Brasil busca acordo antecipado na COP30 sobre combustíveis fósseis e financiamento climático.

Brasil busca acordo antecipado na COP30 sobre combustíveis fósseis e financiamento climático.

by Ricardo Almeida
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Brasil busca acordo na COP30

O Brasil espera conseguir um acordo rapidamente sobre algumas das questões mais controversas da cúpula climática COP30. O país revelou uma estratégia de negociação ousada, que levou os delegados a trabalharem até as primeiras horas da manhã desta terça-feira.

A cúpula, que tem duração de duas semanas na cidade amazônica de Belém, reúne governos de diversas partes do mundo com o objetivo de fortalecer a complexa estrutura da ONU, que sustenta a ação global no combate ao aumento da temperatura e na mitigação dos danos decorrentes dele.

O Brasil, na qualidade de país anfitrião, aspira a um acordo em duas etapas: um pacote a ser apresentado na quarta-feira, que incluirá itens considerados espinhosos até uma semana atrás e que não estavam na agenda formal, e outro que resolverá as questões pendentes até a próxima sexta-feira.

No início da COP30, havia incerteza sobre a disposição das partes em negociar um acordo final para o encerramento do evento. Um negociador europeu comentou: “Acho que é uma medida ousada. Pode funcionar, embora também seja um risco, pois por que as partes se movimentariam se soubessem que ainda há tempo?”.

Proposta de acordo

Nesta terça-feira, a presidência da COP30, invocando o conceito brasileiro de “mutirão”, divulgou um primeiro esboço de possível acordo de cúpula intitulado “Mutirão Global: unindo a humanidade em uma mobilização global contra as mudanças climáticas”.

Encontro entre Guterres e Lula

O secretário-geral da ONU, António Guterres, retornou a Belém na terça-feira, onde se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira. Lula afirmou que a reunião tem como objetivo “fortalecer a governança climática e o multilateralismo”.

Entre os tópicos mais desafiadores nas discussões estão a definição sobre como os países ricos fornecerão financiamento para que os países mais pobres realizem a transição para fontes de energia limpa, bem como o que deve ser feito em relação à lacuna existente entre os cortes de emissões prometidos e aqueles que são necessários para evitar o aumento das temperaturas.

Expectativas sobre o andamento das negociações

Desafiando as expectativas que vinham sendo formadas pelas recentes cúpulas da COP, que frequentemente ultrapassavam o horário previsto, o presidente da COP30 do Brasil, André Corrêa do Lago, declarou no final da segunda-feira que contava com o apoio dos participantes para exercer uma pressão significativa por um resultado célere.

As negociações se estenderam até após a meia-noite e estão programadas para continuar por diversas horas na terça-feira. Algumas nações, incluindo o Brasil, estão buscando um roteiro que auxilie os países na implementação de um acordo alcançado na COP28 em 2023, que propõe a eliminação gradual do uso de combustíveis fósseis; no entanto, o esboço do acordo apresentou essa sugestão apenas como uma inclusão opcional.

A enviada climática das Ilhas Marshall, Tina Stege, em uma coletiva de imprensa ao lado de representantes de mais de uma dúzia de países que a apoiam, afirmou: “A referência atual no texto é fraca e é apresentada como uma opção. Ela deve ser reforçada e adotada”.

Divergências ainda persistem

Dois negociadores e dois observadores externos, que têm permissão para participar das negociações, descreveram à Reuters uma vasta gama de divergências que ainda não foram resolvidas. A questão do fornecimento de financiamento, por exemplo, já era um ponto crítico, colocando os países desenvolvidos, muitos enfrentando finanças públicas apertadas e prioridades internas que competem entre si, em confronto com as nações mais vulneráveis, como pequenos Estados insulares, que enfrentam ameaças existenciais por conta da elevação do nível do mar.

Algumas dessas divergências foram capturadas no esboço da presidência da COP30, que apresentou uma ampla gama de opções para a redação final das questões centrais, deixando poucas indicações sobre o caminho que o acordo final poderia tomar.

Um observador relatou à Reuters que os delegados estão enfrentando dificuldades para progredir em direção a acordos. A sensação é de que, enquanto alguns textos propostos mostraram algum avanço, eles ainda não atendem ao nível de ambição que esta COP requer. A diretora sênior de políticas para o programa de Clima e Energia da Union of Concerned Scientists, Rachel Cleetus, mencionou: “Os textos propostos divulgados hoje mostram algum progresso, mas ficam bem aquém do nível de ambição que esta COP exige”.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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