Consulta na OMC
Na manhã desta segunda-feira (6), enquanto os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se comunicavam por telefone, as diplomacias do Brasil e dos Estados Unidos realizavam uma consulta na Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, focando nas tarifas de 50% aplicadas a produtos brasileiros.
Fontes da diplomacia brasileira, consultadas pela CNN, consideraram o contato como “positivo”. Apesar de ser uma conversa de caráter técnico, os diplomatas ressaltaram a disposição dos representantes norte-americanos para a troca de informações. Quando questionada se esse diálogo poderia contribuir para a resolução das divergências políticas e econômicas entre os dois países, uma fonte afirmou que, neste momento, “tudo é subsídio”.
A consulta em questão representa a primeira etapa formal do mecanismo de resolução de controvérsias entre membros da OMC, onde as partes envolvidas trocam informações e buscam negociar. O Brasil acionou esse mecanismo em agosto, citando o princípio da nação mais favorecida e os limites tarifários acordados entre os membros da organização.
Durante o encontro na Suíça, estiveram presentes autoridades de ambos os países, além de representantes da OMC. O embaixador Mauricio Lyrio, que atualmente ocupa a posição de secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente no Ministério de Relações Exteriores, liderou a delegação brasileira.
Caso não haja acordo entre os países nos próximos 60 dias, o Brasil poderá solicitar a criação de um painel de disputa, que se encarregaria de analisar a possibilidade de violação das regras da OMC. No entanto, vale destacar que o funcionamento do painel está comprometido desde 2019, e o órgão responsável por apelações encontra-se inoperante.
Conversas entre Lula e Trump
O encontro técnico ocorreu paralelamente à conversa telefônica entre os presidentes, na qual, conforme informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, Lula solicitou ao governo americano a retirada da taxa aplicada aos produtos brasileiros e das sanções direcionadas a autoridades brasileiras.
A nota divulgada informa que “o presidente Lula descreveu o contato como uma oportunidade para restaurar as relações amigáveis que perduram há 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”. Lula ressaltou que o Brasil é um dos três países do G20 com os quais os Estados Unidos mantêm um superávit na balança de bens e serviços. Adicionalmente, solicitou a remoção da sobretaxa de 40% imposta a produtos brasileiros e das medidas restritivas aplicadas contra autoridades do Brasil.
Conforme o comunicado, os líderes se comunicaram por um período de 30 minutos em um “tom amistoso” e acordaram a realização de um encontro pessoal em breve.
Durante a conversa, ambos os presidentes recordaram a “boa química” que desenvolveram durante a Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York. Eles também reiteraram a impressão positiva que tiveram desse encontro.
Na ocasião, Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar continuidade às negociações com as autoridades brasileiras.
No que diz respeito à reunião presencial, “o presidente Lula sugeriu a possibilidade de um encontro na Cúpula da ASEAN, na Malásia; reiterou o convite a Trump para participar da COP30, que ocorrerá em Belém (PA); e também se mostrou disposto a viajar para os Estados Unidos”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


