tratamento do câncer de pâncreas".
Declarações de Ben Sasse
A RevMed ganhou destaque esta semana quando o ex-senador Ben Sasse revelou ao The New York Times que está fazendo uso do medicamento da empresa, daraxonrasib. Sasse anunciou, no final do ano passado, que havia sido diagnosticado com câncer de pâncreas em estágio 4 e lhe foi dado um prazo de três a quatro meses de vida.
Sasse mencionou ao jornal que seus tumores diminuíram 76% desde que começou o tratamento, mas o classificou como um "medicamento desagradável" que causa efeitos colaterais intensos, como erupções cutâneas. O aspecto sanguinolento e descamativo de seu rosto levou o entrevistador a comentar que Sasse parecia "terrível".
O Funcionamento do Medicamento
O comprimido diário da RevMed tem como alvo amplo as mutações de RAS, que são responsáveis pelo crescimento tumoral e estão presentes em cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas. Timashev descreve o medicamento da RevMed como atingindo o cerne do que faz o câncer avançar.
Entretanto, essa característica pode ser tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. As proteínas RAS estão presentes em diversas partes do corpo, especialmente na pele. O medicamento da RevMed não distingue entre a versão mutada e a normal, resultando em efeitos colaterais desagradáveis, como os vivenciados por Sasse.
A RevMed afirmou que a maioria dos casos de erupções cutâneas foi de grau baixo, e nenhum paciente interrompeu o tratamento por conta disso. A empresa também acrescentou que relatos de erupções com sangramentos foram descritos de forma anedótica por investigadores de testes clínicos e são considerados raros.
Adaptação ao Tratamento e Resultados
Inicialmente, a RevMed não tinha certeza se as pessoas conseguiriam suportar o daraxonrasib devido à sua ação ampla contra todas as formas de RAS, conforme explicou o CEO Mark Goldsmith. A companhia começou com uma dose "muito, muito baixa" e a aumentou gradualmente.
Goldsmith comentou: "Nós nos preocupamos em cada aumento de dose". Em cada reunião, quando a equipe se preparava para aumentar a dose, um grupo de executivos sentava-se em uma sala de conferências, segurando a cabeça em suas mãos, pensando: "Isso vai dar certo? Podemos ir mais alto?".
Os cientistas da empresa previram que a 80 miligramas, os tumores começariam a encolher, e Goldsmith afirmou que "eles haviam realizado a ciência para prever isso, e foi exatamente o que aconteceu". Ao ver o primeiro tumor do paciente encolher, a equipe se surpreendeu com a precisão de suas previsões.
Necessidade de Aprovação da FDA
No entanto, a demonstração de que o medicamento pode diminuir tumores provavelmente não será suficiente para garantir a aprovação da Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Goldsmith mencionou que a agência deixou claro, tanto em comunicações privadas quanto públicas, que a RevMed precisa comprovar que o daraxonrasib pode aumentar a sobrevivência dos pacientes, algo conhecido na comunidade médica como demonstrar um benefício à sobrevivência geral.
A magnitude desse benefício poderá ter implicações significativas para a extensão de uso do medicamento e a reação das ações da empresa aos dados de fase avançada. A RevMed espera compartilhar dados, ainda neste trimestre, de um estudo de Fase 3 que compara seu comprimido com a quimioterapia em pacientes cujo câncer se espalhou e que já se submeteram a um outro tratamento.
Expectativas do Mercado
Os analistas da RBC Capital Markets delinearam suas expectativas em uma nota enviada a clientes na sexta-feira, prevendo que as ações da RevMed subirão entre 25% e 40% se o medicamento demonstrar um benefício de sobrevida geral superior a 13 meses e diminuir o risco de mortalidade pela metade em comparação com a quimioterapia. Timashev considerou que a falha do medicamento no ensaio de Fase 3 seria uma "incrível decepção", mas também acredita que esse desfecho é improvável. Na visão dele, um risco mais provável é que o medicamento não apresente o benefício que os investidores estão esperando.
Parte do recente aumento nas ações da RevMed se deve à especulação sobre uma possível aquisição, com relatos de que a Merck estava considerando um negócio no início do ano.
Goldsmith declarou que a RevMed não se deixa levar por "ruídos externos" e está focada em desenvolver a companhia. "Sabemos que as empresas farmacêuticas estão altamente interessadas no que fazemos", afirmou. "Elas estão tentando copiá-lo ou estão tentando adquiri-lo. E essas conversas vão acontecer ao nosso redor. Às vezes surgirão rumores. O que podemos dizer? Não estamos realmente focados em como levar a empresa para as mãos de outros, mas sim em como fazer a maior diferença".
Fonte: www.cnbc.com


