Reunião entre EUA e China
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, confirmou que se reunirá pessoalmente na próxima semana com autoridades chinesas, incluindo o vice-primeiro-ministro He Lifeng, para discutir a guerra comercial entre os dois países. Bessent relatou que já havia conversado por telefone com o vice-primeiro-ministro na sexta-feira, dia 17, e que as negociações sobre as tarifas prosseguirão em um local ainda não divulgado.
Discussão sobre Comércio
Em um comunicado publicado em seu perfil no Twitter, Bessent afirmou que teve discussões francas e detalhadas com He sobre o comércio entre Estados Unidos e China. Ele reiterou que ambos se encontrariam pessoalmente na próxima semana para continuar o diálogo.
Tarifas Comerciais
No início de outubro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de uma taxa adicional de 100% sobre produtos chineses a partir de 1° de novembro, somando-se às tarifas de 30% já em vigor. Posteriormente, Trump reconheceu que a taxa anunciada "não é sustentável", mas justificou sua decisão afirmando que a China "me forçou a fazer isso".
Em resposta, Pequim caracterizou a postura de Trump como "discriminação comercial" e pediu que Washington respeite as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Após ter cancelado um encontro agendado, Trump recuou e declarou que tem a intenção de se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, para discutir o assunto.
Relação com a China
Trump expressou otimismo em relação ao relacionamento com a China, afirmando que as coisas estão progredindo positivamente e elogiando seu relacionamento com Xi Jinping. A nova tarifa foi uma medida do presidente americano em resposta às regras impostas pela China que limitam a venda de minerais de terras raras a outros países. Esses minerais são essenciais para a produção de diversos eletrônicos, incluindo carros elétricos, celulares e equipamentos militares.
Conforme a Agência Internacional de Energia (IEA), a China é responsável por mais de 90% da produção mundial desses minerais.
Impactos das Tarifas nos EUA
Efeitos Econômicos
De acordo com o estudo "The Budget Lab", realizado pela Universidade de Yale, as tarifas impostas devem causar uma perda de aproximadamente US$ 1,8 mil na renda das famílias americanas ao longo deste ano. Os impactos das tarifas se farão sentir no PIB, com uma queda estimada de 0,5 ponto percentual no crescimento econômico dos Estados Unidos em 2025 e 2026.
A desaceleração econômica também poderá ser atribuída a uma deterioração do mercado de trabalho, com uma previsão de aumento de 0,3 ponto percentual na taxa de desemprego até dezembro. Além dos efeitos macroeconômicos, os Estados Unidos presenciou uma queda significativa nas exportações de soja após a China suspender a compra do grão proveniente de produtores americanos.
Desempenho das Exportações
Em 2024, a China havia adquirido mais de US$ 12 bilhões em soja dos EUA. Contudo, a partir de setembro deste ano, as compras chinesas caíram a zero. Como resultado, muitos fazendeiros enfrentam o risco de falência, estimando prejuízos bilionários devido à suspensão das compras. Nos estados americanos, até 60% das exportações de soja são destinadas à Ásia, especialmente à China.
Percepções do Setor Agrícola
Uma pesquisa realizada pela Universidade Purdue indica que os agricultores estão se tornando menos otimistas em relação às perspectivas da economia americana, em meio à incerteza provocada pelas políticas de Trump. O presidente da Associação Nacional de Agricultores Negros, John Boyd Jr., declarou que "é uma época ruim para a agricultura dos Estados Unidos e para os fazendeiros", acrescentando que as tarifas estão afastando muitos produtores do mercado.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


