Desempenho do Bitcoin em Fevereiro de 2026
O Bitcoin enfrenta um início de 2026 particularmente complicado. Até esta quinta-feira (5), em fevereiro, a principal criptomoeda do mundo já registrou uma queda de 22,47% em reais, marcando o quinto mês consecutivo de desvalorização, segundo um estudo da Elos Ayta Consultoria. Esse fenômeno é considerado raro e historicamente significativo, conforme indicam dados desde janeiro.
O gráfico de retorno mensal do Bitcoin em reais mostra que o desempenho atual está entre os episódios mais negativos da série histórica recente. O mês de fevereiro configura-se como o terceiro pior já registrado, superado apenas pelos meses de maio de 2021, com uma desvalorização de 39,40%, e junho de 2022, que apresentou uma queda de 29,54%.
Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, destaca que o mês de fevereiro ainda não está completo, tendo sua variação calculada com base apenas nos primeiros cinco dias, enquanto os demais meses considerados correspondem a períodos já fechados. Contudo, a intensidade da queda já posiciona fevereiro entre os meses mais negativos da recente história do ativo.
Cinco Meses Seguidos de Queda: Evento Raro, Mas Não Inédito
A atual sequência de cinco meses consecutivos de perdas é notável por sua raridade estatística. Desde janeiro de 2014, o Bitcoin enfrentou tal desvalorização em apenas duas ocasiões: entre dezembro de 2013 e abril de 2014, durante um grande ciclo especulativo da criptomoeda, e entre agosto e dezembro de 2018, marcado pelo fim do “inverno cripto” após a bolha de 2017.
Esse movimento atual coloca a criptomoeda em um padrão típico de fases de ajustes profundos de preços, frequentemente associado a momentos de desalavancagem e diminuição do apetite ao risco global.
Volatilidade Extrema e Retorno Anualizado
Apesar do desempenho recente negativo, o histórico reforça a volatilidade extrema do ativo, conforme observa Rivero. A maior valorização mensal desde 2020 ocorreu em outubro de 2021, com uma alta de 49,36%. Esse comportamento assimétrico explica a complexidade da análise do Bitcoin.
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Entretanto, o sinal também se torna negativo para o poupador de longo prazo. O ativo apresenta o quarto mês consecutivo de retorno anualizado negativo. Entre fevereiro de 2025 e 5 de fevereiro de 2026, a perda acumulada chega a 31,97% em reais. Essa reversão é significativa em relação aos ganhos observados ao longo de 2023 e parte de 2024.
No lado oposto, o melhor desempenho anualizado foi registrado em março de 2021, quando o Bitcoin obteve uma impressionante alta de 933,96% em um período de 12 meses.
O Fator Paciência e a Decisão do Investidor
Um aspecto relevante é que a fase negativa atual afeta não apenas o especulador de curto prazo, mas também o investidor paciente de longo prazo, que considera janelas de 12 meses ou mais. Quando o retorno anualizado se torna negativo, o Bitcoin exige um nível adicional de convicção por parte do investidor.
“Historicamente, esses momentos coincidem com períodos de notícias desfavoráveis e menor interesse por parte do investidor pessoa física, o que, paradoxalmente, já antecedeu pontos de inflexão em ciclos anteriores”, afirma Rivero.
Segundo ele, fevereiro de 2026 já é emblemático como um dos períodos mais desafiadores, onde a estatística frívola demanda decisões disciplinadas dos investidores.
Fonte: timesbrasil.com.br


