Resultados do BNDES no Primeiro Trimestre de 2026
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) reportou um lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa um crescimento de 17% em comparação ao resultado obtido em 2025.
No período acumulado dos últimos 12 meses, encerrados em março, o lucro recorrente totalizou R$ 15,6 bilhões, configurando-se como o maior já registrado na história da instituição.
A alta em relação a 2022 foi de 22%, uma vez que naquele ano o montante foi de R$ 12,5 bilhões. Nos primeiros meses de 2026, os ativos totais do banco se aproximaram de R$ 1 trilhão, alcançando R$ 995 bilhões. Esse valor representa o maior montante nominal da história do BNDES, com um crescimento superior a 45% desde 2022. Em termos de carteira de crédito, o BNDES atingiu R$ 678,2 bilhões, evidenciando uma alta de 14% em relação a 2025 e alcançando o maior patamar desde 2016.
Os ativos totais do Sistema BNDES, em 31 de março de 2026, aproximaram-se de R$ 1 trilhão, somando R$ 995 bilhões, o que representa um aumento de R$ 32,2 bilhões (3,3%) em relação ao final de dezembro de 2025.
Este resultado de 2026 representa um crescimento de 45% em relação ao montante registrado em 2022, que foi de R$ 684 bilhões.
No que diz respeito às aprovações de crédito, estas totalizaram R$ 45,7 bilhões, o que indica um aumento de 37% em comparação ao primeiro trimestre de 2025, além de um crescimento de 254% em relação ao mesmo período de 2022.
A taxa de inadimplência, que se destacou em 0,046% (considerando 90 dias), é inferior à média do Sistema Financeiro Nacional, que apresenta uma taxa geral de 4,33% e 0,60% para grandes empresas em março de 2026.
O Índice de Basileia alcançou 24,1%, tendo sido de 25,2% em dezembro de 2025, mantendo-se acima do limite estipulado de 10,5% pelo Banco Central.
O montante devido pelo BNDES ao Tesouro Nacional e ao mercado local de captações, prioritariamente LCA e LCD, totalizou R$ 36 bilhões e R$ 28 bilhões, respectivamente, em 31 de março de 2026, mantendo-se nos mesmos níveis registrados em 31 de dezembro de 2025.
Desembolsos do BNDES no Primeiro Trimestre de 2026
Os desembolsos do BNDES totalizaram R$ 36,2 bilhões no trimestre, o que representa um aumento de 44% em comparação ao mesmo período de 2025, além de um crescimento de 145% em relação ao primeiro trimestre de 2022.
Dentre os setores destacados, a indústria registrou um crescimento de 67%, com desembolsos de R$ 8 bilhões em relação a 2025. O setor de infraestrutura alcançou um incremento de 51%, perfazendo um total de R$ 13,4 bilhões, enquanto o setor agropecuário avançou 40%, com R$ 9,1 bilhões desembolsados.
O diretor do BNDES, Nelson Barbosa, enfatizou que, ao assumir a liderança da instituição em 2022, os desembolsos estavam em torno de 1% do PIB, comparativamente aos 1,4% atuais.
Barbosa comentou que o BNDES pretende resgatar sua posição como um banco médio-grande, porém sem atingir os níveis altos de investimento verificados no período entre 2009 e 2014.
“Um dos objetivos na gestão do Mercadante é retornar ao tamanho do BNDES que existia antes da crise de 2008”, afirmou ele em coletiva de imprensa realizada em São Paulo no dia 12 de outubro de 2023.
“Esperamos alcançar 2% do PIB até o final deste ano, dependendo das taxas de juros, da economia e do contexto internacional”, destacou.
Após a crise econômica de 2008, o BNDES foi utilizado para uma expansão mais agressiva, culminando em desembolsos que chegaram a atingir quase 4% do PIB no ano de 2010.
Destinação dos Recursos do BNDES
Os recursos financeiros disponibilizados pelo BNDES foram direcionados, em grande parte, para projetos que visam impacto social e ambiental. Esses projetos incluem iniciativas em mobilidade urbana, infraestrutura logística, adaptação às mudanças climáticas e resiliência.
Para micro, pequenas e médias empresas (PMEs), as aprovações de crédito totalizaram R$ 29 bilhões, o que representa um aumento de 120% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e um crescimento de 333% em comparação a 2022.
As garantias fornecidas por fundos garantidores em operações realizadas através de agentes financeiros atingiram R$ 20,8 bilhões, resultando em um volume total de R$ 49,8 bilhões em apoio às empresas. Esse montante representa um crescimento de 44% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e um aumento de 592% em comparação ao mesmo período de 2022.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, informou que algumas das linhas de crédito criadas, entre elas a que tem maior peso, é o Plano Safra.
“É uma linha bastante conhecida e consolidada”, destacou. “Uma segunda linha, focada em inovação, exemplifica a ideia de que não pode haver inovação sem suporte do Estado – essa é uma afirmação tanto do FMI quanto da OCDE.”
Fonte: www.cnnbrasil.com.br