Desempenho das Ações da Usiminas (USIM5)
As ações da Usiminas (USIM5) apresentaram uma queda significativa nesta segunda-feira, 13 de setembro, atingindo uma mínima de 3,47%, cotadas a R$ 6,96, em decorrência de rebaixamentos feitos pelo Bank of America (BofA) e pelo Safra. O BofA alterou sua recomendação de compra para neutro, enquanto o Safra reduziu sua classificação de neutro para venda.
Ainda que exista uma expectativa em torno de preços elevados para o aço plano, o que poderia proporcionar algum suporte para a Usiminas, ambas as instituições financeiras realizaram suas alterações de recomendação considerando aspectos como o aumento dos custos, a implementação de medidas antidumping e as inquietações em relação à capacidade de geração de caixa da siderúrgica.
Por volta das 12h38, no horário de Brasília, as ações da Usiminas operavam em queda de 3,05%, cotadas a R$ 6,99, sendo uma das maiores baixas no índice Ibovespa.
Rebaixamento e Elevação de Preço-Alvo pelo Safra
O banco Safra elevou o preço-alvo para as ações da Usiminas com uma previsão para o final de 2026, passando de R$ 6,20 para R$ 7,70. Essa alteração sugere um potencial de valorização de 6% para os papéis, mesmo após o rebaixamento para a classificação neutra.
Segundo os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, desde outubro, as ações da Usiminas superaram as performances da Gerdau e do Ibovespa em 36% e 29%, respectivamente. Entretanto, agora os analistas afirmam que há um espaço limitado para novas reavaliações positivas. Embora a percepção sobre preços e demanda para o aço plano no Brasil seja mais otimista, especialmente no segundo semestre de 2026 a 2027, a expectativa de alta mais substancial para a Usiminas necessitaria de premissas mais favoráveis.
O valuation estimado pelo Safra, em 3,3x, junto a um rendimento médio de fluxo de caixa livre próximo a 3%, resulta em uma avaliação considerada pouco atrativa pela instituição. Isso sugere que o valor das ações já incorpora um cenário para o setor de aço que é mais otimista do que a perspectiva base do banco.
Além disso, o Safra alerta para o risco de uma queda nos preços, visto que a instituição já projetou preços otimistas junto a uma possível deflação nos custos das matérias-primas. A análise do banco indica que as ações da Usiminas haviam refletido, anteriormente, uma probabilidade mínima da aplicação de medidas antidumping, e que, atualmente, essa possibilidade está integralmente precificada. Desde a implementação das primeiras medidas, as ações subiram 65%, mas agora as previsões de lucros são limitadas e há uma antecipação de uma potencial deterioração nas perspectivas de resultados para o segundo trimestre de 2026.
O Safra também destaca as preocupações relacionadas à geração de caixa e à alocação de capital, especialmente em função do aumento dos custos das matérias-primas e do plano de investimento (capex) projetado entre R$ 1,6 a R$ 1,9 bilhão anualmente até 2029, além da diminuição do uso de forfaiting, que poderá restringir ainda mais o fluxo de caixa livre.
No que diz respeito às projeções, o Safra estima que a Usiminas deverá gerar um fluxo de caixa livre (FCF yield) negativo de 5% em 2026, com previsão de recuperação para cerca de +3% em 2027 e +11% em 2028, sustentado por aumentos nos preços e pela redução do custo dos produtos vendidos por tonelada, através de iniciativas internas e das condições de mercado nas matérias-primas.
Por último, o banco prevê que a Usiminas mantenha uma posição de caixa líquido, embora o perfil conservador de alavancagem possa refletir a possível aprovação do projeto de minério de ferro compactos, o qual não está incorporado no cenário base da instituição e que poderia demandar investimentos na ordem de US$ 1,2 a 1,5 bilhão em capital.
Reavaliação do BofA sobre a Usiminas e Novas Preferências
Para o Bank of America, apesar de os aumentos de preços do aço plano serem favoráveis à Usiminas, a avaliação de um valuation projetado em 5,3x para 2026 indica que esses fatores já podem estar incorporados no preço das ações existentes.
Além disso, a geração de caixa da Usiminas continua a ser um ponto fraco, especialmente considerando a normalização do capital de giro em 2026.
O banco fez a redução de suas estimativas, alertando sobre o risco de resultados em queda no segundo trimestre, caso os aumentos de preços não se concretizem, em virtude da contínua pressão sobre os custos, principalmente referentes a carvão e placas. O preço-alvo da Usiminas foi mantido em R$ 8, o que representa um potencial de valorização de quase 11%.
A empresa Ternium (TXSA34), por sua vez, foi elevada pelo BofA de neutro para a classificação de compra, se juntando à Gerdau (GGBR4) como uma das principais escolhas do banco no setor siderúrgico.
Essa alteração se deve às expectativas de um aumento dos rendimentos de fluxo de caixa livre a partir de 2027, resultado da significativa redução do capex, que deverá ocorrer após a finalização de investimentos-chave.
Fonte: www.moneytimes.com.br