Bessent aumenta recompra de títulos longos dos EUA com a alta das taxas de juros.

Medidas de Apoio do Tesouro dos EUA

O Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (19), um pacote de medidas de apoio para títulos de longo prazo, buscando conter a alta dos rendimentos, que gerou apreensão entre investidores globais.

Recompra de Títulos de Longo Prazo

A decisão de aumentar o volume de recompra de títulos a longo prazo para US$ 4 bilhões por operação foi uma resposta a uma significativa onda de vendas que fez os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 30 anos atingirem o nível mais alto desde 2007. O aumento ocorreu em meio a preocupações sobre uma potencial escalada do conflito entre os EUA e Israel com o Irã, além de preocupações sobre a deterioração das finanças públicas do país.

Rendimentos mais altos impactam diretamente os custos de empréstimo, afetando famílias, empresas, mercados financeiros e o orçamento federal. Na quarta-feira, a dívida pública total superou a marca de US$ 40 trilhões.

Opiniões de Especialistas

Dan Gottlander, chefe global de negociação de swaps de USD e CAD do Citi, afirmou que a medida poderá ter um impacto significativo no longo prazo. Contudo, ele ressaltou que o Tesouro dos EUA poderá ser forçado a emitir mais dívida de curto prazo. “Obviamente, isso não altera os déficits, e se você vai recomprar títulos de longo prazo, ainda precisará emitir novos”, afirmou.

Detalhes das Recompras

O Tesouro inicialmente tinha planejado um volume de recompra de US$ 2 bilhões, que agora será dobrado. As operações afetarão os títulos com vencimento entre 10 e 30 anos e estarão em vigor de 9 de setembro a 4 de novembro, conforme comunicado oficial do departamento.

Na terça-feira, os rendimentos haviam subido, mesmo após uma operação de recompra planejada naquele dia, totalizando US$ 2 bilhões. O rendimento dos títulos com vencimento em 30 anos chegou a 5,34%, um pico não visto em 19 anos, mas posteriormente caiu para 5,184% após o anúncio de novas medidas pelo Tesouro.

Objetivo das Ações

De acordo com o comunicado, essa elevação no volume das operações de recompra visa proporcionar maior liquidez em setores nominais de longo prazo, onde existe um sólido suporte do mercado. O presidente Donald Trump também se pronunciou, garantindo que os americanos não devem se preocupar com as oscilações no mercado de títulos.

Pressões no Mercado de Dívida

Analistas de mercado argumentam que a ação do Tesouro demonstra uma sensibilidade às pressões do setor de dívida, que pode se tornar mais problemática ao aumentar os custos de empréstimo, mantendo as taxas de hipoteca elevadas e arriscando distorções mais amplas no mercado financeiro.

Rene Albrecht, analista sênior do DZ Bank na Alemanha, destacou que o Tesouro teme as repercussões negativas de juros de 5% ou mais a longo prazo. Essas taxas não apenas aumentam os custos com juros para o governo, mas também para o setor privado, especialmente em um período eleitoral iminente.

Na quarta-feira, o rendimento do título de referência do Tesouro americano com vencimento em 10 anos também caiu, retraiu cerca de 6 pontos-base, atingindo 4,66%.

Ações do Secretário do Tesouro

Esta foi a segunda vez neste mês que Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, interveio para tentar estabilizar o mercado. Anteriormente, em 1º de agosto, ele se juntou ao Japão em uma intervenção focada no mercado cambial, visando inverter a queda do iene em relação ao dólar norte-americano.

Analistas da Evercore ISI comentaram que Bessent está demonstrando sua habilidade tática como secretário do Tesouro. No entanto, a eficácia das medidas permanece em questionamento, pois o Tesouro ainda precisa financiar uma quantidade significativa de dívidas que estão prestes a vencer.

Fundamentos da Dívida Pública

O novo aumento de US$ 2 bilhões é, comparativamente, uma fração minúscula dos US$ 32,2 trilhões do mercado de títulos do Tesouro dos EUA e dos aproximadamente US$ 5,5 trilhões em títulos de 20 e 30 anos em circulação. Em 31 de julho, existiam cerca de US$ 16,2 trilhões em títulos do Tesouro não vencidos, com prazos que vão de dois a dez anos.

Nos últimos dois anos, o Tesouro tem realizado recompras programadas de títulos mais antigos antes de suas datas de vencimento, a fim de oferecer suporte à liquidez para esses títulos.

Próximas Recomendas

A próxima operação de recompra de títulos com vencimento em 20 e 30 anos está agendada para 24 de setembro, enquanto uma recompra de títulos de 10 a 20 anos está marcada para 10 de setembro. No anúncio trimestral de refinanciamento, o Tesouro informou que recompraria até US$ 69 bilhões em títulos do Tesouro de todos os vencimentos entre 6 de agosto e 5 de novembro.

Outras operações de recompra, incluindo mais três de títulos de 20 a 30 anos e quatro de títulos de 10 a 20 anos, estão programadas, elevando o total máximo de recompras para US$ 83 bilhões. A atuação do Tesouro buscou transmitir confiança aos investidores, sinalizando a disposição para agir em resposta às flutuações do mercado.

Anshul Sharma, diretor de investimentos da Savvy Wealth em Nova York, comentou que, embora as medidas não solucionem os problemas fundamentais relacionados aos déficits, inflação ou à oferta de títulos do Tesouro, elas oferecem uma pausa e indicam que o Tesouro possui ferramentas ao seu dispor, prontas para serem utilizadas conforme as condições do mercado exigirem.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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