BofA prevê grande crescimento do investimento estrangeiro no Brasil em 2026 e projeta Ibovespa a 180 mil pontos.

Investidores Estrangeiros e o Ibovespa

O ano de 2025 foi marcado pela significativa presença de investidores estrangeiros na Bolsa brasileira, o que contribuiu para que o Ibovespa alcançasse máximas históricas. Segundo David Beker, estrategista-chefe do Bank of America (BofA) para a América Latina, essa tendência deve continuar no próximo ano, resultando em um impulso adicional para o Ibovespa.

“O estrangeiro está interessado no Brasil. Há uma observação, mas muitos afirmam que o mundo está muito incerto. Esse fator pode afetar a perspectiva de fluxo. No entanto, a alocação na América Latina, neste momento, é bastante baixa. Portanto, existe um grande potencial para aumento”, afirmou Beker durante uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (11).

Parte do impulso observado no Ibovespa em 2025 deve-se ao reposicionamento global devido à fraqueza do dólar. Em meio a incertezas relacionadas a tarifas anunciadas por Donald Trump e um cenário internacional menos favorável para ativos norte-americanos, muitos investidores passaram a buscar alternativas fora dos Estados Unidos.

Para os mercados desenvolvidos, Beker destacou que o mercado começou a perceber que seus movimentos se aproximam de um limite, enquanto os emergentes ainda permanecem descontados e estruturalmente subalocados. Na América Latina, o BofA classifica o Brasil como sua principal tese de investimento e mantém uma visão positiva sobre o mercado acionário local, no modelo overweight. Embora a Argentina também possua recomendações positivas, a baixa liquidez da BYMA, a bolsa do país, limita a entrada de capital se comparada à B3.

Perspectivas para o Ibovespa até 2026

O BofA projeta que o Ibovespa poderá atingir 180 mil pontos até o final de 2026, sendo sustentado principalmente pelo início e continuidade do ciclo de afrouxamento monetário. A expectativa do banco é que a Selic atinja 11,25% no final do ano, ainda acima da taxa neutra, de acordo com a perspectiva do estrategista.

Nos cenários alternativos, o índice pode alcançar até 210 mil pontos em um ambiente fiscal favorável, enquanto, caso a percepção de risco aumente, poderá cair para 130 mil pontos.

“Os cenários dependem claramente da percepção do mercado acerca da trajetória de juros, que por sua vez depende da percepção em relação à trajetória fiscal”, explicou Beker. “O que definirá a trajetória do mercado em relação às eleições é se o candidato vencedor irá ajustar ou não o fiscal. Caso essa mudança aconteça, poderemos vislumbrar 210 mil pontos. Se não houver alterações, o índice poderá cair para 130 mil pontos.”

Segundo Beker, 2026 ainda poderá ser um ano de relativa estabilidade fiscal, visto que o governo já teria cumprido boa parte das promessas políticas voltadas à reeleição.

“Neste momento, Lula está confortável com a possibilidade de reeleição. Eu me pergunto se, caso ele estivesse em posições desfavoráveis nas pesquisas, teríamos surpresas fiscais. O fato de ele estar bem posicionado diminui o risco fiscal”, afirmou.

O estrategista ressalta, no entanto, que a partir de 2027, o novo governo terá que encarar o desafio de estabilizar a relação entre dívida e PIB. O BofA publicou recentemente um relatório intitulado “Dear Next President: The Fiscal Patience Is Over”, alertando que o próximo governo, independentemente de quem seja, terá de apresentar um plano crível para evitar a deterioração da situação econômica.

Expectativas para o Investidor Local e Ações Recomendadas

Além do fluxo estrangeiro, Beker observa um espaço significativo para a retomada do investidor local na Bolsa, especialmente com a expectativa de que a queda da Selic torne-se mais consistente.

O BofA mantém uma visão otimista para o mercado acionário brasileiro e Beker destacou um grupo de ações que, segundo a instituição, combina resiliência, liquidez e a capacidade de oferecer retornos consistentes, mesmo em cenários de maior volatilidade. Este grupo, denominado “Brazil Magnificent Seven”, é composto pelas seguintes empresas: Mercado Livre (MELI34), Nubank (ROXO34), WEG (WEGE3), BTG Pactual (BPAC11), Raia Drogasil (RADL3), Localiza (RENT3) e Itaú (ITUB4).

“Na elaboração desta lista, buscamos empresas que demonstram elevados retornos. Embora não sejam ações baratas, são companhias que geram valor consistentemente ao longo do tempo”, observou Beker. “São histórias sólidas que têm conseguido um desempenho positivo mesmo em cenários voláteis.”

Adicionalmente, o banco criou uma segunda lista, chamada “Unforgettable Seven”, que é composta por large caps mais estabelecidas, que apresentam crescimento mais modesto, mas continuam a oferecer retornos significativos. Este grupo é formado por Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), JBS (JBSS3), Banco do Brasil (BBAS3), Ambev (ABEV3), Bradesco (BBDC4) e Gerdau (GGBR4).

Fonte: www.moneytimes.com.br

Related posts

Descubra 5 Ações Imperdíveis para Sua Carteira Semanal, Incluindo Locatário (RENT3) e MRV (MRVE3), Segundo a Terra Investimentos

BTG identifica oportunidades restritas para o petróleo e destaca sua ação preferida no setor

Ele enfrentou três falências, mas hoje é milionário e deseja ajudar mais brasileiros a se reinventarem em 2026.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais