Mercados Europeus Encerram em Baixa
Os índices europeus finalizaram o pregão desta quarta-feira, 22, em um cenário negativo, influenciados por incertezas em relação ao cessar-fogo prolongado no Oriente Médio e pelos impactos da guerra na economia global.
O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou as negociações com uma queda de 0,35%, registrando 613,88 pontos.
Desempenho dos Principais Índices
Entre os índices mais relevantes, o FTSE 100 de Londres encerrou com uma queda de 0,21%, alcançando 10.476,46 pontos; o DAX de Frankfurt caiu 0,31%, para 24.194,90 pontos; e o CAC 40 de Paris apresentou uma baixa de 0,96%, estabelecendo 8.156,43 pontos.
Movimentações no Mercado e Dados Econômicos
Os investidores observaram novos dados macroeconômicos provenientes dos países da zona do euro e do Reino Unido, em um dia marcado pela divisão da atenção devido aos desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio.
No cenário alemão, o Ministério da Economia do país revisou para baixo as previsões de crescimento para 2026 e 2027, ao mesmo tempo em que aumentou suas estimativas para a inflação. O governo agora projeta um crescimento de 0,5% para este ano, uma redução em relação à previsão anterior que era de 1%. Para 2027, a expectativa de crescimento caiu de 1,3% para 0,9%.
A expectativa de inflação foi ajustada para 2,7% em 2026 e 2,8% em 2027, em comparação com os 2,2% registrados em 2025.
Adicionalmente, a economia da Alemanha cresceu em um ritmo modesto no primeiro trimestre, impulsionada pelos setores industrial e de serviços. Contudo, os preços elevados da energia, juntamente com as incertezas advindas do conflito no Irã, devem impactar negativamente o desempenho no trimestre atual, conforme apontado pelo Banco Central do país.
A maior economia da Europa tem experimentado uma estagnação quase constante nos últimos três anos. As expectativas do governo de que investimentos em infraestrutura e defesa poderiam promover crescimento foram prejudicadas pelo conflito no Irã.
Entre outros dados relevantes, a inflação no Reino Unido subiu para 3,3% em março em comparação ao mesmo mês do ano anterior, avançando de 3,0% registrado em fevereiro. Esse aumento revela o primeiro impacto da guerra no Irã sobre os preços, levando o Banco da Inglaterra a temer um retorno persistente à inflação alta no país.
Declarações do Banco Central Europeu
Em uma entrevista ao Financial Times divulgada hoje, um dos diretores do Banco Central Europeu (BCE), Martins Kazaks, afirmou que a instituição possui o “luxo” de não precisar apressar a aumento das taxas de juros. A próxima decisão em relação à política monetária está agendada para a quinta-feira da próxima semana, 30.
Conflito no Oriente Médio
Atendendo a um pedido do Paquistão, que atua como mediador nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o presidente norte-americano Donald Trump suavizou sua postura de ameaça contra o Irã e anunciou a extensão da trégua até que as negociações entre as partes sejam concluídas.
No entanto, segundo informações divulgadas pela Axios, o cessar-fogo deve se extender apenas de 3 a 5 dias, conforme uma fonte da Casa Branca.
Adicionalmente, foram apresentadas informações contraditórias sobre as negociações futuras: enquanto Trump indicou ao New York Post que “boas notícias” poderiam surgir já na sexta-feira, a agência de notícias iraniana Tasnim afirmou que Teerã não tem, por ora, a intenção de negociar ao final desta semana.
Em um relatório mensal, o Bundesbank destacou que as tensões geopolíticas devem limitar a recuperação da economia alemã no primeiro semestre de 2026. O banco observou que “as expectativas de exportação e de negócios apontam para uma perspectiva mais moderada”. Essa moderação é atribuída não apenas ao impacto dos altos custos de energia e às interrupções nas cadeias de suprimento, mas também à preocupação com uma demanda global mais fraca devido à guerra no Oriente Médio.
Fonte: www.moneytimes.com.br

