Rebaixamento da Braskem pelo Bradesco BBI
O Bradesco BBI reavaliou a recomendação das ações da Braskem (BRKM5), passando de neutra para venda, e reduziu o preço-alvo em 50%, de R$ 8 para R$ 4. Essa decisão foi tomada em decorrência de diversos fatores que têm impactado negativamente a empresa petroquímica.
Desempenho Financeiro Ruim
Os analistas Vicente Falanga e Ricardo França destacam que a companhia apresentou resultados bastante insatisfatórios no quarto trimestre de 2025. Esse desempenho reflete a diminuição da demanda no mercado químico brasileiro, além do estreitamento adicional dos spreads estruturais.
O Bradesco BBI revisou novamente para baixo suas previsões de resultados, prevendo que a Braskem continue a registrar um elevado consumo de caixa, estimando cerca de US$ 1 bilhão até o final de 2026 e aproximadamente US$ 600 milhões até o término de 2027.
Condições Operacionais Desfavoráveis
O desempenho operacional da Braskem tem sido severamente afetado por um cenário global desfavorável para o setor petroquímico. Este contexto é caracterizado por margens de lucro mais estreitas e uma demanda reduzida em mercados estratégicos.
Venda do Controle da Companhia
No dia 20 de março, a Braskem anunciou ao mercado que a Novonor (anteriormente Odebrecht) e a NSP Investimentos formalizaram um contrato para vender o controle da petroquímica ao fundo de investimento em participação Shine I (Shine I FIP), que é assessorado pela IG4. O futuro do controle acionário da companhia já estava sendo monitorado há algum tempo.
Expectativas de Mudanças Estruturais
De acordo com a análise do Bradesco BBI, a expectativa de que o fundo IG4 assuma o controle da companhia em breve poderá resultar em decisões complicadas e potencialmente desfavoráveis aos acionistas nos níveis de preços atuais. Existe uma probabilidade significativa de que ocorra algum tipo de reestruturação de capital, que pode ser realizada tanto extrajudicialmente quanto judicialmente.
Por volta das 12h05 (horário de Brasília) do dia 22 de março, as ações BRKM5 apresentavam uma queda de 1,22%, com o valor atingindo R$ 8,87.
Perspectivas Futuras para a Braskem
O Bradesco BBI aponta que a Braskem pode ter um certo alívio com a aprovação recente do projeto PRESIQ, que se refere às tarifas antidumping de polietileno (PE) contra produtos oriundos dos Estados Unidos, além do aperto temporário da oferta global de químicos, influenciado pelo conflito no Irã.
Entretanto, segundo a análise do BBI, os fundamentos operacionais do negócio e a estrutura de capital continuam sob grande pressão.
“Apesar da melhora significativa nos spreads químicos, projetamos um uso expressivo de capital de giro no primeiro semestre de 2026. Ademais, a concentração dos pagamentos de juros pode levar a um encolhimento do caixa para níveis perigosamente baixos ao final do período, o que acende um sinal de alerta”, afirmam os analistas.
Riscos de Autoendividamento
A avaliação do Bradesco BBI sugere que, mesmo em um cenário em que o conflito mantenha os spreads elevados até o final de 2026, a análise de sensibilidade indica que a alavancagem da Braskem poderia ultrapassar 10 vezes a relação da dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2027, caracterizando uma situação insustentável.
Fonte: www.moneytimes.com.br


