Um relatório elaborado há 15 anos previa que o Brasil poderia alcançar a quinta posição entre as maiores economias do mundo até 2016. Contudo, essa projeção não se concretizou, e o país deve terminar 2026 na décima posição do ranking global, mesmo diante dos avanços no agronegócio, da produção de petróleo e das exportações de commodities.
O documento foi produzido por uma força-tarefa independente, com o patrocínio do Council on Foreign Relations (CFR), um centro de estudos de política externa dos Estados Unidos.
Divulgado em julho de 2011, o estudo classificava o Brasil como uma das nações com potencial para moldar o século XXI. Naquela época, o Brasil ocupava a oitava posição entre as maiores economias do mundo e apresentava um crescimento de 7,5% em seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2010.
A força-tarefa estimava que o Brasil poderia atingir a quinta posição em 2016, sustentado pelo crescimento do mercado consumidor, pela expansão da classe média, pelo agronegócio, pela mineração e pelas descobertas de petróleo na camada pré-sal.
De acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) de abril deste ano, o PIB nominal do Brasil deve atingir aproximadamente US$ 2,64 trilhões em 2026. Esse valor posiciona o país na décima colocação entre as maiores economias do mundo. Essa comparação leva em conta o PIB convertido em dólares, logo, também está sujeita às variações cambiais.
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Recessão interrompeu avanço
A previsões inicialmente otimistas começaram a se afastar da realidade nos anos subsequentes à publicação do relatório.
Após um crescimento de quase 4% em 2011, a economia brasileira perdeu vigor e entrou em uma recessão severa. O PIB caiu 3,5% em 2015 e mais 3,3% em 2016, ano em que o país deveria ter alcançado a quinta posição. O investimento também registrou uma queda significativa, atingindo 15,5% do PIB em 2016, o menor nível desde o início da série histórica em 1995.
O próprio relatório já destacava riscos que poderiam limitar a expansão da economia brasileira. Dentre os fatores mencionados estavam a infraestrutura deficiente, a baixa qualidade da educação básica, a escassez de mão de obra qualificada, o investimento insuficiente em inovação e a complexidade dos sistemas tributário e regulatório.
O CFR também alertava para a dependência da demanda asiática e a vulnerabilidade do Brasil às oscilações nos preços internacionais das commodities.
Previsão sobre petróleo se confirmou
No ano de 2011, a força-tarefa afirmava que as reservas descobertas no pré-sal poderiam colocar o Brasil entre os dez maiores produtores de energia do planeta. No entanto, o documento já advertia que o país precisaria gerenciar essa riqueza, o que seria um processo passível de politização.
Em abril de 2026, a produção de petróleo do Brasil atingiu um recorde de 4,34 milhões de barris por dia, representando um aumento de 19,5% em relação ao mesmo mês de 2025, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A produção conjunta de petróleo e gás no pré-sal chegou a 4,61 milhões de barris de petróleo equivalente por dia, o que representou 81,8% do total nacional. Contudo, o crescimento na produção não foi suficiente para conduzir o Brasil ao tamanho econômico previsto em 2011. Essa realidade evidencia que a exploração de recursos naturais pode, de fato, incrementar exportações, investimentos e receitas públicas, mas não elimina a imperativa necessidade de ganhos em produtividade, educação e infraestrutura.
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Venezuela serve de alerta
A experiência da Venezuela serve como um alerta de que possuir grandes reservas não garante produção crescente nem desenvolvimento econômico sustentável.
No ano de 2023, a Venezuela contava com aproximadamente 303 bilhões de barris em reservas provadas, o que representava cerca de 17% do total mundial. Entretanto, o país contribuiu com apenas 0,8% da produção global de petróleo naquele ano.
A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos atribui a deterioração do setor venezuelano a uma combinação de má administração governamental, sanções internacionais, crise econômica, falta de investimento e degradação da infraestrutura devido à falta de manutenção adequada.
A produção de petróleo da Venezuela caiu de aproximadamente 3,2 milhões de barris diários no ano de 2000 para 735 mil barris por dia em setembro de 2023. Essa queda já estava em curso antes das sanções mais severas impostas à estatal PDVSA em 2019, porém, as restrições agravaram as dificuldades de financiamento e operação.
O relatório de 2011 também levantava questionamentos sobre a adesão da Venezuela às normas democráticas do Mercosul. Apesar disso, o governo brasileiro apoiou a entrada do país no bloco, sob a perspectiva de que a integração econômica poderia facilitar o diálogo e mitigar tensões regionais.
Fonte: timesbrasil.com.br