Brasil e EUA Reiniciam Diálogo Sobre Minerais Críticos em Washington

Diálogo entre Brasil e EUA sobre Acordos de Cooperação em Minerais Críticos

Autoridades governamentais do Brasil e dos Estados Unidos retomam, nesta semana, as conversações sobre possíveis a acordos de cooperação na área de minerais críticos e estratégicos.

Evento em Washington

No dia 2 de outubro, uma reunião será realizada em Washington para discutir o potencial do subsolo brasileiro e as possibilidades de cooperação entre as duas nações. O evento contará com a participação de representantes de grandes mineradoras, membros dos governos de ambos os países e consultores de destaque no setor.

Contexto das Conversações

As negociações ocorrem em um cenário em que a administração de Donald Trump considera urgente a redução da dependência dos Estados Unidos em relação à China para a aquisição de minerais críticos, especialmente terras raras, que são insumos essenciais nas indústrias de defesa, inteligência artificial e energia limpa.

O Brasil possui expressivas reservas de minerais como cobalto, cobre, lítio e níquel, além de elementos de terras raras, tornando o país um player importante nesse mercado.

Representantes Brasileiros e Americanos

Do lado brasileiro, a secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Lima Bittencourt, representará o país. Nesta segunda-feira (1º), a secretária se encontrou com Constantine Karayannopoulos, que é considerado um dos consultores mais influentes da mineração ocidental e ex-CEO da canadense Neo Performance Materials, uma empresa de destaque no setor de terras raras.

Pelo lado norte-americano, a representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos será Isabella Cascarano, que ocupa o cargo de vice-secretária adjunta responsável pelo Hemisfério Ocidental e é funcionária de carreira do governo dos EUA.

Além disso, o deputado Arnaldo Jardim, relator da Política Nacional dos Minerais Críticos, que está tramitando em regime de urgência na Câmara dos Deputados, participará das reuniões. De acordo com informações, Jardim será encarregado de apresentar aos americanos a proposta dessa nova política, a qual é considerada um marco para o setor.

Segundo a CNN, o projeto é bem recebido pelo setor privado e deve abordar pontos delicados, como a agilização do licenciamento ambiental para projetos de minerais críticos e a proposição de novos incentivos tributários, incluindo aqueles relativos ao uso de marcas e patentes.

Interesse dos EUA em Diversificação de Fornecedores

O interesse dos Estados Unidos em diversificar suas fontes de minerais críticos e estratégicos é uma questão que não é nova. Em outubro passado, Gabriel Escobar, encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, reuniu-se com diversas autoridades do setor e sugeriu a formação de um grupo de trabalho entre os dois países para discutir o tema.

Essa articulação foi reforçada após a China restringir a exportação de terras raras, um movimento que potencializou a urgência da questão. Apesar do recurso estar distribuído pelo planeta, a China controla uma parte significativa de toda a cadeia de produção, desde o refino até a fabricação de componentes de alto valor agregado.

Atualmente, cerca de 60% da exploração mineral global ocorre dentro do território chinês, mas o dado que mais preocupa é que 91% do refino mundial é realizado por empresas chinesas, que também são responsáveis pela produção de 94% dos ímãs permanentes utilizados em turbinas, motores e equipamentos de defesa.

A IEA (Agência Internacional de Energia) classificou essa concentração de produção como um grave risco geopolítico, alertando que o domínio chinês pode permitir a Pequim influenciar preços, controlar o acesso de países concorrentes e ditar o avanço de tecnologias estratégicas, como semicondutores, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

Para o governo dos Estados Unidos, esse assunto é especialmente sensível. A supremacia militar e tecnológica do país pode ser ameaçada se a China ampliar seu controle sobre insumos essenciais, particularmente nos setores de defesa, inteligência artificial e energia limpa.

Nesse contexto, o Brasil se destaca, pois detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, embora ainda não tenha iniciado a extração ou o refino significativo desses materiais. A falta de um marco regulatório específico para o setor torna a cadeia produtiva ainda incipiente.

No entanto, é importante notar que empresas ocidentais já começaram a adquirir projetos e realizar pesquisas e mapeamentos geológicos em solo brasileiro. O governo brasileiro, por sua vez, não aceita a ideia de que o país se torne apenas um exportador de matérias-primas.

A estratégia do governo é atrair transferência de tecnologia e incentivar a industrialização local, para que o Brasil participe de maneira mais ativa da economia verde e das cadeias globais de alto valor.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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